AINDA SOBRE ESPERANÇA!

Alguém já disse que nós não devemos tirar as esperanças de ninguém, pois pode ser que esta seja a única coisa que ela tenha. De fato, se buscamos viver, somente buscamos porque temos esperança que “as coisas podem melhorar”, sendo que tais “coisas” podem ser definidas como situação econômica, relacionamento conjugal, crise existencial, amor não correspondido, planos frustrados…
Há um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à terra e, com ela, a origem de todas as tragédias humanas. Essa história chegou até nós por meio do poeta grego Hesíodo, que viveu uns setecentos anos antes de Jesus andar pela palestina. De acordo com o mito, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefão dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher. Antes de enviá-la à terra, entregou a ela uma caixa, recomendando-a que jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como discórdia, guerra e todas as doenças do corpo e da mente, porém um único dom: a esperança.
Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa. Neste seu ato, Pandora (assim como sua outra companheira também posta na terra pelo Deus dos Hebreus – Eva) acabou criando uma grande confusão por não obedecer, ou melhor, por ser curiosa demais. Assim, a pequena Pandora abriu a caixinha proibida liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair.

Essa metáfora foi a maneira encontrada pelos gregos para representar, num enredo de fácil compreensão, conceitos relacionados à natureza feminina, como a beleza, a sensualidade e o poder de dissimulação.

Esperança!

 

A esperança continua lá, presa na caixa de Pandora. Assim, ela permanece viva dentro do coração e mente de toda a humanidade: Esperança! O que seria da humanidade não fosse a esperança? As invenções cessariam. Inventos mecânicos, arquitetônicos, farmacológicos, etc. existem somente pela esperança. Quem inventa, o faz somente porque teve, antes do invento, a esperança. A esperança move o coração dos inventores.

 

A poesia… Poesia é fruto também da esperança. Poetas são… Poetas! Poetas estão no mundo quase impenetrável que está num local de difícil acesso para pessoas normais. Este local fica exatamente entre a realidade em que vivem diariamente em seus corpos físicos que sentem frio, fome e medo e uma outra dimensão, perto do céu. Um local mítico, azul, vizinho da eternidade. E por estarem tão pertinho da eternidade, os poetas acreditam que há possibilidade de algo melhor que o hoje. Eles têm esperança. São movidos pela esperança. Esperança que suas penas, letras e versos os levem para mais perto deste paraíso existencial, ou que, ao menos, possam ajudar pessoas a saírem do mundo material para a dimensão deles, onde a vida fica mais azul.

 

É a esperança que faz com que milhões de pessoas acordem pela manhã e se dirijam para seus locais de trabalho, para um dia estafante, cansativo.

 

A Esperança é uma mola propulsora para o homem. Curiosamente, nos evangelhos não há nem um sequer relato de Jesus pronunciar a palavra “esperança”. Jesus não falava de esperança, mas ele falava de certeza. Ele não achava e não cria, mas ele, simplesmente, sabia. Em contrapartida, após os evangelhos, apalavra esperança é citada no Novo testamento dezenas de vezes.
Curiosamente Jesus não pregou sobre a esperança, pois esperança não é coisa de deus, mas coisa de homem. E, na verdade, como esperamos…

 

A esperança tem sido a propulsora da humanidade no que diz respeito às suas questões práticas, mas de forma ainda mais contundente, a esperança tem sido a mola mestra dos místicos, especialmente do cristianismo, pois, para a subsistência do cristianismo, a esperança tem de ser a última a morrer…
Nos filhos renovamos nossas esperanças com relação a este mundo. No filho de Deus renovamos nossa esperança em relação ao outro mundo.
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