DEUS MEU, DEUS MEU… PORQUE ME DESAMPARASTE?

Por Rosa Maria Carvalho

Deus meus, Deus meu, porque me desamparaste…

Esse trecho da Bíblia tomou uma proporção tão densa e absurda 

para mim no dia em que, numa experiência aterradora, vi o Senhor afastar-se de mim, numa comparação muito aquém, como uma grande sombra que aplaca o sol causticante se vai. E não tem nada de romântico ou poético nisso.

 

É a encarnação do desespero.

 

Até então quando lia ou ouvia o trecho: Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste? Soava como algo absolutamente teatral.

 

Quando vi Deus se afastar de mim, o desespero do mundo me veio e eu lembro de ter dito: meu Senhor, sem, ti não! Qualquer coisa menos isso: o não-Deus. 

 

Fração de segundo de desespero e de desesperança em estados mais puros!!!!

 

A constatação de que o pior existe e é inimaginável…

 

Então, eu o vi voltar a colocar-se sobre mim.

 

Silêncio; coração desacelerando e eu lembrei da fala de Jesus. Eu a percebi tão cheia de desespero, desamparo, terror, como o que eu sentira…

 

Nesse momento o medo da morte toma outra dimensão: morrer e lá, depois dela não estar Deus. E lá, sem Deus é o fim de tudo, pq, depois de lá, da morte sem Deus, é… o horror de tudo o que se pode imaginar.

 

Nunca mais me senti só, sozinha. Por que eu sei que mesmo Ele estando “calado” ou “quieto”, eu sei que Ele está aqui, com suas asas sobre mim, eu sei com toda a certeza que se é possível ter porque eu já vi como é Ele não estar.

 

(…) porque Tu estás comigo.

 

*densa, absurda, aterradora, desespero, desesperança, desamparo, terror, horror. Nenhuma desses adjetivos é fiel ao descrever a ausência de Deus. Todas são ínfimas, superficiais diante dessa possibilidade. 

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