BOM DIA!

choque

(Transcrevo e-mail recebido hoje de um amigo missionário).

“Desejo a você um bom dia!

Hoje fui a uma cidade do interior de Pernambuco, que fica 220 km de Recife, chamada Pesqueira. Uma cidade pequena, antiga e com muitas igrejas católicas antigas.

Fomos ate lá para conhece dois garotos que o conselho tutelar do município, nos pediu para abrigar no abrigo Casa Esperança, aqui em Recife, onde eu trabalho.

Um dos meninos é de uma família de cinco irmãos, uma irmã de 14 anos, esse menino que fomos conhecer de 12 anos, mais outra mocinha de nove, outra de oito e um garotinho de um ano e sete meses e uma mãe drogada, e um pai ex-presidiário falecido.

Esse garoto se chama Gabriel, eu conversei com ele, tentado conhecê-lo e mostrando quem somos e o que fazemos. Tive na realidade um monólogo, pois quase ele não disse nada, em vários momentos, mas em um tempo desse monólogo, eu pude ver ele chorando e pude perceber que, apesar de estar  vivendo quase uma vida nas ruas, cheirando tinner, não tendo estrutura em casa, a mãe querendo que ele vá para o abrigo, mesmo assim ele demostrou tristeza ao pensar em sair do meio de sua família. Gabriel me disse apenas que não quer ir, mesmo com todos os benefícios que falei que ele teria no abrigo.

Eu fiquei pensando em como a família é peça fundamental nas nossas vidas, e mesmo diante de uma família toda quebrada, a preferência dele ainda é ficar lá.

O outro garoto que fui visitar mora em uma vila na mesma cidade, chamada VILA DO PRESIDIO. Quando cheguei lá entendi o nome; a vila é formada literalmente em frente à porta do presidio municipal e quase todos os moradores são envolvidos com drogas, tanto adultos como crianças, como José Vitor de 12 anos, que fomos conhecer.

Encontramos José Vitor sentando na porta de um bar, com uma garrafa de refrigerante cheia de tinner e ele estava conversando com alguns homens e se drogando.

Ele é um menino alegre, aparência de índio, e quando conversei com ele, apresentei a mesma proposta que tinha feito a Gabriel e ele aceitou na hora e já queria que fôssemos buscar ele dia seguinte. Ele não tem pai e nem mãe, só irmãos já adultos, onde ele um dia dorme na casa de um, outros dias na rua, e assim vai levando sua vidinha de 12 anos na sua orfandade.

A primeira coisa que o irmão dele me disse foi: “esse ai não tem mais jeito”.  Pude ver nele muito desencorajamento no menino, que segundo ele, dá muito trabalho.

Eu voltei dessa cidade muito pesaroso pelas situações que encontramos lá, pois sei que talvez poderemos ajudar a esses dois garotos, mas e os demais irmãos que  ficarão para trás? E aquele bebê de um ano e sete meses? E a adolescente que está sendo obrigada a se tornar mulher e tomar conta da família e até de se prostituir para conseguir grana? Quem vai cuidar? E as demais crianças que estão nas ruas? E o resto de família que fica para trás, quem vai “juntar os cacos”? Para você e para mim eu desejo um bom dia!

O motivo desse meu e-mail? PEDIR SUA ORAÇÃO!  Peço aos amigos e irmãos que orem por essas situações, orem por esses meninos, orem por aquele menina que vai ficar como mãe de quem ela não pariu, orem pelo bebê e orem por nós, que voltamos para casa com sentimento de incapacidade, por não  podermos fazer muito… Obrigado pelas futuras orações e Deus os abençoe.

Para estes personagens reais do cotidiano brasileiro (apesar de  invisíveis para a maioria de nós) não sei como será este dia… Mas a você eu desejo um bom dia.

 

Joberson, Ellyda e Julia Lopes

Missionários

e-mail: jobersonlopes@gmail.com

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