ACEITAÇÃO.

 

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O ser humano e carente! Precisamos de comida, precisamos de roupas, precisamos de casa… Mas além de corpo, somos também alma. Alma e o conjunto de sentimentos, caráter e emoções que moram dentro desta nossa casca. Nossa alma e, talvez, ainda mais carente que nosso corpo. Precisamos de carinho, de afeto, de atenção, de amor… Uma pessoa sem relacionamentos afetivos consistentes ou a presença perene de familiares e amigos, torna-se estéril, fria, por vezes amargurada e doente. Sim, alma sem alimento emocional adoece. Temos que alimentar nossa alma e a alma dos que nos Rodeiam.

Gosto de alimentar minha alma. Como não tive a oportunidade que pessoas a alimentassem o suficiente no transcorrer de minha infância, adolescência e início da juventude, por involuntário ato, E por consequência, desenvolvi o habito da auto estimulação, buscando elementos que pudessem alimentar minha alma carente, faminta, sedenta. Alma sedenta de carinho de mãe, saciando-a no colo de ouras fêmeas. Alma faminta do abraço paterno, saciado nos braços de amigos. Alma carente, como toda alma humana essencialmente o é… Sempre em busca.

Por vezes confundimos necessidades emocionais com necessidades carnais (e vice-versa) e em meio ao nosso pobre discernimento sobre nos mesmos e nosso passado passional inescrutável, nos rendemos a relacionamentos que, nada além, buscam suprir carências afetivas essenciais, sejam da infância, adolescência ou ate juventude.

Vivemos buscando… Uma das principais carências da alma humana, mais que a afetiva, é a por aceitação. Como queremos ser aceitos. Como precisamos que nos aceitem. Como gostaríamos de nos aceitar a nós mesmos, assim, como somos. Como gostaríamos de não sermos culpados por sermos quem somos.

Em nossa alma sopra em algum lugar uma brisa de culpa, que nos faz crer que não somos aceitos e precisamos nos esforçar, ou encontramos elementos de compensação, para que nos aceitem, ou para que nos aceitemos a nós mesmos. De fato, muitos de nós, talvez a maioria de nós, vivemos em existencial busca pela aceitação das pessoas que amamos. E dai surgem as muitas doenças de alma e as muitas sabotagens emocionais.

Conheço mulheres adultas que, pela ausência masculina na infância, são capazes de tudo para suprirem esta carência. Aceitam de tudo. Não por culpa delas mesmas, mas por consequência da vida, tentam suprir este buraco no coração com relacionamentos espúrios ou destrutivos; destemperados. Muitas encontram alívio nalgum macho da espécie que supre o pai ausente, muitas outras jamais encontram este alívio e se culpam… Ou culpam os homens (“nenhum homem presta”) ou, n’última instância, culpam Deus. Carência de mãe é a mesma coisa!

Ilustrei acima por meio do exemplo feminino. Mas com homem não e nada diferente. Não… Posto sermos todos seres humanos, todos iguais, todos carentes, não é diferente com os machos. Um cabeleireiro amigo meu, que é gay, e é uma pessoa sensacional que gosto e admiro demais, me disse uma vez que sua orientação sexual é consequência da ausência paterna em sua infância, a qual ele supriu trazendo para sua alma o amor masculino. Mas ele chegou a esta conclusão já bem mais velho. Contudo, nem sempre a estória é assim…

As ausências emocionais vividas na infância podem nos acompanhar de muitas maneiras, inseguranças, medos, carências, fobias. Mas, este é outro longo papo.

Na busca por aceitação, somos capazes de muita coisa, ate desistir de buscá-la e desistir de viver. Falamos, até aqui,  das carências físicas e das emocionais. Mas, além destes dois elementos que nos formam, temos um terceiro elemento. A tricotomia humana passa, finalmente pelo Espírito. Espírito não é alma (alguns confundem as duas coisas) mas este último é a porção indefinível, incompreensível, intangível, que nos liga, queiramos ou não, ao etéreo, ao eterno, ao universo, que por ser infinito, é uma porção de Deus. Espírito é o que nos permite sentir Deus. Espírito é o canal que nos liga ao Criador, permitindo que o amor Dele e seu divino caráter inundam nossa alma e cure nosso corpo.

Corpo e alma estão abaixo do Espirito. Um Espirito sadio transborda-se numa existência menos incompleta e sacia nossas carências existenciais. A cura para a crônica necessidade de aceitação passa pelo Espirito. Deus é nosso Pai Maior, nosso colo de mãe, nosso peito espiritual. Deus é o Pai que fecunda a mãe natureza. Sem o sêmem divino, a mãe natureza não pode procriar para nos alimentar. Nosso Pai Maior nos aceita como somos. Tanto nos aceita que oferece gratuita remissão. Tanto nos ama e nos perdoa toda desgraça que cometemos conosco e com as pessoas, gratuitamente. Infelizmente as religiões não pregam isto, ao contrário, muitas pregam que temos que ser bons para sermos aceitos pelo divino. Que as leis divinas são carrascas e só evolui (ou se salva) quem merece, ou seja, pregam um deus negociador, um pai que não ama, mas que troca. Um deus muito parecido com a gente: interesseiro e meritocrata.

Quando conseguirmos entrar na dimensão da gratuita aceitação divina, conseguimos não apenas aceitar mais as pessoas como são, nos aceitarmos como somos, como também perdoar nossos pais e mães que não supriram nossas carências adequadamente, deixando buracos existenciais que fedem como latrinas a céu aberto, mas, sobretudo, sobretudo, buscamos nos espelhar no amor doador, e assim buscamos pensar mais no outro e menos em nós, o que permite que não repitamos nos filhos os erros do nossos pais.

Sim, reclamamos das nossas carências existenciais, fruto de criações mal sucedidas, e por vezes, repetimos os erros (ou criamos novos erros) na criação dos nossos próprios filhos. Quando nossa alma recebe a centelha espiritual de Deus, somos capazes de nos aceitarmos, conseguimos entender que já fomos aceitos por Deus e educarmos nossos filhos suprindo-os das necessidades passionais de todo ser humano.

Deus aceita você como você é!

Você não tem que provar nada para Ele!

Aceite-se você também, e viva melhor!

 

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