ABSTINÊNCIA

Por Simone Maia

Estou sofrendo de abstinência.

Abstinência de controle!

Havia um tempo em que eu cria que possuía o controle de quase todas as esferas da minha vida – filhos, casamento, vida profissional, rotina, saúde. Tolinha!

Mas pelo menos eu achava que tinha o controle e seguia feliz da minha vida controlada!

Hoje, mais madura e ainda tola aos olhos de um sábio há 70 anos na estrada, tenho a CERTEZA de que não controlo absolutamente nada! Até meu peso decidiu, por conta própria, ficar imóvel mesmo quando eu fecho a boca! Não controlo meus filhos que bateram asas do meu ninho, não controlo minha agenda que é de total propriedade dos meus clientes, não controlo meu marido (hahahah! Esse eu nunca consegui controlar!) não controlo o clima seco que está tornando o nosso jardim horroroso, não escolho as empresas onde vou atuar.

Essa certeza da perda do controle que se esvai a cada novo amanhecer tem virado meus dias de cabeça pra baixo, uma vez que os controladores costumam ser os reis e as rainhas do planejamento! Há meses não consigo planejar nada de maneira decente! As mudanças acontecem sem trégua e eu sigo correndo de um estágio a outro de cada mudança, escolhendo às pressas o que preciso deixar para trás, ao mesmo tempo em que vislumbro as novas coisas e circunstâncias às quais posso me adaptar.

Desconfio que essa deriva tem o objetivo claro de me ensinar, de uma vez por todas, que eu “não devo ficar ansiosa com o dia de amanhã. Não devo me preocupar com o que haverei de comer ou vestir. Que devo olhar para os passarinhos e para os lírios do campo e não me preocupar”. Esse tem sido um dos mandamentos de Jesus mais difíceis de obedecer. Sinal da pequenez da minha fé. Da falta de confiança em um Deus que já me deu demonstrações concretas do cuidado que tem por mim em cada detalhe. Sinto que estou fazendo esta lição pela segunda vez. Que pena. Que perda de tempo!

Nunca assisti àquele desenho animado “Frozen”, mas conheço bastante a musiquinha chatinha que repete até cansar (a mim!) a ordem de “Let it go, let it go…”. Ao contrário da chatinha do Frozen, gosto quando o Samuel Rosa do Skank canta animado “Vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser. Estou no meu lugar”…

Deve ser gostoso demais ser capaz de entregar cada minuto do dia nas mãos de Deus, e simplesmente deixar a vida levar a gente! Pra onde a vida quiser. Pra onde o Autor da Vida achar que deve! Ainda não desisti de ser assim.

Sigo buscando.

Simone Maia


 

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