Curtindo a vida adoidado

 

Por  Marco Fabossi

Bronnie Ware, uma enfermeira especialista em cuidados paliativos e doentes terminais, e que cuidou durante muitos anos de pacientes em seus últimos meses de vida, reuniu em seu livroConfissões Honestas e Francas de Pessoas em Seus Leitos de Morte“, os cinco arrependimentos mais comuns das pessoas antes de morrer:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse.
Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e têm de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais.”

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.
Eu ouvi isso de todo paciente masculino que eu cuidei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de seus parceiros. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho.

3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.
“Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, ele se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que eles carregavam.”

4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos.
Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até eles chegarem em suas últimas semanas de vida e não era sempre possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que eles deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Tiveram muito arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades.

5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.
Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso ‘conforto’ com as coisas que são familiares e o medo da mudança fizeram com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo.

Em treinamentos e palestras sobre gestão de tempo costumo fazer a seguinte pergunta aos participantes: “Você é a favor do suicídio?” O meu objetivo com essa pergunta é levá-los à seguinte reflexão:
Qual é a diferença entre “jogar a vida fora de uma vez” ou “fazê-lo aos poucos”? Ambas as maneiras caracterizam suicídio. A segunda é uma maneira mais lenta de cometê-lo, mas é também é uma forma de suicídio. A grande diferença entre elas é que a segunda opção é mais  dolorosa, para nós e para todos os que estão ao nosso redor, nos levando a passar pela vida como coadjuvantes e não como protagonistas, como caronas, e não como condutores, vivendo a vida que outros querem que vivamos, e não aquela que desejamos viver. E no final de tudo isso, quando nos damos conta, a vida já passou.
É por isso que a principal consciência que podemos ter com relação a gestão do tempo é que cuidar do nosso tempo significa cuidar da nossa vida. Priorizar aquilo que é mais importante significa assumir a papel de protagonista da sua própria vida e então vivê-la plenamente.
Portanto, minhas perguntas pra você (e também pra mim) são:

  • Como você tem usado o seu tempo?
  • Você tem priorizado aquilo que é mais importante pra você?
  • Você controla o seu tempo, ou ele te controla?

Para que não cheguemos no final de nossas vidas com estes mesmos arrependimentos:

  • Sonhe. Estabeleça uma visão de futuro, crie metas para sua vida pessoal, profissional e espiritual;
  • Decida. Se você não decidir, alguém o fará por você;
  • Trabalhe, mas não deixe que o trabalho o afaste das pessoas mais importantes da sua vida;
  • Seja você. Não deixe de dizer o que precisa ser dito, seja positivo ou negativo, mas faça-o com amor.
  • Cultive seus Amigos. Inclua em seu planejamento semanal um contato com um grande amigo que você já não vê há algum tempo.
  • Seja Feliz. A Felicidade não está no destino, mas na jornada. Viva cada dia de sua jornada com alegria e amor.
  • Use seu tempo com sabedoria.

 

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Quem foi adolescente nos anos 80 com certeza tem o filme Curtindo a Vida Adoidado como um dos seus clássicos da época. E não é que a Honda convidou Matthew Broderick, o ator que interpretava o adolescente Ferris Bueller na película, para uma espécie de “Curtindo a Vida Adoidado 2”. Só que em vez de virar um novo filme, o convite se transformou em um comercial de TV para promover o novo Honda CR-V.

No comercial, Matthew Broderick interpreta ele mesmo. O enredo é o mesmo do filme de 1986. Broderick finge estar doente e mata o trabalho em um belo dia de sol, ao invés da aula. Em seu “dia especial” ele troca a Ferrari 250GT California 1961 pelo novo Honda CR-V. Será que a troca foi justa?

 

 

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