COMO SABER A VONTADE DE DEUS?

Quem vai passar um fim de semana numa pousadinha charmosa no interior muitas vezes está buscando descansar da rotina profissional ou namorar com seu par. Dentre estas duas opções, eu e Simone estávamos juntando as duas. Apesar que a motivação principal foi a primeira. No café da manhã foi impossível não observar na mesa próxima uma jovem mãe que não levantava sua cabeça, mas permanecia com o olhar fixo no smartphone. Enquanto seus dedos movimentavam-se freneticamente para cima e para baixo naquele black mirror, os macaquinhos passeavam pelas vigas do telhado e sua filhinha de cinco anos insistentemente requeria sua atenção. A filhinha mostrava para a jovem mãe os macaquinhos, a filhinha perguntava que horas papai chegava, a filhinha queria saber se iriam ou não para a cachoeira… Enfim, a filhinha estava mantendo aquele comportamento típico de filhinhas de cinco anos. Mas a cada frase da filhinha sua jovem mãe respondia de forma ríspida e até brigando. Não ouvi da mãe uma frase carinhosa sequer. Não houve sequer um comtemplar em conjunto das duas ao cenário campestre dos macaquinhos, que contrastavam fortemente com o cenário da rede social que entrava na retina da mãe. Não vi toque. Não vi olhares. Não vi carinho. Não vi atenção. “Cala boca menina! Não enche! Come esta comida! Já disse que blá, blá, blá…”

 

Outra cena triste de assistir é aquela sensacionalista matéria, feita num asilo, na qual a velhinha responde ao jornalista, dizendo: “Minha filha nunca vem me visitar… Aparece de vez em quando… Meus filhos me abandonaram aqui…”

 

Quem não gosta de criança ou não tem paciência com elas não deveria ter filhos. E quem não gosta ou não tem paciência com velhos? Não deveriam ter tido pais?

 

Ter filhos pode ter sido uma (má) opção para alguns ou até falta de opção para outros. Porém homens ou mulheres, depois de tê-los, devem cuidar e educar – ou seja: amar. Porém não temos a opção de não ter pais pois eles precedem às nossas opções, salvo quando morrem…

 

As pessoas que não mais tem seus pais sofrem ou sofreram pela ausência dos mesmos. Mas creio que pior que perder os pais para a morte, deve ser perdê-los para a vida. Pais que não estão fisicamente enterrados, porém emocionalmente distantes, muito distantes… atrás de uma mesa de trabalho, atrás da tela do telefone, atrás da busca incessante de seu próprio prazer ou seus próprios interesses. O diabo mora no desequilíbrio. Ele ama o desequilíbrio, os excessos: excesso de igreja, excesso de trabalho, excesso de sexo, de farra, excesso de si mesmo.

 

O Senhor, por meio das Escrituras, insistentemente ensina (no Antigo ou no Novo testamento) sobre a importância do equilíbrio. Deus milita em favor da qualidade de vida! A vontade de Deus para sua vida é que você viva de forma equilibrada, e por meio do equilíbrio obtenha felicidade e qualidade de vida.

 

Qualidade de vida esconde-se no equilíbrio! Pois há tempo para todas as coisas – conforme nos ensinou “O Sábio”, em seu livro intitulado Eclesiastes (leia capítulo 3). Ter equilíbrio é dar tempo para todas as coisas. Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir. Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar. Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Há tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz. O que é que a pessoa ganha com todo o seu trabalho? Eu tenho visto todo o trabalho que Deus dá às pessoas para que fiquem ocupadas. Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder. Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus.

 

Qualidade de vida é saber equilibrar o tempo entre si mesmo e os outros. Tempo para ficar numa pousada escrevendo este artigo, tempo para visitar um conhecido doente no hospital, tempo para conversar com a filhinha pentelha que não para de falar um minuto, e quer porque quer dar banana pros macaquinhos. Tempo para visitar a mãe velha.

 

Tempo para fazer muito sexo, sem pressa, sem pânico, sem ter que terminar logo. Tempo para ler a Bíblia e aprender que foi Deus quem criou o sexo não apenas para reprodução da espécie (pois a consciência nos torna uns animais mais chiques que os demais). E se, por acaso, neste tempo de merecido prazer carnal acabar por conceber, tempo também para este novo ser humaninho.

 

E se você alcançar todo este equilíbrio para o qual somos chamados, por favor, me conte o segredo!

 

O tempo (chronos) é um “recurso natural não renovável”. Assim, o uso racional e equilibrado do tempo dará ao usuário maior qualidade de vida e melhor qualidade de morte.

 

Retornando ao início deste artigo, certa vez li um estudo (não me lembro mais onde) o qual relatava que sociólogos queriam descobrir porque determinadas culturas tratavam bem seus velhos e porque outras culturas não cuidavam ou abandonavam seus anciãos. Depois de muito pesquisar, os sociólogos concluíram que as culturas nas quais os velhos eram protegidos, eram justamente as mesmas culturas nas quais também as crianças eram protegidas e bem cuidadas pelos pais. Ou seja, os maus-tratos aos idosos são apenas um troco (consciente ou não) que os filhos dão aos pais. Talvez a jovem mãe do início do artigo será mais uma velha que receberá de volta a atenção que não deu para sua filhinha e, num breve futuro ela dirá a um jornalista: “Minha filha nunca vem me visitar… Aparece de vez em quando… Meus filhos me abandonaram aqui…”. Sim, certamente também existem abusadores que estão hoje abandonados pelos que sofreram abuso deles décadas atrás.

 

Cuidar de nosso pomar existencial dá trabalho e exige muito tempo investido, mas não há outro caminho viável para se obter fartas colheitas amanhã.

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