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Ganhei coragem.

Por Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo… Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou… Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos… E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre…“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo… Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia – são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o VolkswagenVolk, em alemão, quer dizer “povo“…

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos… Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol…). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção…“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

 

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E por falar em coragem, para mostrar os bastidores da publicidade, o Mc Donalds precisou de muita coragem…

 

Evolucionismo e Criacionismo (ou debate político?)

Uma amiga me enviou esse vídeo da candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva. Em entrevista a editores da IstoÉ, ela falou sobre ciência e religião; mais especificamente, sobre três assuntos: a pesquisa com células-tronco embrionárias, o criacionismo e o ensino de “alternativas à evolução” (leia-se criacionismo e DI) nas escolas.

…Acho que ela se saiu bem no vídeo. A primeira pergunta tentou estabelecer aquela falsa dicotomia entre ciência e religião, como se todo cientista fosse favorável às pesquisas com embriões (o que é mentira) e como se todo religioso fosse contrário às pesquisas (o que também é mentira). Marina deu uma resposta bem clara: não é questão de religião, e sim de ética. É a ciência, e não a religião, que determinou o status do embrião como novo ser humano, com um código genético único. É partindo desse status que os cientistas devem tomar decisões éticas.
Marina é integrante da Assembleia de Deus, e não sei se essa denominação tem alguma posição oficial acerca do criacionismo, o que justificaria o uso do termo “dogma” por parte da jornalista (se bem que tradicionalmente o jornalismo usa muito mal o termo “dogma” quando o assunto é religião). Achei que na segunda pergunta a candidata foi um pouco mais escorregadia, afinal a questão não é se “99% dos brasileiros” acreditam em um Deus criador; o que diferencia um criacionista é que ele tem uma visão particular sobre como se deu essa criação. Mas o seu comentário sobre a fé não se justificar pela ciência, e sobre a ciência não precisar da chancela da fé, é perfeito.

Já na terceira pergunta, se o episódio se deu exatamente como a candidata descreve, só posso lamentar que a coisa tenha sido distorcida assim. O Reinaldo Azevedo, que também não morre de amores pela Marina, já previa que ela seria vítima de um bombardeio do “politicamente correto” por causa de sua posição sobre certos temas. Vai saber se essa discussão sobre o criacionismo na escola foi reflexo da “blitz midiática”… curiosamente, a própria Sociedade Criacionista Brasileira é contra o ensino do criacionismo nas escolas, como me disse o biólogo criacionista Tarcísio Vieira em uma entrevista.”

Contribuição: Márcio Campos, do Tubo de Ensaio.

Por que o justo sofre?

A vida de Jó sempre me fascinou.
Existem muitos aspectos de sua existência que podem ser analisadas e discutidas, mas tem uma coisa que me chama muito a atenção: Porque o justo sofre?
Nos é contado que Jó era o cara mais temente ao Senhor em toda a face da terra! Uau!!! Mereceria o Oscar de Melhor Bonzão! Ou o Nobel da Bondade Eterna!

Jó é descrito como um cara próspero, rico mesmo, mas que não punha o seu coração nas riquezas. Um cara que se preocupa com a família. Orava e fazia sacrifícios pela família, ajudava os necessitados, se afastava do mal e tudo o mais que todos nós gostaríamos de ser e de fazer mas que não somos e nem fazemos. Jó era o “orgulho” de Deus!

Mas Jó perde tudo, todos os bens, todos os filhos, todos os empregados. Fica pobre porque Deus deixa Satanás tocar o terror na vida dele. Tudo o que Jó disse para a vida foi o seguinte: “Eu vim pelado a este mundo… Vou voltar pelado de onde eu vim. Deus me deu as coisas, Deus me tirou. Louvado seja Deus”

Finalmente, perde também a esposa e a saúde e vira um escândalo público: “Coitado do cara…”, alguns diziam. Outros ainda:
“_Há! Mereceu! Sempre achei ele um cara metido”;
“_Nossa, Deus é justo, porque este Jó era muito chato”;
“_Aposto que Ele é um pecador e está colhendo os frutos dos seus erros: Lei da ação e reação… ”; “_Deus é justo. Tem pecado aí”;
“_Agora ele está tomando uma lição da vida. Bem feito”;

Nossa… quantos “amigos” Jó tinha!

O ser – humano tem disto, muitas vezes nos alegramos com nossas vitórias, mas muitas outras nos alegramos com as derrotas alheias, sentimento fruto da maldade humana. A inveja é mesmo uma m…

O que foi que Jó realmente fez para merecer o seu infortúnio? A estória nos conta que nada, além de ser muito bom! Se Jó não fosse lá tão bom assim, Deus não o perturbaria, mas não deixaria que o mal o tocasse. Mas… Jó era bom. Um homem bom e Deus sabia que Jó, mesmo ante os infortúnios da vida, jamais O negaria, ao contrário, Jó não amaldiçoaria Deus jamais, posto seu coração não estar nas coisas, mas em Deus.

Para Jó o que importava era ter Deus no coração e não dinheiro em conta corrente ou saúde para dar e para vender na promoção. Satanás acusou Jó de somente amar Deus em razão da boa vida que ele tinha. Deus pagou pra ver: “Satanás, pode tocar na vida dele á vontade. Você vai ver que o coração de Jó, Satanás, não está nas coisas que a vida concedeu de bom a ele, mas o coração Dele está no que é eterno”. Sim, Jô amava deus acima de todas as coisas.

A estória nos conta que Jó sofreu muito e morreu sem entender o que havia acontecido na vida dele, mas, mesmo sem respostas, jamais negou Deus.

Teve um período da minha vida em que me sobreveio doença e infortúnio, não como Jó, mas num grau muito inferior ao sofrimento deste personagem. Lembro-me que eu me perguntava porque Deus estava permitindo aqueles acontecimentos… Nunca obtive respostas claras de Deus. Contudo, muitas pessoas tinham suas opiniões claras sobre o meu caso, mesmo que díspares entre si. Até hoje não tenho respostas claras, apenas pistas. Uma coisa sei, um dos resultados foi o fato de Deus ter me tornado um pastor. Deus faz costuras que nem suspeitamos. Se este foi o único objetivo, creio que tenha valido a pena.

E meio ao meu sofrimento, lembrava de Jó e pensava: Se minha vida a Deus pertence, que Ele faça dela o que achar melhor.

Não vale à pena reclamar da vida.

No final da vida, Jó diz o seguinte a Deus: “Antes eu conhecia você de ouvir falar, mas agora de andar com você”. Vamos voltar à pergunta inicial: Porque o justo sofre? As razões podem ser muitas, mas a dor amolece o nosso coração e sempre nos transforma numa pessoa melhor e mais humana, mais sensível ao sofrimento alheio e menos arrogante.

Eu tenho muito ainda o que aprender, mas uma coisa eu sei: Deus é soberano sobre todos os acontecimentos da nossa vida e o que quer que ainda me aconteça nesta vida, somente me transformará numa pessoa menos pior.

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Por falar em sofriemento, o serviço militar já foi sinônimo de sofrimento para muita gente. Eu mesmo me lembro do terror que foi pra eu conseguir uma “dispensa” há 25 anos atrás.

Para quem acha o serviço militar um sofrimento, lá vai um vídeo bem engraçado!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=u1Et2iAptiY]

Prazer! Muuuito prazer…

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Quando se fala em “prazeres” no contexto religioso, imediatamente o senso comum vincula esta palavra ao pecado. Afinal, são anos e anos, catecismos e catecismos, sermões e sermões, por meio dos quais se sedimentou a fixa idéia que prazer é algo carnal, e, portanto, pecaminoso, reprovável e que religião, ou Deus, é algo duro, rígido e, assim, a antítese do prazer!

Carne é pecado!

Neste contexto, se queremos prazer, fugimos de Deus, pois entendemos que uma coisa não anda de mãos dadas com a outra. Seguindo a mesma percepção, se queremos nos aproximar de Deus, tentamos largar de lado o que nos dá prazer, mesmo que hipocritamente.

Carne é pecado?

Ao se seguir à risca este raciocínio, a humanidade ocidental criou um tipo de religiosidade atrofiada que tem adoecido a sociedade por séculos e afastado as pessoas de qualquer relação honesta com o Criador.

Isto posto, na lógica que todo prazer é pecado, bem como que “carne é pecado”, podemos inferir duas suposições:
• Ou foi o diabo quem criou a carne (o corpo e todos os prazeres relacionados a ela);
• Ou Deus é um sádico, que criou a carne e seus prazeres para fazer o homem sofrer de culpa (morrendo de medo ou de Deus ou do inferno).

Mas, se “Deus é bom”? Como pôde Ele ter criado o prazer? Só para nos causar medo e insegurança quando perto Dele, ou Dele nos afastarmos por culpa? Este é o arquétipo de um Deus bom, ou de um Deus mal?

A religião cristã é douta em meter medo. Aliás, muitos pastores e padres parecem estar contando estórias de terror quando falam deste “Deus de amor” que castiga e mata. Não são poucos os que seguem uma religião não por amor a Deus, mas por medo de Deus (ou em última instância, por medo do Diabo, funcionário de Deus).

Isto tudo é doentio! Mas se você está chocado com o que leu até agora, gostaria que você se desse a chance de ler o artigo até o final.

JARDIM DAS DELÍCIAS

A palavra Éden significa Jardim das Delícias! Se fosse só um jardim, já seria uma delícia: jardim é algo que dá prazer… Aromas, pássaros cantando, lindas flores, sol na pele e a doce fruta fresca apanhada no pé… Todos os cinco sentidos carnais (dados por Deus) sendo massageados… É o apogeu do prazer! É a carne (físico) alimentando a alma (emoções). Contudo, não era apenas um jardim, mas um de-li-ci-o-so jardim. Cheio de delícias! Um Éden!

Não foi o diabo nem o homem quem criou todos estes prazeres! Ali também tinha sexo! E, para o escândalo dos religiosos, era ao ar livre!

Conforme o relato do texto no Gênesis, o pecado original não tem nada a ver com sexo. Também não tem nada de original, pois tem a ver com desobediência a Deus e vaidade: os dois pecados que, paradoxalmente, continuam levando os religiosos para fora de uma vida de prazeres.

Fazer o que Deus nos pede não nos tira os prazeres da vida. Mas não seguir as orientações de Deus é que nos trará sofrimentos inúmeros, nos limitando uma vida de prazer.

PRAZER SEXUAL

Não! Deus não criou a relação sexual apenas para procriação, mas também para nos dar prazer! Sexo bom é sexo que dá prazer! Se você não tem prazer na relação sexual com seu cônjuge, aconselho os dois procurarem um médico ou um terapeuta. Se Deus não quisesse que houvesse prazer sexual, simplesmente não teria criado o clitóris: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era tudo muito bom!”

“Por isso Sara riu por dentro e pensou assim: — Como poderei ter prazer sexual agora que eu e o meu senhor estamos velhos?” (Gênesis 18:12). A lógica é simples: se Sara não tinha mais prazer sexual com Abraaão porque estava velha, significa que sentia prazer antes, quando era nova.

“Como você é linda, minha querida! Como você me dá prazer!” (Cantares 7:6). Esta é uma frase bíblica que deveria estar na boca de todos os cônjuges…

PRAZER EXISTENCIAL

O Espírito Santo de Deus inspirou o Rei Salomão a escrever na Bíblia o seguinte:
“Assim, eu compreendi que não há nada melhor do que a gente ter prazer no trabalho. Esta é a nossa recompensa. Pois como é que podemos saber o que vai acontecer depois da nossa morte?” (Eclesiastes 3:22).
Imagine: se trabalhamos oito horas diariamente e este é o nosso principal tempo, quão desgraçada é a pessoa que não sente prazer no que faz? Mais que um castigo, trabalho deve ser uma alegria e um prazer. Se você está profissionalmente infeliz, ore e busque maneiras concretas de mudar este cenário.

Mas Salomão foi adiante, e como um bom filósofo a serviço de Deus, declamou esta ode ao prazer:
“Por isso, estou convencido de que devemos nos divertir porque o único prazer que temos nesta vida é comer, beber e nos divertir. Podemos fazer pelo menos isso enquanto trabalhamos durante a vida que Deus nos deu neste mundo.” (Eclesiastes 8:15).
Sim, isto não apenas está escrito na Bíblia, como se tornou um estilo de vida judeu – um povo festeiro e dançarino, que sempre soube celebrar a vida com suas muitas festas.

Deus já aceitou você (por intermédio de Cristo). Ele aceitou você como é, não você como deveria ser, pois você jamais será como você deveria ser… A verdadeira religião é viver uma vida que agrade a Deus, amando a si mesmo, amando a vida – que é um presente de Deus – e amando as pessoas. Resumindo: Deus quer que tenhamos uma vida que nos dá prazer e que dê prazer para aqueles que conosco convivem:
“Portanto, vá em frente. Coma com prazer a sua comida e beba alegremente o seu vinho, pois Deus já aceitou com prazer o que você faz.” (Eclesiastes 9:7)

“Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.”: Para os religiosos este versículo bíblico de Eclesiastes 2:10 beira a heresia, já que religião e Deus têm estado tão distantes.

EXCESSOS

Creio que muitas vezes os religiosos, quando execram os prazeres, estão querendo na verdade amaldiçoar os excessos. Nesta falta de discernimento, coam mosquitos e deixam um camelo inteiro passar despercebido. No afã de controlar excessos, controlam tudo! Entendo que algumas pessoas são mesmo descontroladas, mas não é o caso de todas as pessoas! Se você não consegue se controlar, não significa que o outro seja assim como você!

De fato, os excessos são mesmo condenáveis. Todo excesso é pecado! Até excesso de igreja é pecado. A Bíblia nos ensina:

Posso beber. Só não devo embriagar-me! (A embriagues não apenas faz mal a si mesmo, como também a todos os que estão por perto, principalmente os familiares.)

Posso comer. Só não devo entregar-me à glutonaria! (Comer muito é um pecado que no meio religioso não é considerado mais pecado. Alguns pastores que eu conheço até fazem competição em churrascaria… Uma carnalidade relativizada e permitida.)

Posso transar. Mas não devo ter um estilo de vida no qual o sexo ocupe uma posição central. (Mais que uma punção biológica, sexo em excessivo pode demonstrar um desequilíbrio emocional-afetivo, um parafuso que está solto em algum lugar da alma…)

Posso me divertir, mas AMAR o entretenimento, AMAR a televisão, AMAR a internet, AMAR o cineminha e colocar estas coisas antes das demais é um caminho ruim… Amor é exagero. Todo excesso é ruim. O mesmo Salomão que nos instiga a viver com prazer, nos adverte que o amor aos prazeres (ou seja, os excessos), são um pecado:
“Quem ama os prazeres passará necessidade; quem ama o vinho e a boa comida nunca ficará rico.” (Provérbios 21:17).
Este versículo não elimina o que Salomão disse antes, mas ele procura alertar o seguinte: excessos empobrecem!

Recebemos uns novos amigos aqui em casa esta semana e foram momentos de muuuito prazer! Minha esposa preparou um salmão espetacular para servi-los e sobrou algumas postas. Agora eu vou jantar este salmão maravilhoso: hora do prazer! Estão servidos?

Luciano Maia

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Madeline Sharafian, uma estudante da Universidade de Artes da Califórnia, acaba de lançar seu curta, intitulado como “Omelette”. O vídeo conta a história de um homem deprimido que, ao chegar em casa, é recebido pelo seu cãozinho que, discretamente, ajuda-o a fazer um omelete. Segundo a autora, o vídeo tem relação com a sua família, que um ajuda a cozinhar e fazer comida para o outro.
Viva com mais prazer!

TALENTO OU DOM ESPIRITUAL? (um estudo bíblico)

Show de Talentos

                                                                                                          1 Coríntios 12:1-11

1.  Talento Natural

Talento: do latim: talentum, do grego antigo: τάλαντον, talanton, significando “escala”, “balança”. Nome de moeda; Rico; Grande e brilhante inteligência; Disposição natural ou qualidade superior; Grande capacidade; Pessoa possuidora de inteligência rara.

CAPACIDADE concedida por Deus a todos os homens indistintamente, com o objetivo de capacitá-los ao serviço à humanidade e à própria realização, na esfera natural.

O Talento Natural pode e precisa ser desenvolvido ao longo da vida.

Pode ou não ser colocado à serviço de Deus. Pode ou não ser colocado à serviço da humanidade. Pode ou não ser colocado à serviço do próprio indivíduo. Pode ou não ser colocado à serviço do bem ou do mal.

2.  Talento Adquirido

CAPACIDADE conquistada e desenvolvida através da perseverança individual, motivada pelas circunstâncias ou pela apreciação do talento natural. O Talento Natural, na maioria das vezes, será superior ao Talento Adquirido. Sua serventia, porém, é igual ao do Talento Natural.

Obs.:   Um indivíduo pode realizar tarefas e/ou desenvolver um Ministério Cristão Evangélico bem sucedido usando apenas seus talentos naturais ou adquiridos (consagrados ou não ao Senhor), sem a intensidade do Dom Espiritual, na dimensão do Espírito Santo.

3.  Dom Espiritual

Dom: Dádiva, presente; Capacidade, habilidade especial que nos é dado por Deus para realizar determinada função; Poder, virtude. Dons (do grego charismatõn) – poderes espirituais dados pelo Espírito aos filhos de Deus.

(1 Pedro 4:10) – Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

CAPACIDADE PERFEITA concedida pelo Espírito Santo aos crentes indistintamente por ocasião do novo nascimento.

Os Dons Espirituais têm o objetivo de capacitar o crente para servir à Deus e à Igreja na esfera espiritual. O crente, por outro lado, experimenta o gozo do Espírito Santo.

A manifestação dos Dons Espirituais não significa, necessariamente, que aquela pessoa ou Igreja é “espiritual”. Para ser espiritual, o crente e a Igreja precisam buscar a maturidade espiritual e o aperfeiçoamento do manejo dos Dons Espirituais.

Todas as Igrejas Cristãs Evangélicas têm todos os dons espirituais de que necessitam (segundo a “multiforme graça de Deus”, já manifestados ou ainda latentes), distribuídos entre os crentes pelo Espírito Santo, de acordo com seu propósito, que é o de capacitá-las a reproduzir o ministério de Cristo. Os Dons Espirituais são imprescindíveis para a saúde espiritual da Igreja, sem o que ela funciona numa perspectiva puramente humana.

Um indivíduo pode pedir ao Espírito Santo que lhe conceda determinado Dom Espiritual, no qual gostaria de ser usado. O Espírito Santo pode lhe conceder ou não.

A manifestação dos Dons Espirituais não depende dos talentos, porém, ambos podem se manifestar em harmonia num determinado momento.

 Resumindo:

O talento é algo natural, o homem já nasce com ele, seja cristão ou não. O dom é dado por Deus, é uma capacidade, habilidade sobrenatural que é dada exclusivamente ao crente para edificação do corpo de Cristo.

Para que servem os dons?

Para a edificação da igreja. Cada cristão tem pelo menos um dom, concedido contínua e gratuitamente para uso da edificação do corpo. A diversidade no corpo não surge por acaso, é planejada por Deus e essencial. por isso não deve existir inveja, van glória, timidez, preguiça ou ambição.

Quais os dons existentes?

Há diversos dons para diversos serviços. Toda Trindade está envolvida no exercício dos dons concedidos. Veja alguns exemplos:

  •  Palavra  (v8) – do grego – logos: é a capacidade de comunicar.
  • Sabedoria. Análise penetrante daquilo já revelado.
  • Conhecimento.  (Efésios 4:11) – E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
  •  Fé (v9) – em grau superior. Vinda do Espírito. (Mateus 17:19) – Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? (Mateus 17:20) – E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.
  • Cura (v9) – dons de curar (no plural): são para diversos tipos de doenças. Apontam para a futura redenção do corpo.
  • Profecia (v10) – transmissão imediata de instruções ou conforto inspirada por Deus. (1 Coríntios 14:3) – Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.
  • Discernimento (v10)
        • (1 Coríntios 2:15) – Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
        • OBS: as manifestações sobrenaturais podem vir de Deus, de Demônios ou da própria pessoa.
        • (1 João 4:1) – AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
        • (1 João 4:2) – Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;
        • (1 João 4:3) – E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.
  • Línguas (v10) – desconhecidas ás vezes misturadas com línguas conhecidas. Geralmente precisam do dom de interpretação.

Existem muitos outros Dons, você já sabe qual é o seu? Deus quer te usar, usar tua vida pra edificação de outros. Ore e busque, você já nasceu com talento, agora descubra o dom que Deus te deu!

  1.  Unção Ministerial

É a DISTINÇÃO ESPECIAL concedida por Deus que marca, separa e capacita alguns crentes para ministérios específicos no Reino de Deus e na Igreja Local, sendo que para isso o Espírito Santo relaciona-se com eles num grau e numa dimensão muito maior.

Estes ministérios específicos estão relacionados em Efésios 4.11, a saber: Apóstolo, Profeta, Evangelista, Pastor e Doutor (Mestre). A medida da unção é diretamente proporcional ao sucesso ministerial, isto é, na capacidade de realizar a obra de Deus.

 5. O Papel da Igreja, pastores e líderes.

5.1 – em relação aos talentos:
1.  Fazer um levantamento dos talentos que há na Igreja local.
2.  Levar os crentes a decidir consagrar seus talentos ao Senhor.
3.  Designar tarefas aos crentes de acordo com seus talentos.
4.  Proporcionar atmosfera adequada para que os talentos sejam usados em ordem e harmonia na Igreja local.
5.  Ensiná-los sobre as diferenças entre Talentos, Dons Espirituais e Unção Ministerial.

5.2 – em relação aos Dons Espirituais:

1. Fazer um levantamento dos Dons Espirituais que há na Igreja Local.
2.  Designar tarefas aos crentes de acordo com seus Dons Espirituais.
3.  Proporcionar atmosfera adequada para que os Dons Espirituais se manifestem em ordem e harmonia na Igreja local.
4.  Ensiná-los sobre as diferenças entre Talentos, Dons Espirituais e Unção Ministerial.

5.3 – em relação à Unção Ministerial:
1. Fazer um levantamento dos crentes que têm um chamado especial ao ministério.
2. Conduzi-los ao seu ministério (treinamento e ordenação).

Café com Deus – Agosto / 2014

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