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Perdendo ou Ganhando

Por Joberson Lino

Eu assisti a um filme muito bom, que me fez refletir nas escolhas que fazemos e de como essas escolhas podem influenciar para sempre nas nossas vidas e na vida de muitas outras pessoas que estejam ou estarão próximos de nós.

Tomar uma decisão, geralmente será muito complicado e difícil para quem normalmente reflete nos passos que toma na vida; O viver de hoje nos faz está constantemente frente a decisões, pois são tantas demandas nesse mundo capitalista que vivemos e que por ser muito capitalista nos leva sempre a refletir bastante antes das tomadas decisões, pois a qualquer escolha errada, pode custar uma vida de sucesso, pode nos levar a uma fila de emprego, pode nos fazer morar em uma favela, pode nos tirar a vontade de viver…

Como é difícil caminhar sem ter um “mapa” da vida para nos guiar qual caminho certo, qual escola colocar os filhos, qual curso superior cursar, qual profissão seguir, qual igreja ir, qual mulher ou homem certo para casar, qual método de educação usar na criação dos filhos?
Acredito que nós somos frutos de nossas escolhas, pois Deus, ao criar o mundo, deu de presente ao ser humano a livre escolha, o livre arbítrio de seguir o que quiser, andar por onde quiser, comer o que quiser, casar com quem quiser, viver sozinho ou acompanhado, viver ou morrer…

Tudo está em nossas mãos, tudo que possamos ser está nas nossas mentes; Os cemitérios estão lotados de Picassos que não quiseram pintar, temos muitos Robertos Carlos que não quiseram cantar, temos muitos filósofos que não quiseram filosofar, temos muitos professores que não quiseram ensinar, temos muitos de um tudo, que optaram por não escolher determinados caminhos.

Fazer escolhas para mim é como fechar os olhos e andar no escuro o tempo todo sem ter a certeza que o próximo passo vai se firmar em algo; Fazer escolhas é andar em fé acreditando que algo vai acontecer de bom ou de ruim.

Nossas escolhas irão determinar muito do que seremos e de como viveremos.

Nesse filme que assisti o ator teve que tomar uma decisão muito complicada, e no caso dele foi De-Cisão mesmo, pois ele teve que decepar parte do próprio braço para poder sobreviver e sair da situação difícil ao qual se encontrava, ele teve que perder, para poder ganhar a sua vida.

Quantos de nos muitas vezes temos que cortar algo que vai doer e muito em nós para poder dar continuidade da vida, quantos de nós vai ter que abdicar de coisas que são tão importantes que chega a parece essencial à vida, como um braço?

Decidir perder é uma atitude muito difícil, mas muitas vezes na vida temos que admitir que perdemos para dar novos rumos a nossa vida; Admitimos que perdemos para poder ver o nascimento do novo. No filme, um dos motivos que levou o personagem a cortar o braço, foi a esperança de ter um filho de ter uma família e de ter uma nova etapa de sua vida.

Consegui ver muita coragem na vida desse personagem em reagir a sua situação, e uma reação que o levou a derrota, a perca, mas que concomitantemente o levou a vida, a família, a novos rumos.

Acredito que esse dom que Deus nos deu, é um dos melhores presentes que um pai poderia ter dado, o dom da escolha, da liberdade; Temos a livre escolha de poder continuar sofrendo, se sentindo coitado, continuar batendo na mesma tecla, nadar, nadar e morrer na praia, tudo isso faz parte do presente, faz parte do livre arbítrio.

Mas também vem no pacote de presente a liberdade de mesmo sentindo dor, chorando, gritando, lutando, buscar uma mudança, iniciar um novo capítulo, ainda que envergonhado com a dor da perda, ainda que frustrado com as expectativas que teve, ainda que humilhado, mas com o entendimento que são minhas escolhas que me levam a onde eu estou.

O nome do filme que assisti chama 127 horas, mas que poderias se chamar, pelo aprendizado que ele expressa: Minha vida, minhas escolhas.

A REVISTA ISTOÉ E DEUS: O SEGREDO DOS MAIS FORTES!

ISTO É E DEUS

 

 

A revista IstoÉ desta semana (edição 2294) traz como titulo de capa “os segredos dos mais fortes”. A matéria embasada nas ultimas pesquisas de cientistas renomados de universidade internacionais, procura demonstrar que a ciência tem revelado por que alguns indivíduos enfrentam melhor que outros as adversidades da vida, tais como fracasso, rejeição, frustrações, insegurança e derrotas. Ato continuo, IstoÉ procura desvendar as características das pessoas mais capazes e como desenvolvê-las. E onde entra Deus nesta estória?

Desde muito cedo em minha caminhada como leitor das Escrituras, pude perceber que tanto nos ensinamentos das antigas leis judaicas (Antigo Testamento), quanto nas orientações mais recentes, de Jesus Cristo (ou Novo testamento) há um claro ponto de contato: uma preocupação central dos autores com o bem-estar das pessoas, ensinando o ser humano a afastar-se do mal, ou seja, de comportamentos que promovam o mal; todo tipo de mal:

  • Tanto o mal mais básico que podemos cometer contra as pessoas, tais como cobiçar, furtar e matar (orientações inauguradas nos dez mandamentos judaicos que ainda hoje permanecem presentes nas leis dos países civilizados),
  • Quanto males mais sofisticados ou psicológicos, que cometemos contra nós mesmos, como a baixa autoestima, a insegurança, a dúvida e/ou o medo do futuro (orientações mais presentes nos discursos de Jesus: “…não andeis ansiosos por nada, pois Deus tem cuidado de vocês…”).

Mais que pregar normas de conduta vazias, que servem exclusivamente como cabrestos morais, qualquer leitor mais atento consegue perceber que a maioria da Torá Judaica e as orientações dadas por Jesus buscam livrar o homem do próprio homem, já que a maioria dos nossos sofrimentos é causada por nós mesmos, como consequência de decisões inapropriadas e escolhas insensatas.

Quando estudei teologia e descobri nas aulas de hebraico que a palavra תּוֹרָה (torah) traduzida para o grego como “lex” (consequentemente para o português e o inglês como “lei” e “law”) é uma palavra que não pertence ao vocabulário jurídico, mas ao vocabulário educacional; ou seja, hoje sabemos que a palavra Torá esta mais voltada para  “instrução”, “doutrina”, “apontamento”, “ensinamento” do que para a palavra “lei”, no sentido jurídico. Isto muda tudo! Transforma o caráter de Deus de o “grande juiz” para o “grande educador”, corrigindo um equívoco de interpretação.

Educação transforma… Educação salva… Mais que julgar, Jesus esclarece que Ele veio para ensinar. Jesus disse: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47).  Esta quebra de paradigma deixa ainda mais clara a intenção pedagógica dos ensinos bíblicos, em frontal contraste com a intenção condenatória, como muitos religiosos interpretam.

O que as Escrituras, no fundo, tentam fazer, é apresentar ao indivíduo a possibilidade de olhar o mundo de forma mais otimista e positiva, assim, utiliza-se das mais diversas alegorias para trazer esperança e paz aos corações humanos: morte deixa de ser morte, mas passagem para outra vida! Assim, uma das grandes angústias existenciais recebe possibilidade de cura, por meio da esperança. Tudo baseado não em provas científicas, mas na fé (fé é uma certeza plena em coisas que não se pode ver).

A matéria da revista IstoÉ procura mostrar que as pessoas consideradas fortes, que conseguem superar as adversidades da vida (separações, óbitos, demissões inesperadas, catástrofes naturais, violência urbana) possuem características em comum e mostra também que estas características podem ser desenvolvidas pelas pessoas. Ou seja, mesmo que você naturalmente não tenha sido “abençoado” – já nascendo com aqueles gatilhos comportamentais – você pode buscá-los e aprendê-los.

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Linhas gerais, algumas “características dos vencedores” destacadas pelos cientistas  são:

  • Ter boa autoestima,

  • Enxergar o problema por outros ângulos,

  • Ter metas claras,

  • Contar com rede de apoio,

 

Muitos dos meus artigos, discursos e sermões buscam desenvolver nos ouvintes ou leitores o que os cientistas que inspiram a matéria da IstoÉ chamam de “Otimismo Realista”. Não que eu seja um estudioso da mente humana ou do comportamento social, ou que já tenha lido alguns dos cientistas citados (tais como: Dennis Charney, Steven Southwick, Mark Seery ou George Barbosa), mas porque o Otimismo Realista é o que Jesus nos ensinou… Simples assim!

Sem qualquer arrogância ou modéstia, conclui-se que a ciência contemporânea está, basicamente, confirmando que as Escrituras entendem de alma humana há milênios e que Jesus estava certo em sua forma ensinar o ser humano a lidar com suas próprias frustrações.

Diz a revista IstoÉ: “… Os cientistas entrevistaram pessoas que superaram situações de extrema tensão, como mulheres expostas a violência e abusos sexuais, membros de tropas de elite do exército americano, combatentes que foram prisioneiros de guerra, vítimas de terremotos e populações pobres de subúrbios… Todos tinham um traço comum, o otimismo realista, uma associação bem balanceada da visão positiva do mundo com boas doses de realismo…”.

Otimismo Realista é a mescla entre nem achar que o mundo é cor-de-rosa, e nem acreditar que não há solução para seus problemas… É justamente a junção destas duas características que a Bíblia tenta nos ensinar por meio de milhares de versículos, centenas de parábolas e dezenas de salmos, que para fins pedagógicos resumo aqui numa única frase, dita por Jesus: “…no mundo tereis aflições, mas tenham um bom ânimo, pois eu venci este mundo”. Ter um bom ânimo, mesmo diante das aflições do mundo é o que a revista IstoÉ chama de “o segredo dos mais fortes”.

As coincidências deste estudo científico com os ensinos bíblicos não se esgotam aqui. Irei mais adiante na exposição, mas tentarei não ser enfadonho.

 

1) “Ter boa autoestima”:

Todo o tempo a Bíblia nos chama de “eleitos”, “filhos do altíssimo”, “escolhidos”, “herdeiros com Cristo”, “mais que vencedores”… Além de inúmeras promessas de paz e de bênçãos. Ou seja, são doses maciças de autoestima que podem fazer com que a mais simples das domésticas ou o mais rejeitado dos porteiros se sintam animados e esperançosos, cheios de força para viver, dando de dez a zero em muitos pseudo-filósofos que vivem à base de Prozac. Quem acreditar em metade dos adjetivos superlativos que nos são dados pelas Escrituras, terão a autoestima nas nuvens sem dificuldade e um largo sorriso na alma. Crer que Deus está com você, ao seu lado, e que pode ajudá-lo, é essencial na superação dos desafios cotidianos de qualquer natureza.

2) “Enxergar o problema por outros ângulos”:

Muitas e muitas vezes as Escrituras nos desafiam a enxergar um problema por outro ângulo. Isto acontece todo o tempo, por exemplo: “Ele não está morto, mas dorme”, “Toda aflição tem um fim proveitoso”, “Deus nos aperfeiçoa por meio das provações”… Quando José foi vendido pelos seus irmãos para ser um escravo egípcio, foi justamente este episódio trágico que o levou décadas depois ao cargo de Governador do Egito. A Bíblia ensina que a esperança deve ser a última a morrer. Inúmeras parábolas nos mostram que uma situação ruim ou é passageira, ou pode ser uma porta para algo melhor. Quem crer nisto, não apenas será mais feliz, como passará por angústias com mais ânimo.

3) “Ter metas claras”:

Jesus sabia quem ele era e o que estava fazendo aqui. Ele predisse sua morte várias vezes. Sabedor que não duraria muito, como meta, tratou logo de juntar doze seguidores e transmitir a eles seus “segredos”, para que sua doutrina não morresse com ele. Jesus ensinou a ter meta: “Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.” (Lucas 11:9). Ou seja, “vá atrás dos seus sonhos”!

4) “Contar com rede de apoio”:

Conheço muitas pessoas que superaram por meio das “reuniões de oração” muitas crises conjugais, dores existenciais, doenças físicas e angústias de alma. Dentre estas pessoas, posso destacar eu mesmo! Muitas vezes, como órfão que sou, tive apenas nos colegas “da igreja”, nas “irmãs de oração”, nas reuniões de jovens e nas festas de aniversário que fizeram para mim, a família que me faltava, a voz de apoio que precisava e o empurrão que me tirou da inércia existencial: “Vai Luciano, vai com fé, Deus vai te ajudar; não desista!”. Foram palavras da minha “rede de apoio”,  chamada igreja, que permitiu que minhas dores fossem curadas e dúvidas rechaçadas. Diz o autor do livro de Hebreus: “Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando”. Hoje, sendo pastor, procuro fazer parte da “rede de apoio” de muitas pessoas e já tive o privilégio de ver muita vida sendo transformada.

O tipo de religião que Jesus pregou concentrou-se basicamente em dois pilares: o altruísmo (“amar o próximo como a sí mesmo”) e a coragem para enfrentar os medos (a frase “não temas” é citada 2.473 vezes no Novo Testamento). Para encerrar este artigo, deixo as palavras de IstoÉ: “Os [cientistas] concluíram ainda que o altruísmo, a religião e a coragem para enfrentar os medos também compõem a matéria-prima dos mais fortes.”

 

Luciano Maia

Matéria na íntegra aqui: http://www.istoe.com.br/reportagens/332651_AS+LICOES+DOS+MAIS+FORTES

 

 

Está faltando homem no mercado? (uma visão masculina)

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ESTA FALTANDO HOMEM NO MERCADO! Esta é uma frase que tenho ouvido muito nos últimos tempos. Mulheres, normalmente acima dos 30 anos (portanto, já maduras e conhecedoras de suas vontades) comentam, injuriadamente bem-humoradas, sobre a pequena oferta do produto “homem”.

Observando as estatísticas, a proporção de pessoas do sexo masculino e feminino não tem se alterado muito nas últimas décadas. Na média histórica são 54% de adultos do sexo feminino e 46% de adultos do sexo masculino. Concluímos, portanto, que o problema não está na taxa de natalidade.

A carestia masculina é fato e pode ter várias explicações, mas arrisco dizer que a reclamação sobre a baixa oferta deste escasso produto pode estar relacionada às frustrações femininas, como consequência às expectativas que elas têm em relação à “qualidade” do produto homem.

Se, no geral, os homens de hoje não são ou não estão se comportando conforme a expectativa da mulher contemporânea, há algo errado: Ou elas estão esperando deles comportamento de príncipe encantado, ou seja, irreal, fantasioso ou acima do razoável,  ou os homens realmente estão muito abaixo da média histórica, comportando-se fora do que o senso comum feminino aprendeu observando seus pais e avós…

Admito: o produto “homem” tem estado com uma qualidade sofrível… E não tem como as clientes não reclamarem… Temos aqui uma tensão contemporânea instalada.

Posso concordar com estas minhas amigas e afirmar que está faltando homem sim.  Quando paro para observar como alguns amigos tratam suas namoradas e esposas, vejo que o mercado masculino está mesmo fraco. Os caras não sabem ser carinhosos, não sabem ser conquistadores… Poucos são charmosos! Não sabem escolher o perfume certo… Mataram a aula de “pegada forte”… Muitos não têm o menor traquejo para serem românticos, não sabem fazer surpresas… Alguns são verdadeiros patetas! Flores? Tem muito dito macho que jamais enviou flores para a sua “amada”. Sem falar no sexo. Muitos caras não dão conta de sustentar uma transa de duas horas sem pedir arrêgo e são incompetentes para fazerem suas mulheres se sentirem fêmeas… Tá brabo, mulherada!

Mas, porque a macharada não anda se comportando como homens? Qual a gênese? CADÊ OS ‘BONS PARTIDOS’? Quero arriscar aqui alguns palpites-cueca, frutos do meu empirismo social:

1 – O SER HUMANO REPRODUZ O QUE APRENDE.

Reproduzir um comportamento observado é um fenômeno cultural e social defendido unanimemente por psicólogos, sociólogos e antropólogos. Assim, podemos inferir que homem que não teve um pai, dificilmente saberá o que é ser um homem dentro de uma casa: falta modelo! Muitos crianças não tiverem modelo masculino consistente dentro de casa. Faltou a presença paterna.

Fenômenos modernos como a facilitação de divórcio, bem como o sexo livre (aliado a acidentes de métodos contraceptivos) fabricaram uma nação de garotos sem pai presente, e muitos destes acabam por não se importar em também virem a ser pais ausentes, já que aprenderam o modelo da ausência. Para estes, ser pai ausente, ou distante da prole, é algo… normal, apreendido e, portanto, replicado.

Muitos garotos não viram seus pais sendo românticos com suas mães, ao contrário. Não viram seus pais consertando o cano da pia e não aprenderam a fazer isto. Não viram seus pais levando suas mães para um jantar… Mas talvez tenham visto “namorados” e mais “namorados” que cruzavam a vida da mãe, por vezes, deixando lágrimas nos olhos delas… Um péssimo modelo que foi aprendido e que sem que se perceba, está sendo naturalmente replicado por muitos destes garotos: eles não sabem o que é ser um homem que da segurança para uma mulher! Não sabem porque não foram ensinados pelo pai que não tiveram.

2 –  NAS ÚLTIMAS DÉCADAS A MULHER MUDOU. E O HOMEM NÃO ACOMPANHOU…

A mulher é outra… Graças a Deus ela mudou… Ela é livre, independente, autônoma e, se não quiser, não precisa de homem nem para transar. Esta foi uma mudança social brutal que ocorreu nos últimos quarenta ou cinquenta anos.

E os homens? Em sua maioria, os homens são os mesmos… Ninguém disse ao homem que ele tinha que mudar. As mulheres fizeram cursos, debates, associações, programas de TV…

Hoje fui a uma reunião de uma Câmara de Negócios. Tinham presentes tantas mulheres quanto homens ali, o que é bom – a palestrante era uma mulher! Logo informaram todas as atividades e reuniões que aconteceriam no semestre: palestras, workshops, rodadas de negócios, etc. Mas uma em especial me chamou a atenção: dentre todas as atividades, havia a Reunião de Mulheres, na qual as mulheres de negócios se reúnem para discutir e trocar experiências sobre como conciliar carreira com vida familiar e pessoal. Apenas para provocar, me inscrevi no grupo, mas me disseram que neste grupo não eram permitidas pessoas do sexo masculino. Ironicamente protestei: “Isto é preconceito de gênero. É inconstitucional! E se fosse o contrário?”

Claro que eu queria apenas fazer uma provocação marota. Mas vejam: porque não existem reuniões masculinas para debater o mesmo tema? Como os homens aprenderão a equilibrar a vida profissional com vida familiar se não há fóruns de debate sobre o tema? Repito: Em sua maioria, os homens são os mesmos… Ninguém disse ao homem que ela tinha que mudar.

Assim, os homens Estão desconfortáveis com a nova mulher: Uma mulher preparada! Não sabem lidar direito com este novo bicho que está aí… Eles Não foram ensinados a lidar com a nova mulher. Não foram ensinados nem por suas mães que os educaram, nem pelos seus pais, que estavam por alguma razão ausentes e nem por uma sociedade  preconceituosa que acha que homem que é homem já sabe de tudo e ficar assistindo palestra pra aprender a ser gente é coisa de viado.

Se estamos ensinando nossas filhas a serem mulheres diferentes, temos que preparar nossos filhos para serem homens preparados para uma nova mulher.

3 – ESTÃO AMEDRONTADOS COM AS NOVAS LEIS.

Ainda bem que surgiram novas leis que protegem as mulheres dos homens fracos (sim, porque homem “forte” não  precisa usar de força física). Usar de força ou de agressão física em meio a discussões é realmente coisa de fracos. É a ausência de argumentos e de bom senso.

Todavia, toda luz gera sombra. Se por um lado a lei protege a mulher da agressão de trogloditas disfarçados de seres humanos, esta mesma lei não protege o homem da agressão feminina. Um amigo policial que trabalha na Delegacia da Mulher em Brasília me contou que todas as noites chegam homens feridos ou agredidos fisicamente por suas companheiras para pedirem algum tipo de socorro ou proteção, mas a polícia nada pode fazer. Os agentes apenas despedem estes caras e alertam: “não revide, ou você será preso”.

Tem homem que pensa duas vezes antes de entrar em relacionamentos sérios por medo do que poderá acontecer como consequência de uma desigual relação legal, das pensões e de possíveis retaliações do sexo forte. Como acertou Erasmo Carlos, nos anos 80, em sua famosa música “Mulher”, enaltecendo a superioridade do sexo feminino – dizia a canção: “Dizem que a mulher é um sexo frágil? Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas…”

Há poucas semanas um amigo realmente apaixonado por sua nova namorada, acordou de madrugada sendo literalmente atacado por ela com unhadas no rosto, num acesso de ciúmes. No happy-hour do dia seguinte o vejo arranhado, com cara de assustado, me pedindo um conselho sobre o que fazer. Ele relatou que o excesso de ciúmes dela era frequente. Como ela já estava partindo para o descontrole emocional, orientei-o a deixar aquele relacionamento por uma questão de integridade física e moral, pois caso ele a ferisse acidentalmente ao se defender das agressões, poderia ter sérios problemas com a família dela, com a sociedade que a defenderia e até com a justiça… Ele foi mais um bom partido que saiu de circulação – agora ele só quer saber de pegação!

4 – HOMOSSEXUALIDADE EM ALTA.

Há muitos anos que ouço mulheres dizendo “que desperdício!” ao verem lindos homens gays. Não há como negar que o número de gays aumentou:
seja porque estão mais corajosos para saírem do armário,
seja porque a ausência de modelos masculinos fortes bagunce a cabeça dos garotos,
seja pela presença de modelos femininos fortes e excessivamente autoritários que ofuscam os modelos masculinos,
seja porque a carência de abraços de um pai ausente busque saciar-se nos braços de outro homem,
seja porque é moda,
ou seja por qualquer outra insuspeitável razão que a nossa vã filosofia, nossa vã sociologia, nossa vã antropologia e nossa vã teologia desconhecem.

O fato é que estar faltando homem no mercado é também consequência da liberalidade sexual, consequência de uma sociedade mais tolerante e menos preconceituosa.

Alguém brincou dizendo que atualmente há mais lésbicas porque há menos homens héteros. Não creio. Esta questão nos lembra outra mais antiga: “quem veio primeiro? o ovo ou a galinha?” – Aliás, “Tostines vende mais porque é mais fresquinho, ou é mais fresquinho porque vende mais?” – Há menos héteros porque há mais lésbicas, ou há mais lésbicas porque há menos héteros?

De qualquer forma, culpar os gays pela falta de homem no mercado é uma injustiça politicamente incorreta, pois as pessoas tem o direito de exercerem livremente sua sexualidade, assim como tem o direito de ir e vir. A liberdade não pode ser a culpada.

5 – EXCESSO DE FANTASIA FEMININA.

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Tratei rapidamente deste ponto no início do artigo. Muitos homens fantasiam com mulheres que sejam verdadeiras deusas sexuais na cama. Sim, elas até existem! Mas são minoria, pouquíssimas e odiadas pelas mulheres. No geral, homens e mulheres praticam um sexo menos performático e mais sanitário. Nesta insana busca pela Afrodite perdida, muitos homens desistiram de relacionamentos profícuos e cheios de potencial.

A mesma miopia acontece com as mulheres, ou seja, muitas delas inconscientemente buscam o príncipe encantado… Que também existe! Mas é uma minoria inestatistificável, já que contos de fadas e roteiros hollywoodianos pertencem a outra dimensão, que não esta.

Viver buscando o galã dos filmes ou o príncipe dos desenhos animados é como acreditar em James Bond ou em Mr. Grey, personagens irreais vendidas pela mídia, pelo cinema ou pela literatura, em inúmeros tons de cinza. A vida é real e o homem ideal é irreal. Um grande problema é somente acordar para esta bege realidade depois de se ter virado bruxa. Sim, está faltando o homem ideal… Desde a fundação do mundo… Talvez ele esteja numa ilha paradisíaca, escondido com a mulher ideal.

6 – BRIGA PELA LIDERANÇA.

O homem e a mulher ideais não existem na vida real, mas a famosa guerra dos sexos, esta sim, é ridiculamente factual.

Vejo com frequência casais brigando para ver quem terá a última palavra na educação do filho, ou quem tem a razão na escolha do melhor investimento. Debates que, se estendidos, debandam para: quem é mais inteligente, quem manda na casa e por aí vai. Que a mulher manda, já sabemos! Elas têm a força! Pra que entrar em queda-de-braço com o fraco homem? Mulheres realmente fortes e inteligentes fingem que o homem manda, assim consolam o fraco coraçãozinho deles, carentes de respeito e admiração, e assim, todos vivem em paz!

No geral, o homem está ficando intimidado pelas mulheres. Se a coisa não for do “jeito delas”, muitas delas não tem pensado duas vezes antes de protestar, levantar a voz, desafiar e ameaçar.

Os cientistas políticos afirmam que “o poder não deixa vácuo”. Com um homem acuado e fraco, as decisões sobram mesmo para as mulheres, que tem brilhantemente amadurecido como chefes de família, mas, consequentemente, também aberto espaço para um homem que possivelmente permanecerá eternamente na adolescência da vida, já que há quem decida e se arrisque por ele.

O homem está confuso com relação ao seu papel na família e na sociedade, por isso tem decidido pouco, desistido de brigar por suas opiniões, evitado o confronto e permanecido na confortável posição de adolescente perpétuo. Sim… Esta faltando homem no mercado!

7 – REVOLUÇÃO FEMININA.

Não podemos deixar de falar deste grande avanço social: a revolução feminina do século XX.

Se analisarmos as histórias das revoluções, veremos que, sempre após estas, há um grande período conflituoso de reacomodação da sociedade dentro de um novo modelo.

Após a revolução industrial, teve um longo período em que novas teorias e novas leis tiveram que ser testadas para quebrar paradigmas sociais já consolidados por séculos. O equilíbrio veio um século depois. Após a revolução francesa também, houve um grande hiato político até que a França pudesse emergir como potência econômica, cultural e democrática. É sempre assim… Nunca se sabe exatamente o que acontecerá após uma revolução.

A revolução feminina não tem volta. É ilusão achar que elas voltarão para casa para poder abrir vagas de trabalho ou oportunidades para os muitos marmanjos desempregados, e assim a sociedade retornar a um modelo anacrônico, com menos mão de obra, salários melhores e trabalho para todos os pais de família.  Esta revolução é irreversível. Todos os direitos civis masculinos foram conquistados pelas mulheres, os salários para as mesmas funções são iguais para homens e mulheres. Já há uma década elas são maioria nas universidades, maioria nos concursos públicos, maioria no consumo de bens. Elas Já são presidentes de empresas, síndicas e presidentes de repúblicas. Elas revolucionaram e avançaram. Viva as mulheres! O homem terá de buscar sozinho por suas oportunidades profissionais, pois não haverá cotas para eles. Não haverá leis que os protejam. Homens terão de conquistar os melhores postos nas empresas por pura competência e mérito, não por políticas públicas.

Mas há um acalento para as mulheres que estão sentindo falta de homem no mercado: os machos alfa certamente chegarão lá! Muitos continuarão sendo inventivos, competitivos e competentes, e assim, manterão vivo seu espírito conquistador e aventureiro, buscando desafios e conquistando posições de destaque. Todavia, os machos fracos ficarão cada vez com menos espaço no trabalho, na família e na sociedade, consequência de uma seleção natural darwinista, onde um novo ator está também competindo com igualdade de condições. Este novo ator usa batom, salto alto e é bom de briga! Na mesma proporção que está sumindo homem no mercado, está sobrando esta nova, corajosa e forte mulher.

Todavia, sabemos historicamente que, após um hiato, que pode ser longo ou breve, a sociedade se reequilibra após as revoluções. As consequências da revolução feminina invadiram relações amorosas, famílias e sociedade, mas creio que um dia vira uma reacomodação social e este artigo não fará qualquer sentido para nossos netos e netas.

PARTE II – A BÍBLIA FALA ALGUMA COISA QUE SE POSSA APROVEITAR NESTE ARTIGO?

Para quem é intolerante com questões religiosas, o artigo acaba aqui. Para quem crê em vida espiritual e que ela pode se manifestar nas sociedades, o artigo pode ter este segundo capítulo.

No geral, a sociedade tem brigado muito em favor da tolerância. Entretanto, incoerentemente, vem ao mesmo tempo se mostrando cada dia mais intolerante com questões religiosas. Algumas pessoas que já sofreram e conhecem a dor de serem alvo de preconceitos, por vezes se mostram ironicamente preconceituosos em relação a religiosos: um contrassenso absolutamente humano!

Mas, e se pudéssemos filtrar todos os textos bíblicos, o discurso de Jesus, e assim fazermos um resumão? Acho que este resumão seria mais ou menos assim:

“não matem, não roubem, não sejam corruptos, não mintam, perdoem as pessoas, paguem o mal com o bem, ajudem os mais necessitados, defendam os injustiçados e amem as pessoas do jeito que você ama a si mesmo”.

Penso ser consenso de religiosos e não-religiosos que este resumão, uma vez posto em prática, melhorará qualquer sociedade – religiosa ou não.   Infelizmente muitas religiões acrescentaram ao discurso de Jesus coisas pouco importantes, como questões estéticas, além de aspectos preconceituosos. O foco nestas coisas pouco importantes tira atenção das pessoas para este resumão, tão importante.

Se deixarmos o resumão de lado e nos aprofundarmos na leitura dos textos bíblicos, veremos que a Bíblia tem orientações para quase tudo na vida que realmente importa, inclusive para o relacionamento conjugal e para o equilíbrio homem-mulher.

Homem e mulher são diferentes. Diferentes fisicamente, emocionalmente e civilmente. Como lidar com estas diferenças? Os gêneros são diferentes em tantos aspectos… Houve tempo em que as leis davam vantagens explícitas ao patriarcado, em detrimento dos direitos das mulheres… Tempos tristes, vergonhosos, covardes e injustos! Mas mediante justificados protestos feministas, os legisladores reconheceram que isto não estava correto e com o passar de algumas décadas tudo mudou. Atualmente inverteu-se: as mulheres têm mais direitos que os homens, justamente por não serem iguais a eles. As necessidades, ações e as reações de machos e fêmeas são distintas em todo reino animal, incluindo aí os animais racionais.

A – O QUE A MULHER QUER DO HOMEM?

Mulher precisa ser amada para ser feliz e completa e, assim, poder expressar todo seu carinho. Uma mulher que sabe que é amada é segura e tranqüila. Qual mulher não quer beijinhos, mimos, atenção e a certeza que ela é a mulher mais importante da vida do seu homem? Está é uma necessidade feminina muito grande e os homens que a suprem serão mais felizes também, porque mulher satisfeita deixa a casa mais feliz! Conforme ensina a bíblia no capítulo 5 do livro de Efésios, é obrigação do homem ser este cara superatencioso e carinhoso, como se ele estivesse cuidando dele mesmo!  Toda mulher concorda com a bíblia neste ponto, mesmo mediante o protesto de algum homem. Para que possamos confirmar, o texto bíblico diz o seguinte:

“O homem deve amar a sua esposa assim como ama o seu próprio corpo. O homem que ama a sua esposa ama a si mesmo. Porque ninguém odeia o seu próprio corpo. Pelo contrário, cada um alimenta e cuida do seu corpo, como Cristo faz com a Igreja…  ‘É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua esposa, e os dois se tornam uma só pessoa.’ Há uma verdade imensa revelada nessa passagem das Escrituras, que está falando a respeito de vocês: cada marido deve amar a sua esposa como ama a si mesmo.”

B – O QUE O HOMEM QUER DA MULHER?

Homem precisa ser respeitado para ser feliz e completo e, assim, usar todo seu potencial. Homem gosta de ser admirado, elogiado e valorizado. Ele gosta de se sentir ‘o dono da caverna’. Ele quer ao menos pensar que manda na matilha. O homem que é respeitado por sua mulher tanto na vida pública quanto na vida privada, será um homem feliz. Respeito e admiração são necessidades masculinas muito grandes e as mulheres que os suprem serão mais felizes também, porque homem satisfeito é fiel, defende a mulher e a prole com todas as suas forças, deixando a família mais segura! Conforme ensina a bíblia no mesmo capítulo já citado acima, é obrigação da mulher ser esta pessoa que respeita e apoia o marido. Todo homem concorda com a bíblia neste ponto, mesmo mediante o protesto de alguma mulher. Para que possamos confirmar, o texto bíblico diz o seguinte:

“Esposa, obedeça ao seu marido, como você obedece a Deus. Pois o marido tem autoridade sobre a esposa, assim como Cristo tem autoridade sobre a Igreja. Portanto, assim como a Igreja é obediente a Cristo, assim também a esposa deve obedecer em tudo ao seu marido.”

Ao homem cabe dar a própria vida pela esposa. À mulher cabe apenas obedecer ao marido. Mesmo sendo mais fácil obedecer do que dar a vida por alguém, este trecho bíblico causa furor nas filhas da revolução feminina, mesmo que o óbvio seja dito, ou seja, que homem que verdadeiramente ama sua esposa não a maltratará e nem abusará de autoridade, ou que a mulher que verdadeiramente ama um homem, terá prazer em respeitá-lo.

Creio que mesmo a nova mulher (que é estudada, líder, independente, visionária e linda) esteja em busca de um macho-alfa (um homem seguro, educado, qualificado, respeitoso, carinhoso, cheio de ‘pegada’ e forte) que – infelizmente – está faltando no mercado. Creio também que ela usará toda sua sabedoria e inteligência para não inverter papéis, e assim puxar seu próprio tapete.

 

Luciano Maia

Inverno/2014.

 

 

 

O DIA EM QUE DEUS ME FEZ DE MARIONETE.

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Eu era muito jovem e gerenciava uma pequena empresa de telefonia. Uns 25 funcionários. Já se passaram duas décadas ou mais. Numa daquelas tardes atarefadas nas quais o que menos queríamos era atender qualquer vendedor de qualquer coisa, pois as rotinas gritavam nas caixas de entrada, eis que um deles aparece, fala do seu produto e me encanta pelo baixo custo aliado ao grande valor agregado.

Tratava-se de um seguro de vida em grupo para os funcionários. Um seguro bem barato numa época em que seguro era coisa para ricos. Benefícios simples, mas um gordo montante para o caso de morte de algum segurado. Comprei a ideia, a vendi para a diretoria, implantei o benefício em trinta dias e todos ficaram felizes. No mês seguinte um dos melhores e mais jovem funcionário  – algo em torno de 23 anos –  veio a óbito como consequência de um câncer fulminante. Foi um choque. Inacreditável que aquilo tivesse acontecido. Até mesmo a seguradora suspeitou e chegou a enviar um emissário, de outra cidade, para averiguar a veracidade do fato e entregar o prêmio pessoalmente.

Desta forma, tive a oportunidade de conhecer a família do finado funcionário e arrepiei. Sua família resumia-se em sua mãe, a beneficiária do seguro. Uma senhorinha (bem senhorinha mesmo), com cara de judiada pela vida, tal que, pela profundidade das fendas faciais, deve ter tido aquele filho já em idade avançada. Não tinha marido. Não tinha mais ninguém. Tinha ela nada mais que aquele que se foi. Aquele que era seu arrimo e pagava as contas da casa da mãe velha.

O dinheiro que ela recebeu das mãos do emissário – não me lembro quanto – era uma bolada suficiente para sustentá-la por um tempo o qual, suspeito, fosse necessário até que ela eternamente visitasse o filho no mundo que não conhecemos.

Na sede da nossa empresa, numa pequena saleta de reuniões, ela assinava alguns papéis, chorava a morte do filho ao mesmo tempo que louvava ao Deus que não a deixou sem sustento financeiro. Aquilo me arrepiava. Eu percebi que eu era apenas uma marionete em toda aquela estória. Percebi que a decisão de contratar o seguro não foi minha. Percebi que o corretor de seguros havia feito o papel de um anjo ao entrar naquela empresa um mês antes. Percebi que aquela senhorinha crente, com um coque mal arranjado, tinha um Pai Celestial que cuidava dela. Percebi o sentido da palavra SOBERANIA. Sim, fui uma “marionete do bem”.

Naquele dia comecei a entender melhor as palavras de Jesus quando ele diz: “Não andeis ansiosos por coisa alguma. Nem pelo que havereis de vestir, nem pelo que havereis de comer, pois Deus tem cuidado de nós…”

Uma das frases mais repetidas na Bíblia é: “Não temas…”

Não venham me questionar porque Deus permitiu a precoce partida daquele moço. Não tenho esta resposta. Talvez jamais tenha. Contudo, uma coisa sei, Deus não permitiu  que aquela senhorinha, indefesa e só, passasse por dificuldade material maior.

(Não posso deixar de registrar que, pouquíssimo tempo depois, por razões que também não mais me lembro, a diretoria decidiu suspender este benefício…)

Vai entender o amor de Deus…

Luciano Maia

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E por falar em velhice… Um filme que te levará à infância…

 

Minha cozinha, minha vida

Por Simone Maia

Quem me conhece sabe que estou vivendo nova fase de vida. Hoje está ótimo para ilustrar: tarde de 7 de setembro, feriado, sozinha em casa. A filha estudando lááááááá longe, o filho passando o dia estudando para uma prova na casa de um amigo onde dormiu e o marido saiu para estudar também. Nada de amigos por hoje. Ou seja, sobrei. Mas pelo menos desta vez eu estou feliz.

Bem, como o tempo está me sobrando, eu descobri que com mais tempo eu consigo até pensar melhor.

Aí, estava eu lavando a louça do almoço que eu preparei para mim e para o Lu em menos de 10 minutos (é, eu sou ninja na cozinha!) e me veio à mente um comparativo interessante de como minha relação com a gastronomia, minha geladeira, minha cozinha reflete minha relação com a vida.

Funciona mais ou menos assim: quando estou em casa e tenho que preparar alguma coisa para comer, eu abro a geladeira, depois o armário de comida, analiso o que tenho disponível em ambos e a partir daí eu invento o que eu vou fazer. Raramente percorro o caminho inverso de pensar em algo para comer para depois sair com uma lista a fim de comprar os ingredientes – geralmente só faço isso para uma ocasião específica ou mediante pedidos especiais. No dia a dia, inclusive em situações especiais do dia a dia, primeiro eu vejo o que eu tenho e depois eu penso no que posso criar de bem gostoso com o que eu tenho à disposição na minha cozinha.

Na vida, sou mais ou menos assim também, como sou com a minha cozinha. Procuro fazer coisas gostosas a partir do que tenho disponível. Raramente fico idealizando fazer algo cujos ingredientes não tenho à minha disposição.

O primeiro exemplo que me foi marcante é data do ano em que fui morar nos Estados Unidos como intercambista. Eu saí de uma cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, onde eu era uma mocinha completamente independente com uma vida social bem agitada, e fui morar no interior da Flórida, onde não havia sequer meio de transporte que pudesse me levar e trazer para qualquer lugar. Em pleno tédio, comecei a transformar as coisas rotineiras em diversão. E tudo passou a ser interessante: ir ao supermercado (antes eu odiava ir ao supermercado), andar de bicicleta, visitar a host mom no trabalho (e ela trabalhava no hospital, véi!?), montar quebra-cabeças, bordar (bordar?), malhar (malhar? Como é que isto pôde um dia ser divertido?)… Enfim, consegui viver feliz com o que estava ao meu alcance. E fui de fato muito feliz durante o meu ano de intercâmbio.
Ao longo dos anos, tenho passado por altos e baixos. Altos bem altos e baixos bem baixos. Tirar proveito dos itens à minha disposição nas alturas foi bem fácil. Mas enxergar a felicidade disponível no baixo foi um desafio incrível. Nos períodos de carestia na vida adulta, descobri que o dom de criar a partir do que há disponível é na verdade uma característica infantil que se perde pouco a pouco na medida em que o tempo passa para nós.

Mas para a minha felicidade, ainda hoje consigo, na maioria das vezes, viver com o que tenho.

Não seria certo eu dizer que simplesmente me contento com o que tenho. Isso tem parentesco com a mediocridade e eu tenho um problema com ela. O que eu consigo, na maioria das vezes, é encontrar felicidade no momento presente, mesmo quando estou a caminho de algo a ser conquistado. Uma vez me disseram que eu sou engraçada porque o melhor é sempre aquilo que eu tenho! Hahaha! Mas é óbvio! Se isso é o que eu tenho, isso é o melhor. Sobrevivência pura. E para sobreviver, cada um encontra seus meios.

Na verdade, me considero uma pessoa muito sonhadora. Mas sou uma sonhadora realista (isso existe?) e sempre estabeleço novas metas a partir dos estágios que alcanço. Sempre fui assim. Sonho e persigo. Alcanço e planejo de novo. Mas, na maioria das vezes, consigo curtir o caminhar, a construção, a conquista. Quando falho em reconhecer que o que tenho hoje deve me bastar, luto com a orientação de Jesus naquele verso bíblico que nos orienta assim: “não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” (Mateus 6.25). Haja fé!

Não quero aqui dizer que eu sou muito legal ou especial porque na maior parte do tempo eu tenho esta habilidade. Quero apenas compartilhar algo que considero ser uma estratégia para curtir a vida, uma espécie de pílula do contentamento. Por que eu vou ficar planejando comer filé com fritas quando só tem alface e peito de frango na minha geladeira? Vou procurar uma receita de peito de frango e curtir com alface, ué!
Ah! Acabei de me lembrar como aprendi a fazer macarrão ao alho e óleo: estudante universitária, república, 10:30 da noite, aproximadamente, chego da biblioteca morrendo de fome e com zero de dinheiro. Abro a geladeira, encontro alho. Abro o armário encontro um pacote de macarrão. Mais NADA! Penso: já ouvi falar num tal de “macarrão ao alho e óleo”. Como óleo sempre tem mesmo, o resultado foi ótimo! Voilà!

E assim tem sido: com filhos pequenos, abracinhos que me fazem sorrir. Com filhos grandes, colo livre para os livros. Com o marido, beijos. Sem beijos, com expectativa. Com sol, churrasco no quintal. Choveu? Barulhinho de água na janela da sala de TV! Com dinheiro, restaurante. Sem dinheiro, o aconchego da minha cozinha. Uhmm! Vamos ver o que temos aqui na geladeira…

Brasília, 07 de setembro de 2011.

 

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Agora dois filmes publicitários que satirizam o fato de a maioria dos homens não serem tão talentosos na cozinha…

 

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