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EXPECTATIVAS

Não… Não existe mágica!
Não, não existe algo sensacional para acontecer.
Não, não pense que a Copa no Brasil será algo extraordinário e nem que o próximo show da sua banda preferida fará milagres na sua existência…

Tenho visto muitas pessoas da minha faixa etária insatisfeitas. Insatisfeitas com a vida e com o rumo das coisas. Muitas destas pessoas são discípulos e discípulas de Jesus. Pessoas sinceras. Que buscam viver uma vida em harmonia com o vizinho, consigo e com Deus. Porém, pessoas insatisfeitas. Muito insatisfeitas.

Como nos ensinou Carlos Drummond de Andrade:
“Nossa dor não advêm das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.”

O casamento não foi tão bom assim… E agora, o que devo fazer? Em qual farmácia compro “sexo em cápsulas”, “abraços em gotas” ou “paixão tópica”?
A vida profissional não é maravilhosa… E agora? Onde encontrar o “elixir do trabalho sensacional” ou o “perfume da carreira estonteante”?
Meu corpo? Bem, ele está perdendo a guerra contra o tempo e a gravidade. Qual cirurgião está vendendo “pele pêssego de 16 anos”, “seios arrebatadores de 20 anos” ou “barriga extrema anti-gestação”?

As coisas não foram exatamente como eu queria, mas para a maioria das pessoas e na maioria do tempo eu finjo que elas foram muito melhores do que realmente são. Minto para a vida com um sorriso amarelado pelo tempo e pela corrosiva dúvida… E se? E se?

Buscamos mais, queremos, mais, desejamos mais. O carro que nos fez suspirar ano passado não é mais lavado com frequência. Da viagem internacional tão programada e aguardada, que estourou meu cartão de crédito e meu bom relacionamento com o gerente, restaram fotos desbotadas e a dúvida se realmente existiu: “Será que existiu mesmo? Porque hoje não sou mais feliz que antes da viagem?!”.

As coisas não nos preenchem completamente.
Nada nos preenche completamente.
Na busca da felicidade, compramos efemeridades.
Não vamos nos enganar. Nada realmente nos completa integralmente. Somos cronicamente incompletos, posto os nossos sonhos jamais se esgotarem. Vencida uma etapa, já sonhamos com a segunda e nos mantemos incompletos novamente. Num ciclo crônico de buscas.

Salomão fala muito sobre a existência humana e diz que por mais que ele tenha dado prazer à sua alma, ainda viu-se incompleto. Possuiu todas as mulheres que um homem pode desejar. Teve mais bens que todos seus antepassados. Comandou tudo e todos. Teve regalias, muitas. Mas ele concluiu que tudo isto de nada adiantava, pois no fim todos morreremos. Salomão foi de uma simplicidade cruel, dizendo que nós não somos diferentes dos animais, pois apenas vivemos e morremos na ilusão e depois de um tempo, ninguém mais se lembrará de quem nós somos ou fizemos. (Leia este discurso do Rei Salomão no capitulo 3 do livro de Eclesiastes)

A tristeza reside nas expectativas exageradas.
A frustração é filha da expectativa gorda.
A angústia canta louvores à expectativa hipertrofiada.

O que nós esperamos da vida? Expectativas realistas é a melhor fórmula para uma vida emocional saudável. A maioria das coisas que nos entristece ou atormenta são reflexos de algumas escolhas nossas. Escolhemos errado? Lembrem-se, todos tem as mesmas chances de 50% de acerto ou erro. Aliás, quem disse que você errou? Qualquer que fosse a sua escolha, ela traria alegrias e dissabores. Expectativas demais!

Muitas vezes vivemos na expectativa que algo extraordinário irá mudar o rumo das nossas vidas. Não, nada de extraordinário acontecerá porque o principal dos milagres já aconteceu: A sua vida!

Nenhum acontecimento sensacional irá mudar o seu humor ou o seu temperamento. Você sempre será você mesmo. Aprenda a viver com você.

Sim, claro que devemos nos permitir alguns prazeres vez ou outra. Nada melhor que uma auto premiação. É como um “meus parabéns” após um trabalho bem-feito. A única coisa que pode mudar você ou o seu humor é você mesmo, ninguém mais. Uma decisão de curtir o que tem. Rir das decisões que tomou e decidir ser feliz “durante os poucos dias que Deus te dará debaixo do sol”. Não gaste seus dias com emburros, resmungos e cara feia, mas alegrando quem está ao seu lado, aguentando suas ocasionais carrancas. Seja um sol esquentando os corações que cruzam seu caminho. Seja o beijo doce que causa apneia. Seja a palavra sensata. Seja o seu próprio evento que muda a sua história.

Uma forma de viver bem é ajustar as expectativas. Posso sonhar longe, mas não devo crer que chegarei literalmente a Marte. Posso até desejar muito, mas sabendo que não terei tudo. Mediocridade? Não, não se trata de viver uma vida medíocre, mas viver intensamente todas as coisas que possui. Se você tem apenas um pôr-do-sol, curta-o intensamente, pois muitos não podem vê-lo. Se não está dando pra visitar aquele restaurante da moda, baixe a receita pela internet e curta os aromas dos temperos invadindo a sua cozinha, a alegria do barulho do alho estalando na frigideira e as cores sensacionais dos ingredientes… Crie o clima e curta o prazer para você e para quem come com você. Convide alguém para comer com você!

Sim, sonhe! Mas não de forma tão irresponsável que sua vida transforme-se num pesadelo.
Sonhe. Sonhe mesmo! Mas sabendo que a Deus pertence o “realizar”.
Crie uma vida nova a cada manhã. Mas crie expectativas reais.

Nenhum trabalho é excelente demais – todos trarão dias de angústia.
Nenhum cônjuge é sensacional demais – todos eles fedem quando não tomam banho.
Nenhuma casa é linda demais – mais vale calor humano que natureza morta.

Alegria é viável. Salomão diz que o vinho alegra o coração do homem. Salomão teve um discurso por vezes mal-humorado com relação à existência, mas ele foi muito objetivo e direto dizendo que “não há nada melhor para o homem debaixo do sol do que comer, beber e viver a vida regaladamente” (Eclesiastes 3:13), porque “tudo o que o homem construir com muito suor, não ficará para ele, mas para quem ele sequer sabe como administrará tudo o que fez” e que no fim das contas “a suma é, teme a Deus e guarda seus mandamentos, pois este é o dever de todo homem”( Eclesiastes 12:13).

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Matt ficou mundialmente conhecido com a sua dancinha esquisita! Celebridade imprevisível!
Pergunta: Ao viajar o mundo todo Matt buscava felicidade ou fugia da tristeza? O quão mais feliz ele é hoje, que sua cara povoa a internet? Matt foi Matt. Permitiu-se uma escolha imprevisível e deixou um legado cômico, original,mas sobretudo: IMPREVISÍVEL!

OS “CRENTES” E A POLÍTICA: Como isto funciona?

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Este texto não tem a intenção de definir a posição político-ideológica do editor deste website. Ao contrário, considerando o fato de:
a) Sermos formadores de opinião para parte da cristandade brasileira,
b) Estarmos passando por ambiente político denso,
c) Bem como estarmos próximos de período eleitoral,
d) Nosso objetivo é suscitar a reflexão do leitor por meio de subsídios. Boa leitura. Boa reflexão. E chegue às suas próprias conclusões!

OS “CRENTES” E A POLÍTICA: Projeto Político Feito em Nome da Igreja Evangélica ou de DEUS.

“Primeiro, não estamos inaugurando uma Era, não estamos inventado a roda. O que corrompeu e corrompe a Igreja fazendo-a “igreja”, foi exatamente o amasiamento com a Política. Assim, apenas pegue qualquer livro razoável sobre História da Igreja e você verá que quase todas as calamidades “cristãs” nasceram desse casamento entre ideologia política e igreja.

Segundo, quando a igreja entra num projeto político ela nunca o faz em seu próprio nome, pois, para todos, ela é a “representante de Deus” nas coisas da Terra. Embora a “igreja” não seja representante de DEUS, porém, tendo “vendido” esse papel para o povo, não há como separar qualquer de seus atos da vinculação ideológica que eles criam em relação a “Deus”.

Terceiro, DEUS não tem nada a ver com César. Que se dê a César o que ele diz que é dele. E isto é apenas uma estampa numa nota de dinheiro ou numa moeda. DEUS, todavia, não precisa da igreja na política, pois, além de que Seu reino não é deste mundo, a participação da igreja em tais projetos sempre “ideologiza” o nome de DEUS e produz os maiores surtos de megalomania e corrupção dentro da “igreja” e no coração de seus líderes.

Quarto, a própria história raramente dá testemunho de gente crente que, como crente, fez qualquer diferença no processo processo político. Os grandes cristãos que influenciaram o mundo não o fizeram como “cristãos”, mas apenas como cidadãos independentes, vivendo a verdade de suas próprias consciências como indivíduos interessados no bem-comum. Os seres que mais influenciaram politicamente o mundo ou não eram cristãos ou eram cristãos que fizeram e fazem politica em nome do homem, de sua dignidade, mas nunca em nome de DEUS.

Quinto, quem faz política em nome de DEUS faz grande mal ao povo em geral, e, mesmo que seja na ignorância, acaba por pavimentar o caminho da corrupção dos crentes. O ação de Martin Luther King, nunca foi “religiosa”, mas apenas cidadã e humana, botando ele a sua própria cara para apanhar, e sem fazer evocações de sua relação com a “igreja”.

Sexto, só creio que a participação da igreja em qualquer processo político só acontece com saúde, quando não é feita nem em nome da igreja ou de DEUS. Por quê será que a fase de maior poder espiritual da igreja aconteceu até o 4º Século, quando a igreja era perseguida e quando não tinha nem prata nem ouro, mas tinha grande poder no Espírito Santo?

Sétimo. Política é coisa para ser feita pelo homem e em nome do homem, não em nome de DEUS. Quando os “crentes” surtam e creem que salvarão a pátria, em geral o que acontece é que eles arruínam a fé.

Oitavo, só respeito crente na política quando o sujeito não tem entre os crentes a sua única base eleitoral; e, sobretudo, se tal pessoa é capaz de ser cristã sem usar a bandeira evangélica como ideologia de campanha ou como argumento de superioridade moral e ética. Há uns vaga-lumes aqui e ali, mas 99% dos “evangélicos” que aparecem no mundo político, seja como candidato ou seja com pastor-cabo-eleitoral, está dentro do esquemão!

Nono, quem usa o nome de DEUS ou a fé para fazer política-partidária acaba por se tornar um grande corruptor de almas, sem falar que a própria pessoa vai ficando cínica e macerada, a ponto de desenvolver uma total falta de temor de DEUS. Afinal, sabendo o que fazem, com quem fazem e como fazem, e já por tantos anos, só posso pensar que além de não conhecerem a DEUS e ao Evangelho, tais pessoas nem mesmo creem em DEUS; posto que não o temem; pois, caso o temessem, não brincariam com coisa tão séria! Ninguém que convive gostosamente nesse meio preserva a alma em pureza para com o Evangelho!

Décimo, então um cristão não pode se envolver em política? Minha resposta é simples: Sim, ele pode. Todavia, que faça isto como cidadão, com boas propostas, e que sejam para todo o povo. E mais: que não use a “igreja” e muito menos a fé a fim de conquistar eleitorado! E não vote em ninguém que use o Evangelho para se promover politicamente.

Décimo primeiro, você pode imaginar JESUS interessado em eleger ou em posicionar gente dentro das estruturas de poder a fim de adiantar o lado do Evangelho? Tente responder a essa pergunta e você nunca mais terá dúvidas quanto ao que se afirma aqui! A verdade é que o Evangelho de JESUS não precisa de nada disso. O grande poder da verdadeira igreja está em pregar o Evangelho do Reino, com pureza, poder do Espírito e simplicidade.

Décimo segundo, estes que fazem assim, já não creem em DEUS, mas apenas no fato de que o “Senhor tarda”… Há um princípio do Evangelho de JESUS, o qual não necessita de poder herdado dos reinos deste mundo.”

CAIO FÁBIO, com adaptações.
Deus-e-a-política

BOM DIA!

choque

(Transcrevo e-mail recebido hoje de um amigo missionário).

“Desejo a você um bom dia!

Hoje fui a uma cidade do interior de Pernambuco, que fica 220 km de Recife, chamada Pesqueira. Uma cidade pequena, antiga e com muitas igrejas católicas antigas.

Fomos ate lá para conhece dois garotos que o conselho tutelar do município, nos pediu para abrigar no abrigo Casa Esperança, aqui em Recife, onde eu trabalho.

Um dos meninos é de uma família de cinco irmãos, uma irmã de 14 anos, esse menino que fomos conhecer de 12 anos, mais outra mocinha de nove, outra de oito e um garotinho de um ano e sete meses e uma mãe drogada, e um pai ex-presidiário falecido.

Esse garoto se chama Gabriel, eu conversei com ele, tentado conhecê-lo e mostrando quem somos e o que fazemos. Tive na realidade um monólogo, pois quase ele não disse nada, em vários momentos, mas em um tempo desse monólogo, eu pude ver ele chorando e pude perceber que, apesar de estar  vivendo quase uma vida nas ruas, cheirando tinner, não tendo estrutura em casa, a mãe querendo que ele vá para o abrigo, mesmo assim ele demostrou tristeza ao pensar em sair do meio de sua família. Gabriel me disse apenas que não quer ir, mesmo com todos os benefícios que falei que ele teria no abrigo.

Eu fiquei pensando em como a família é peça fundamental nas nossas vidas, e mesmo diante de uma família toda quebrada, a preferência dele ainda é ficar lá.

O outro garoto que fui visitar mora em uma vila na mesma cidade, chamada VILA DO PRESIDIO. Quando cheguei lá entendi o nome; a vila é formada literalmente em frente à porta do presidio municipal e quase todos os moradores são envolvidos com drogas, tanto adultos como crianças, como José Vitor de 12 anos, que fomos conhecer.

Encontramos José Vitor sentando na porta de um bar, com uma garrafa de refrigerante cheia de tinner e ele estava conversando com alguns homens e se drogando.

Ele é um menino alegre, aparência de índio, e quando conversei com ele, apresentei a mesma proposta que tinha feito a Gabriel e ele aceitou na hora e já queria que fôssemos buscar ele dia seguinte. Ele não tem pai e nem mãe, só irmãos já adultos, onde ele um dia dorme na casa de um, outros dias na rua, e assim vai levando sua vidinha de 12 anos na sua orfandade.

A primeira coisa que o irmão dele me disse foi: “esse ai não tem mais jeito”.  Pude ver nele muito desencorajamento no menino, que segundo ele, dá muito trabalho.

Eu voltei dessa cidade muito pesaroso pelas situações que encontramos lá, pois sei que talvez poderemos ajudar a esses dois garotos, mas e os demais irmãos que  ficarão para trás? E aquele bebê de um ano e sete meses? E a adolescente que está sendo obrigada a se tornar mulher e tomar conta da família e até de se prostituir para conseguir grana? Quem vai cuidar? E as demais crianças que estão nas ruas? E o resto de família que fica para trás, quem vai “juntar os cacos”? Para você e para mim eu desejo um bom dia!

O motivo desse meu e-mail? PEDIR SUA ORAÇÃO!  Peço aos amigos e irmãos que orem por essas situações, orem por esses meninos, orem por aquele menina que vai ficar como mãe de quem ela não pariu, orem pelo bebê e orem por nós, que voltamos para casa com sentimento de incapacidade, por não  podermos fazer muito… Obrigado pelas futuras orações e Deus os abençoe.

Para estes personagens reais do cotidiano brasileiro (apesar de  invisíveis para a maioria de nós) não sei como será este dia… Mas a você eu desejo um bom dia.

 

Joberson, Ellyda e Julia Lopes

Missionários

e-mail: jobersonlopes@gmail.com

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Promessas dos homens.

Por: Geziel Madeira

Antes eu fazia promessas. Hoje, mais maduro, aprendi comigo mesmo, e da forma mais dura, que promessas são difíceis de fazer, e cumpri-las exige esforço que muitas vezes não somos capazes de despender; às vezes, não queremos cumprir por causa do nosso egoísmo; outras vezes simplesmente não somos capazes de cumprir. Mas eu não quero falar das minhas promessas. Quero falar de uma que li. Diz assim:

“Quem há entre vós que tema a Deus, e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não houver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” Isaías 50:10

Ora, qual é a promessa? Não preciso explicar, apenas saber. Fico terrivelmente triste com as promessas que hoje são vendidas em muitos púlpitos. Sinto-me como que “rachado” quando vejo o leilão que fazem da palavra de Deus, e das Suas promessas. Sinto-me traído quando percebo que muitas vezes eu fui ludibriado por mirabolantes promessas vindas “do alto”. Promessas que não foram Deus que prometeu, que muitas vezes vi por aí, como: “você nunca passará por isso”, “você será isso ou aquilo”, “você será graaaande”… Ora, qual é o problema da igreja??? Será que não posso chorar com os que choram e me alegrar com os que se alegram? Será que não posso viver os dias de tristeza assim como os de alegria? Será que não posso SIMPLESMENTE SER POBRE? Por que tenho que ser rico? Por que tenho que alcançar um grande cargo, ter um carrão e ter perfeita saúde??? Por que tenho que ser “grande”? Não posso ser apenas o cara que limpa o banheiro, ou a rua, ou alguém que ninguém jamais reconhecerá? Será que no meio desta terra de aflições tenho que viver como rei? Olhem para o espinho de Paulo, olhem para as lamentações de Jeremias, olhem para a tragédia vivida por Jó!!! Será que eu não posso ser simplesmente pó?

Promessas de riqueza, de grandeza, de prosperidade, promessas de saúde e paz. Tudo isso já foi dito. Tudo isso já foi pregado. Não quero falar disso. Quero falar de trevas. Trevas que parece que ninguém quer falar! Você já se sentiu no meio da estrada, e de repente os faróis se apagam? Você via, e de repente é tudo escuridão. Jesus é a minha Luz, mas de repente eu não vejo nada.

“Quando andar em trevas…” A vida cristã não vive só de vôos mais altos do que possamos imaginar. Existem os momentos que você se sente só, e não entende onde Deus está. Mas quem quer pregar que você vai se sentir só no meio da escuridão?

“E não tiver nenhuma luz…” Você foi ensinado a caminhar na Luz. Mas de repente não há mais luz, por mais que você não entenda isso. A luz se apagou, e não conseguimos ver o caminho, até a pouco eu tudo via, sabia o caminho, sabia onde estava indo, mas já não consigo ver onde estou, e nem qual o próximo passo. Tudo ficou confuso. Parece que Deus me levou até o Mar Vermelho, e os carros egípcios estão vindo também.

“Confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” Enfim, para mim, a promessa é essa. Posso não ver nada, posso me sentir a mais perdida das criaturas, caminhei até aqui mas agora nada vejo. Não encontro o meu Deus. Não entendo o que está acontecendo, onde Ele está e, nesta altura do caminho (até onde Ele me trouxe), também nem entendo por quê nada faz sentido. Mas, por mais confuso que pareça, lá no fundo, Ele diz: “Confie em mim, firme-se em mim.” Talvez este seja um lugar de esperar; talvez seja a vez de dar um passo sem ver nada, sem ver onde estou pisando. A resposta, para as perguntas, é confiar. Mais do que tudo, confiar. No invisível, no silêncio, no intocável. Quando as perguntas se tornam profundas, quando os questionamentos se tornam turbulentos, quando não entendo e não vejo nada, a luz se apagou e a voz silenciou. Os sonhos não fazem sentido, a palavra não explica e o coração se inquieta. Nada de promessas mirabolantes. Nada que faça de mim um “herói”. Não tenho promessa nenhuma, mas entendi a promessa de Deus.

Chega das promessas dos homens, basta a promessa de Deus.

“Confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.”

Não preciso de um “final feliz”, apenas preciso de Deus.

 

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Criolo foi o grande nome do VMB 2011. O músico, que mistura “soul” com “rap”,  levou para casa os prêmios de Melhor Disco, Melhor Música e o de Revelação.

Neste clipe da música “Subirusdoitiuzin” (tradução: “Subriram os dois tiozinhos”) ele mostra onde nos levam as promessas fáceis dos homens e o caminho mais curto.

Um clipe que, em minha opinião, merece também um prêmio de “melhor curta-metragem”.

DERSU UZALA, COPA DO MUNDO E JESUS CRISTO.

DERSU UZALA NA COPA.

Human hand sharing food
No futebol “a bola é um reles, um ridículo detalhe” – escreve Nelson Rodrigues, para quem o que interessa é “o ser humano por trás da bola”. O que está em jogo no gramado, portanto,“não é a diversão lúdica, mas a complexidade da existência”. Se for assim, se Nelson tem razão como quer o cronista Joaquim Ferreira dos Santos, então o campeão mundial da Copa já é o Japão, que deu um show de vida lá na Arena Pernambuco contra a Costa do Marfim e, depois, na Arena das Dunas, em Natal, contra a Grécia.

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O Japão perdeu um jogo e empatou o outro dentro do campo, mas nas arquibancadas ganhou os dois de 10 x 0. As imagens reproduzidas nas redes sociais não deixam dúvidas. Enquanto torcedores do Brasil e de outros países se retiravam dos estádios, deixando montanhas de lixo, sem sequer olhar para trás, os japoneses recolhiam discretamente garrafas e copos de plástico, papel, bandejinhas de isopor, latas de cervejas e de refrigerantes, canudinhos, restos de alimentos, embalagens usadas, enfim todo lixo produzido por eles.

Esse gesto civilizatório foi o legado mais eloquente da Copa. Com o exemplo, o japonês ensina ao mundo como tratar com respeito e civilidade o espaço público, como se relacionar com o meio ambiente e com os outros habitantes do planeta. A coleta do lixo, feita em sacos com a imagem impressa do sol nascente, foi uma lição de ética e de cidadania. Lembrei cena antológica de rara beleza do filme Dersu Uzala dirigido pelo cineasta japonês Akira Kurosawa, em 1975, baseado no diário de um capitão russo. Na torcida nipônica – diria Nelson Rodrigues – todos eram Dersu Uzala.
O CHIBÉ REPARTIDO.

O filme conta a história de uma expedição científica do exército tzarista pela bacia do rio Usurri, entre 1902 e 1907, comandada pelo capitão Vladimir Arsenyev, com a finalidade de classificar as espécies existentes nas estepes da Sibéria e realizar trabalhos de topografia. O capitão faz amizade com um caçador nativo, Dersu Uzala, um velho sábio que trata o sol, as estrelas, a água, o fogo, o vento, a neve, as árvores e os animais como pessoas. Tal qual um tcheramoi guarani, ele ouve todas essas “pessoas” que vivem na taiga siberiana – a maior floresta fria do mundo – e conversa com elas.

dersu

Akira Kurosawa vai mostrando como se tece a amizade do capitão russo com o caçador, que lhe serve de guia não apenas pelas montanhas da Mongólia, mas também pelos sendeiros da vida. Depois de uma tempestade de neve, os dois conseguem se refugiar numa cabana no meio da floresta, onde descansam. No dia seguinte, antes de partirem, Dersu, o homem da floresta, abastece o fogão com lenha, separa um pouco de sal e estoca alimentos não perecíveis na cabana. Divide assim o pouco que tem para surpresa do capitão russo, o homem da cidade, que lhe diz:
– Dersu, isso é um desperdício. É inútil deixar mantimentos aqui, nós nunca mais voltaremos a esse lugar.

Quase todo semestre passo esse filme em sala de aula e todas as vezes me comove a cena, quando o caçador, então, explica que não é para eles dois, mas para uma pessoa qualquer, um eventual viajante, desconhecido, que chegue ali cansado e com frio, em busca de abrigo, de calor e de alimento. Compartilhar o pão não necessariamente para retribuir o que eles tinham encontrado, mas pelo prazer da partilha. [Este é um incansável ensinamento do mestre Jesus Cristo]¹.

O capitão russo, um homem de ciência, civilizado, com escolaridade, fica no meio do tiroteio, perplexo e dividido entre, de um lado, o princípio da “farinha pouca, meu pirão primeiro” que ele traz do mundo urbano e, de outro, o preceito do pirão compartilhado, que é único sinal humano de vida, como canta o poeta Aníbal Beça num haicai: “Apenas num gesto / o homem é capaz de vida – / chibé repartido”.
NÃO VAI HAVER LIXO.

A ética da solidariedade, do desprendimento, do pensar no outro está presente tanto no comportamento do velho caçador desescolarizado, que vive no mundo da oralidade e que detém os conhecimentos da vida, quanto na coleta silenciosa do lixo realizada pelos torcedores nipônicos.

O cineasta japonês Akira Kurosawa rodou as cenas de Dersu Uzala em 1974, em condições adversas, depois de haver tentado o suicídio três anos antes, cortando a própria garganta e os pulsos numa forte crise de depressão. Estava desencantado com o ser humano. Nesse contexto, o filme teve o efeito daquele poema de Allen Ginsberg: uma florzinha solitária desabrochando em cima de um monte de merda. É uma reconciliação com a vida, um canto de esperança, que desperta sentimento similar ao provocado pelas imagens dos japoneses coletando o lixo no estádio.

– Eu sou bra-si-lei-ro, com mui-to or-gu-lho, com mui-to a-moooor – grita a nossa torcida embalada para a guerra. Resta saber – isso não é explicitado – do que é que sentimos orgulho. Numa sociedade patriarcal como a brasileira, parasitária, tatuada por quatro séculos de escravidão, estamos acostumados a emporcalhar tudo, ordenando que garis limpem nossa sujeira. Nossas ruas com bueiros entupidos e os banheiros e salas de aula de nossas universidades públicas são testemunhas disso. Lá, o exército do “pessoal de limpeza” trava diariamente uma batalha perdida, registrando o rotundo fracasso da escola.

– Somos milhões em ação. Todos juntos, vamos pra frente, Brasil. Salve a seleção! De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão!

Sem patriotadas, o lema dos japoneses, talvez muito mais significativo do que “não vai haver copa”, foi o silencioso “não vai haver lixo”. A corrente nipônica pra frente nos deu uma lição, que já rendeu os primeiros frutos. Na Fifa Fun Fest segunda-feira, em Copacabana, no Rio, turistas alemães, espelhados no exemplo vindo do Oriente, não apenas recolheram o lixo da praia, mas incentivaram outros frequentadores a ajudá-los.

Esse gesto de extrema delicadeza e refinamento, embora solitário, mostra que civilização não é abrir estradas, construir usinas, erguer pontes e viadutos, fabricar aviões, automóveis e robôs, clonar seres vivos. É saber se relacionar com o outro: gente, planta, animal, meio ambiente. É a qualidade dos gestos que torna a condição humana possível. Enquanto houver alguém juntando o lixo e nos deixando envergonhados de nossa imundície, o mundo não está totalmente perdido. Uma florzinha brota no esterco.

Foi um ato singelo, mas que renova nossas esperanças na espécie humana e no futuro do planeta. A bola, efetivamente, é um reles detalhe. Torcida japonesa, por despertar o Dersu Uzala que existe dentro de cada um de nós, domô arigatô gozaimasu.

 

Por José Ribamar Bessa Freire

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4783338E1

Em 22/06/2014. Publicado originalmente no Diário do Amazonas

¹ Comentário do administrador do blog. Não consta no texto original.

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