É BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO?

José tinha vida boa. Preferido do papai. Que sorte ser caçula.

Esta bênção converteu-se em maldição, pois por inveja seus irmãos o venderam como escravo. Que azar ser o caçula…

 

Quantas vezes sua vida já passou por um estrago destes? Um emprego bom se converte num inferno. Uma esposa maravilhosa vira uma bruxa insuportável? Financiou o carro que tanto queria, curtiu muito com ele e hoje não consegue mais pagar as prestações e está com o nome sujo por conta de uma demissão ou pior, por conta de uma falência…

 

Mas José arrumou um emprego bom. Devia ser um garotão bonito e sarado, pois foi trabalhar na casa de um ricaço, que pertencia à corte real.

Alguns escravos o invejavam porque sua beleza abriu portas para ele. Talvez amaldiçoassem secretamente os deuses pela não democratização da beleza.

Gente rica gosta de empregados bonitos! Tanto que a patroa quis que José prestasse alguns serviços extras. O garoto não quis saber daquela coroa e seu castigo foi prisão.

Poxa… José estava numa casa chique num dia, no outro já estava na cadeia. Ele deve ter pensado: “Antes se eu tivesse sido escravo de uma família mais pobre… Nada disso teria acontecido”. Ou pensado: “Deus, porque você não me fez mais feio? Pois esta beleza se transformou em maldição…”.

Sim, até o belo pode ser bênção ou pode ser maldição (ser mulher bonita na Europa medieval era maldição na certa, pois a inveja alheia a denunciaria como sendo bruxa enfeitiçadora de homens: fogueira para as lindas bruxas!)

Após ter sido sua graça, a beleza de José foi a raiz de sua desgraça.

Mas, peraí, a prisão foi sua desgraça ou sua graça? Se José não tivesse sido preso jamais teria tido contato com os empregados diretos de faraó. Na cadeia ele virou amigo do amigo do rei. Bendito xilindró! Por meio destes amigos de cela ele é apresentado ao “cara”, o todo poderoso, faraônico, semideus. Uma desgraça abençoadora.

Suas desgraças são abençoadoras para você? Sim ou não?

E suas bênçãos, já se converteram em situações desagradáveis?

 

No caso de José, a bênção era dele ou de sua família?

 

Para “bagunçar” um pouco mais, vou transcrever este pequeno artigo escrito há oito anos:

 

“Ocorreu-me a quatro anos quando andava pela praia pensando em tudo e em nada: “Sou eu um peão no tabuleiro de xadrez de alguém ou o outro é que é uma peça colocada em meu jogo?”

Muitos pensadores referem-se à vida como sendo um local de encontros e desencontros. Pessoas que entram em sua vida para serem protagonistas, depois saem dela – ou não. Nossa vida – é ensinado por muitos – como sendo um curso no qual pessoas te servirão e você servirá a pessoas. Cremos que assim Deus vai tecendo um lindo tapete que é a nossa vida.

Mas assim questionei: Mudei-me para Brasília para que a minha história fosse construída ou para construir a história de alguém que necessitava de alguma habilidade (ou desabilidade) minha? A Cida é hoje a nossa ajudante lá em casa porque precisamos dela ou é nossa família que é importante na construção da história da Cida? Fui contratado neste emprego para que eu recebesse uma bênção de Deus ou para que meu patrão recebesse uma bênção de Deus? Qual é o fio da meada?

Se a vida for comparada a um tabuleiro de xadrez, podemos comparar as pessoas, circunstâncias e escolhas como bispos, cavalos, torres, reis, rainhas e peões que vamos movendo, conforme nossa estratégia diz que será a melhor jogada, buscando segurança emocional e física, conforto espiritual, sentimentos de realização, felicidade e coisas que consideramos necessárias a nós. Movemos as peças no tabuleiro segundo nossos desejos, punções, fobias, crises, paranóias, necessidades e conhecimento. Tomamos decisões. Por vezes estamos ganhando o jogo, por vezes perdendo. Por um golpe, lágrimas convertem-se em riso e… Xeque-mate!

Concluí que todos somos peças no tabuleiro alheio, sendo que o nível econômico define quem pertence ao tabuleiro de quem. Infelizmente é assim. Não existe igualdade. De maneira quase mesquinha e com vistas aos nossos próprios interesses, muita e muitas vezes movemos as pessoas que estão abaixo de nós como peças em nosso tabuleiro, visando a nossa vitória no jogo da vida. Quando o ser-humano exerce superioridade intelectual, financeira, social ou emocional sobre outro, o considera peça no tabuleiro de sua vida. Mas não devemos nos enganar: Nós também somos peças nas mãos de outros. Todos somos peças! Será que sou um bispo ou um cavalo? E de quem? E para quais fins? Só não está sendo manipulada a peça que já morreu e saiu do jogo.

Jesus compreendia isto muito bem. Ele chamava este tabuleiro de vida e as regras deste jogo de “mundo”. Ele compreendeu que revolução política alguma seria capaz de mudar este cenário, mas ensinou que apenas o verdadeiro amor pensa primeiro no próximo e não em sí mesmo e em seus próprios interesses.

Quando amamos as pessoas de verdade, não as usamos como peças do nosso xadrez, mas as respeitamos e buscamos o melhor para elas.

Amar o amor de Jesus significa jogar não para ganhar, mas viver para empatar o empate da Graça. Mover as peças não para o buraco, mas entender que as pessoas que passam em nossas vidas devem em primeiro lugar serem servidas. Se eu primeiro me sirvo das pessoas-peças, estou sendo um jogador mundano e não tenho conversão.

Conversão é não querer ganhar, mas deixar que Deus mexa as peças.

Pois, no fim das contas, esta partida tem um juiz – que não gosta de jogo roubado.”

 

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