A ERA DA INCERTEZA.

 

Vivemos em tempos de incertezas. Apenas neste ano o Brasil experimentou a prisão de um ex-presidente da República (o que é uma tristeza, fosse quem fosse este ex-presidente), experimentou o incêndio de um Museu com mais de 200 anos de história do Brasil e experimentos a tentativa de assassinato de um candidato a Presidente (o que é uma tristeza, fosse quem fosse este candidato). Aliado a isto, podemos recordar da crise do abastecimento, como consequência de uma paralisação dos motoristas de caminhão e uma polarização política capaz de destruir famílias e amizades.

A exatos trinta dias das eleições presidenciais, não podemos afirmar muita coisa, se não que é ainda incerto quem será o próximo presidente desta república. Tempos de muitas incertezas no Brasil.

Agora mesmo, estou tomando café-da-manhã numa pousada em Itatiaia, aos pés do Pico das Agulhas Negras. Em minha frente uma linda tapeçaria artesanal da região retrata dois tucanos, ave típica desta serra. Ao comentar a beleza desta tapeçaria, minha esposa diz: “É da Eila Ampula, uma artista muito famosa e valorizada na região. Tenho uma tia que era rica, ela tinha obras de arte e tapeçarias da Eila. Mas infelizmente não mais as tem, pois perderam o dinheiro.”

Eu também já passei pela experiência de não ter dinheiro, depois vir a tê-lo com certa folga, depois voltar e esquecer qual era o cheiro dele, depois voltar a tê-lo novamente, depois morrer de saudades dele de novo…

“Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus, que de tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação”.
1 Timóteo 6:17

O ditados populares são pródigos em expressar com sabedoria o sistema filosófico ancestral de um povo. Há um provérbio certeiro que diz: “A única certeza que temos da vida é que iremos morrer.” Sim, como eu já disse aqui: no fim do filme, a gente morre. E nada pode alterar este roteiro.

Como lidar com as incertezas da vida?

Não precisa ser um teólogo para ler as estórias bíblicas e perceber que um dos temas centrais são as incertezas que a vida nos reserva.

A saga do “povo de Deus” narrada em verso e prosa nos livros do Antigo Testamento fala de incertezas constantes e a necessidade de se fazer o contraponto por meio da fé. Abrãao caminhou na incerteza sobre seu futuro. Assim, apenas pela fé, anteviu seu filho Isaque. Isaque, idem. Jacó viveu na incerteza da morte de seu filho José. O prisioneiro José, nas incertezas frias de um calabouço egípcio, resistiu bravamente, demonstrando inteligência e fé. O fim de sua estória a gente já conhece.

Você e eu não podemos afirmar muita coisa sobre nossas próprias vidas, tampouco sobre o futuro do Brasil. Ante às incertezas, podemos soçobrar em meio à ansiedade e a depressão, ou escolher confiar e descansar no Senhor, pondo nossa esperança não nas circunstâncias nem nas pessoas, nem em nós mesmos, mas depositando toda a esperança em Deus, por meio da fé apenas.

Com as grandes e velozes transformações sociais e tecnológicas pelas quais a humanidade está passando, as incertezas deste mundo, estou certo, somente crescerão, e cada vez mais. O antídoto para mantermos a paz, a tranquilidade e a saúde, é usarmos a fé, ou seja, a certeza de que podemos transpor dificuldades e a certeza que “Deus cuida de nós”.

Nascido numa modesta família de artesãos prussianos e hoje considerado o principal filósofo da era moderna, Immanuel Kant disse:

“Avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar”.

Portanto, conforme Immanuel Kant, um cara muito mais inteligente e erudito que eu, fé é sinônimo de inteligência. Paradoxalmente.

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