A CRUZ DE SANTO ANDRÉ

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A placa A-41 faz parte da sinalização vertical de trânsito, e orienta ao condutor sobre uma passagem de nível, ou seja, um cruzamento de linha férrea. Necessariamente o motorista deverá reduzir a marcha, observar atentamente o ambiente, o que inclui a percepção visual e audível, para que não corra riscos e não ofereça riscos à composição férrea.

Essa sinalização é popularmente conhecida como “Cruz de Santo André”, nome recebido em alusão ao apóstolo cristão que, em seu martírio, pediu que fosse crucificado na dita Crux Decussata (cruz em forma de X), por entender que não era digno de ser crucificado da mesma forma como Jesus Cristo fora.

Também reza a tradição cristã que o apóstolo André era irmão de Pedro, portanto filho de Jonas (ou João – João 1:42). André foi um dos primeiros a crer na essência messiânica de Jesus, passando a segui-lo e cumprir rigorosamente seus ensinamentos, sobretudo após a crucificação de Cristo. Como consequência, fundou igreja em Bizâncio (Constantinopla), região hoje conhecida como Istambul, na Turquia, donde é considerado Santo Padroeiro. Enfim, foi realmente um ícone cristão.

Mas retomemos o sentido da Crux Decussata, ou Cruz de Santo André, na simbologia de sinalização de trânsito: pare, olhe, escute, observe, só então prossiga!

Muito embora advirta sobre o perigo gerado pela desatenção, que pode ser fatal, essa placa não é das mais conhecidas pelos condutores em geral. Contudo, ela está lá, invocando uma postura prudente àquele que guia seu automóvel.
E o que isso tem a ver com a nossa vida cristã? Na verdade, tem tudo a ver! É porque temos inúmeras cruzes de Santo André nos advertindo, o tempo todo, para que tenhamos uma vida de paz, ao evitarmos colisões desnecessárias. Uma dessas cruzes está endereçada em Tiago 1:19, 20.

Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.

Sabedoria pura, estratificada e pronta para consumo! Essa é uma valiosa recomendação para diminuirmos o números de colisões a que damos causa, no mais das vezes, resultantes de posturas impensadas que tomamos.

Quantos de nós já não nos jactamos de algum ‘desaforo’ que fizemos, esfolando uma verdade (que às vezes é só nossa!!!) na cara de alguém, desnecessariamente, e mesmo sem que essa pessoa tivesse solicitado o nosso ilustre pitaco?

Quantas vezes deixamos de economizar na carga que utilizamos nas palavras, inflamando um ambiente e causando uma combustão de sentimentos indesejáveis? E depois ainda achamos que a culpa da locomotiva ter passado por cima de nós foi do maquinista, que a conduzia desenfreadamente, e não nossa, que não freamos nosso humilde carrinho, aguardando alguns instantes para sairmos ilesos daquela situação.

Quantas vezes fazemos com que os comentários gentilmente represados a nosso respeito, desaguem em nossas cabeças, simplesmente porque nos arrogamos no direito de dizer primeiro ‘o que eu penso’, ‘o que eu acho’, ‘o que eu julgo’, ‘o que é certo’, ou ‘o que deve ser feito’? Estamos sempre aptos a pautar o mundo, sem compreender que fazemos parte dele e vivenciamos tudo o que damos causa. Vivenciamos também o que não damos causa… mas isso já não é o bastante?

No trânsito da vida, devemos nos manter atentos às placas de sinalização: Pare! Siga! Dê preferência! Limite sua velocidade! Curva perigosa à esquerda! Curva acentuada à direita… Cruzamento de linha férrea! Embora não sejamos capazes de eliminar a possibilidade de nos envolvermos em algum acidente, podemos contribuir bastante para reduzir as colisões de sentimentos, diminuindo os danos físicos, emocionais e espirituais.

Dirija pela vida com prudência e seja mais feliz!

Por Márcio Marques

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