Com o que você tem gasto suas forças?

Por Ellyda Lopes

Final de semana passado eu e meu esposo fomos ajudar a mãe dele na conclusão da construção de seu novo imóvel . Saímos cedo de casa sabendo que teríamos um dia longo de trabalho, e como experientes que somos em construção (risos) queríamos ajudar no máximo que pudéssemos. Estava ansiosa pra ver como havia ficado a nova “house” de minha sogra, já que considero que tal investimento foi como presente de Deus pra vida dela.

Ao chegarmos em Brazlândia, na casa de minha cunhada, encontramos com uma das tias de Joberson. Conversa vai , conversa vem, chegamos a um assunto que anteriormente havia chegado a nossos ouvidos. A saída dela e de seu esposo do “ministério” da igreja.

Começamos a dialogar e ela iniciou seu desabafo: “ Não agüento mais chamar os irmãos para irem à igreja. Eu não quero isso mais pra minha vida. Eu só quero cuidar da minha casa e do meu marido. Tô cansada de limpar banco de igreja e se eu fizer não tem quem faça!”

Estas foram poucas das muitas outras palavras ditas naquela hora. O ar “ministerial” pra ela estava pesado demais e a desistência se configurava como o melhor caminho para aquela senhora ter paz.

Falei para ela num tom não de crítica, mas de sugestão, que quem sabe ela estivesse cansada não porque tivesse trabalhado muito, mas porque tivesse trabalhado muito em algo que não lhe dava prazer. Ela estava empregando as forças dela em coisas passageiras, como idas à igreja de alguns irmãozinhos na fé e se isso tava enchendo “sua igreja”. Isso foi um dos exemplos que encontrei na prática sobre a questão de gastarmos forças gritando, berrando, correndo, escrevendo e debatendo por aquilo que não nos traz vida e nem motivação pra viver, mesmo que objetivo esteja ligado ao “Reino de Deus”, mas com a AUSÊNCIA do próprio DEUS.

Geralmente trabalhamos nesta vida por coisas. Obtenção de algo lucrativo, rentável, que encha nossa casa e não a esvazie. Que traga aconchego e inúmeros aplausos. Existe um texto no livro de Isaías que trata esta questão e me pergunto se tal escrita se encaixa neste tema. O profeta apresenta no capítulo 55, verso 2, a seguinte pergunta:

“Porque vocês gastam dinheiro com o que não é comida? Porque gastam seu salário com coisas que matam a fome?”

Nunca estudei teologia e muito menos hermenêutica, mas sem levar ao pé da letra deste texto, mas introduzindo-o para o âmbito cotidiano de nossos desgastes, pensei naquilo pelo que muita gente tem investido suas preciosas vidas. Nos últimos anos tenho sido desafiada a tomar decisões não muito “lucrativas” de acordo com a ótica das pessoas que me cercam.

Da minha adolescência tenho como recordações alguns pactos feito por mim com Deus. A escolha do meu curso superior seria para ajudar outras pessoas. Disse que preferiria trabalhar para Deus em primeiro lugar do que para os homens. Naquela época eu só tinha 15 anos de idade. Será que eu sabia o que estava dizendo? No decorrer do tempo vi que muita pessoas que me amam queriam pra minha vida “sucesso, sucesso e sucesso”.

Não há nada demais em pensar em ser bem sucedido nos nossos trabalhos, mas a questão era o que me completava como pessoa. Sempre soube do potencial que poderia empregar em qualquer atividade. Aprender não era problema. Executar poderia levar um tempo, mas um dia faria. Mas fazer o que? De que forma? E nessas minhas andanças por aí descobri que devemos gastar o nosso suor não com coisas, mas com pessoas.

O que nos alimenta como diz em Isaías? Ou seja, o que nos dá vida e fôlego pra viver neste mundão de meu Deus? Muitos de nós realizamos afazeres, mas nem sabemos por que fazemos. Gastam-se horas e horas pra ganhar grana e mais grana, esquecendo do filho que não vê há quase uma semana. No final do mês dizem que fazem isso porque amam as crianças, seus próprios filhos. A moderação passou longe nesses lares! Esforçamos-nos tanto e pra tantas coisas que produzem resultados passageiros.

Eu decidi plantar pro eterno! Eu escolho construir para o bem comum. Pra que a vida dure mais e seja repleta de brilho.

Escolhi me cansar por alguém que poderá ter um futuro com melhor qualidade de vida. Que quem sabe possa comer uma papinha com as próprias mãos devido uma simples e rápida sessão fonoaudiológica que pude oferecer no meu dia de folga. Nunca serei Madre Tereza de Calcutá, mas serei sempre eu mesma aprendendo a dar o melhor de mim onde estiver plantada. Se meu braço alcança e meu coração bate, então é pra lá que eu vou. Gastar-se! Corra, sue! E quando tudo se findar poder dizer: “Acabei a carreira, guardei a fé!”

Aproveitemos nossa força, saúde, ânimo e até mesmo o desânimo por algo verdadeiramente lucrativo. Não pense no retorno, no lucro, apenas invista naquilo que o coração de Deus já investiu e você ainda não viu.

Ellyda Lopes é fonoaudióloga, membro na Igreja Metodista
em Águas Claras e sonha em ser missionária na África.

 
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O bem que eu quero eu não faço Rm7 from Café com Deus on Vimeo.

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