ARROGÂNCIA E TOLERÂNCIA.

A intolerância não aponta apenas para a minha dificuldade em lidar com as diferenças de opiniões, mas, sobretudo, aponta para a minha arrogância. Ou seja, considero-me tão certo e justo em minhas opiniões e convicções que o outro é um idiota estorvo, caso não concorde comigo.

Nada de errado em ter opiniões formadas e até querer defendê-las. Entretanto, achar-se o dono da razão e não tolerar opiniões distintas é uma doença da alma: precisa de tratamento.

Sim, o intolerante é um doente social, um psicopata de almas, sobretudo, um fraco. Aquele sujeito tão fraco e que se sente tão ameaçado que necessita emitir firme opinião sobre tudo, falar de tudo e de todos e defender suas teses como uma galinha defende os seus pintos para dar pinta de galo. O intolerante, por medo ou insegurança, veste esta máscara de forte.

Quem não consegue ouvir opiniões alheias sem querer converter tudo e todos, conversar sem impor seu ponto de vista e desqualifica sentimentos e opiniões do interlocutor, além de ser um “desmancha-rodinha” muito mal-educado, é também uma alma aflita, desesperada por dizer a si mesma que é alguém.

Vamos falar de Jesus:

Em seus diálogos ele sempre queria primeiro ouvir. Sempre perguntava. Poucas vezes emitia opiniões, mas, no máximo, dava ao interlocutor pistas para que o outro pudesse pensar e chegar às suas próprias conclusões.
Jesus não impunha respostas prontas. Mas dava aos ouvintes o privilégio da dúvida: a chance de pensar!

Perguntavam: “Tu és o Cristo?”. Ele respondia: “O que achas?”, ou “Tu o dizes!”

Perguntavam: “Devemos apedrejar esta pessoa?”. Ele respondia: “Sim, se a pessoa é culpada, a Lei Judaica diz que SIM, vocês podem apedrejar, mas aquele que NÃO POSSUI ERROS seja o primeiro a tacar uma pedra…”. Jesus obrigava as pessoas a pensarem e a sozinhas concluírem o que fazer ou não.

Jesus não fazia questão de impor opiniões. Ele sabia quem ele era. Ele estava muito acima das opiniões alheias… Ele tolerava a arrogância e a falsa humildade. Tolerava a ignorância e a pseudo-sabedoria.
Há pessoas, contudo, que se consideram tão tolerantes, que inclusive não toleram os intolerantes, convertendo-se, assim, num deles.

E você? Quanto você precisa ainda de subir em sua caixinha de fósforos para discursar opiniões pretensamente perpétuas?

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4 comentários em “ARROGÂNCIA E TOLERÂNCIA.

  1. Antes de tudo peço a AUSTERIDADE de todos, obrigado.

    Ah, finalmente um lugar para eu usar este termo: Agnóstico!
    Não falo do crente não-religioso(não quis dizer herege), mas sim a pessoa que segue a origem da palavra ao pé da letra – o ignorante.
    Maia que me perdoe, mas achei cômico quando inseriu Jesus como o anti-agnosis. O cômico que digo está no ponto em que usas apenas Jesus Cristo como o anti-agnosis e acaba, por ironia, a dizer que o homem Jesus é superior ao ser humano comum. Não digo que exalta o Cristianismo, mas a figura de Jesus Cristo – o gnóstico.
    E além disso, quem garante tais palavras? Não quero ser taxado de imbecil por este comentário, mas é óbvio que boa parte do que foi transcrito aos chamados “livros sagrados” é composto por relatos tardios feitos por posteriores líderes religiosos. A este ponto, brincarei “deste” Jesus e vos digo:
    “Quem é o anti-agnosis para você?”
    Dei-lhes o benefício da dúvida… e a penitência de alcunha “realidade”. Sim?

    “As convicções são inimigas ainda mais perigosas da verdade que a própria mentira.” – Friedrich Nietzsche

    • Mateus,

      a demora na resposta foi minha ausência do país por um tempo.

      Sua análise é ótima e tive que lê-la por ao menos três vezes para poder alcançar sua elevada erudição. Muito bom “conversar” com quem tem mais que nós dentro da mala.

      Vamos “pensar e deixar pensar”.

      Abraço,

      Maia

  2. É um ótimo ponto de vista atigindo diretamente grande parte dos seus leitores.
    A construção de um pensamento faz com que a pessoa crie uma lógica saudável e raciocine mais, perdendo então o hábito de dar respostas prontas e acreditar sempre em uma única verdade.
    Obrigado por esse texto maravilhoso.
    Irei tentar provocar mais dúvidas nos outros do que afirmar as vezes a falsa verdade por duvidar de mim mesmo.

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