EU NÃO TENHO QUALQUER TALENTO.

Deus não quer de você absolutamente nada além de suas forças ou possibilidades, também, Ele não quer de você nada aquém daquilo que você pode ofertar. Deus é justo. Deus é bom. Deus é coerente.

Tem aquela parábola dos talentos, onde Jesus conta que um patrão, antes de uma longa viagem, confia nas mãos de três de seus funcionários alguns talentos (no caso, foi dinheiro). Ele deixa para cada um uma quantidade diferente, conforme aquilo que ele sabia ser a capacidade de cada um deles. Os dois que receberam quantia maior negociaram o dinheiro de formas diferentes e fizeram com que os talentos se multiplicassem, mas o que recebeu menor quantidade, receoso de perder aquilo que tinha ganhado, “enterra” o talento que foi a ele confiado.

No retorno do patrão, ele pede contas aos funcionários, ao que cada um devolve o dinheiro recebido mais os lucros que foram auferidos nas transações. O patrão fica satisfeito e os elogia e os retribui com honra e remuneração. Mas aquele que recebeu pouco, devolveu a quantia exata. O patrão não o elogiou pela honestidade de ter devolvido, mas o repreendeu, por não ter, no mínimo, emprestado à juros e assim ter mais do que antes. Este funcionário honesto e medroso, foi reprovado e castigado.

Deus age exatamente assim com a gente. Ele tem nos dado talentos. Cada um de nós temos recebido de Deus talentos conforme nossas forças e possibilidades. Ele não dá mais a quem pode pouco, nem dá pouco a quem tem muita energia. Mas Deus é conhecedor da capacidade de cada um, e a cada um distribui talentos para que os usemos na construção do Reino de Deus.

Todos nós que servimos à Jesus somos participantes na construção do Reino de Deus. E todos nós recebemos algum, ou alguns, talentos para podermos negociar e aumentar o Reino.

Tenho um amigo que é pastor de uma igreja gigante em São Paulo. Não sei se a igreja é gigante porque ele tem muitos talentos, ou se Deus colocou ali uma pessoa de muitos talentos porque aquela igreja seria gigante de qualquer forma. A Igreja é de Deus, e Ele coloca para tomar conta dela pessoas conforme a capacidade de cada um. Ao mesmo tempo, eu sou um pastor de poucas ovelhas. Certamente que Deus sabe das minhas limitações, e não me entregou muitas almas. Mas, tanto de um, quanto de outro, Deus vai pedir para prestar contas um dia, e cada um deverá devolver o resultado do trabalho conforme suas possibilidades. Não será exigido muito de quem pouco recebeu, mas será exigido retorno, conforme a capacidade de cada um.

Mas, ai quem enterrar os talentos recebidos.

Percebam que existe no processo da construção do Reino duas ações complementares, uma transcendente e outra imanente. Sem estas ações distintas não há Reino. Não há Reino de Deus sem os homens. Não há Reino, sem Deus. A ação transcendente capacita o homem com talentos, mas a ação imanente coloca (ou não) os talentos em ação, à serviço do vizinho, do colega de trabalho, da instituição igreja, da Igreja não-institucional, da sociedade como um todo… Enfim, daquilo que somando tudo podemos chamar pelo mesmo nome que Jesus chamou: “Seara”.

“A seara (plantação) é grande, mas poucos são os trabalhadores. Orem ao dono da seara (Deus) que mande mais trabalhadores para a colheita”. Sim, falta gente para colher. Não faltam braços. Não falta tempo. Não faltam pernas. Não falta carro. Não falta dinheiro… Falta força de vontade. Falta a consciência do Reino. Falta entender que dar é melhor que receber. Falta sair do facebook. Falta telefonar para o colega, descobrir que ele está com algum problema e se dispor a ir até ele apenas para dar um abraço e emprestar o ouvido. Falta falar do amor de Deus aos que estão (ao alcance de suas mãos) aflitos, cansados e sobrecarregados. Faltam pessoas dispostas a serem trabalhadores desta grande colheita.

No caso da igreja institucionalizada, falta gente para ser tesoureiro de igreja, gente para ser gestor da coisa coletiva. Falta gente que tenha a iniciativa de sair da posição de consumidor para a posição de fornecedor: fornecedor de abraços, de tempo, de mão-de-obra (mesmo que pouquinha), de atenção na construção do coletivo. Faltam discípulos. Oremos ao dono da plantação para Ele enviar mais trabalhadores para esta colheita. Seja você hoje a resposta de suas orações.

Deus deu para cada um ao menos um talento, ou alguns talentos: dons, habilidades, capacidades. A construção do Reino Dele se faz não por meio de anjos invisíveis (transcendência), mas por meio de você, alguém que pode fazer a escolha de ser um anjo visível (imanência).

Quais são os talentos que você pode desenterrar hoje?

Sem querer fazer aquele papel horrível de profeta apocalíptico (não gosto de meter medo em ninguém) mas, se prestarmos atenção às palavras de Jesus nas duas versões da Parábola dos Talentos, veremos que, ao final, quem, por preguiça, medo ou conveniência, nada faz com os poucos talentos recebidos, não terá um final muito feliz.

(Uma perguntinha básica: quem preparou e quem pagou este café que você está tomando?)

Deus não quer de você absolutamente nada além de suas forças ou possibilidades, também, Ele não quer de você nada aquém daquilo que você pode ofertar. Deus é justo. Deus é bom. Deus é coerente. E você? Você é talentoso. Graças à Deus!

 

Luciano Maia

 

 

 

No Evangelho de Mateus:

«Pois é assim como um homem que, partindo para outro país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. O que recebera cinco talentos, foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi-se e fez uma cova no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito, entra no gozo do teu senhor. Chegou por fim o que havia recebido um só talento, dizendo: Senhor, eu soube que és um homem severo, ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu. Porém o seu senhor respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e que recolho onde não joeirei? Devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, teria recebido o que é meu com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem, ser-lhe-á tirado. Ao servo inútil, porém, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes.» (Mateus 25:14-30)

 

No Evangelho de Lucas:

«Disse, pois: Certo homem ilustre foi para um país longínquo a fim de obter para si o governo e voltar. Chamou dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até eu voltar. Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este homem nos governe. Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do governo, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro a fim de saber como cada um havia negociado. Apresentou-se o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom, porque foste fiel no mínimo, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este respondeu: Sê tu também sobre cinco cidades. Veio outro, dizendo: Senhor, eis a tua mina que tive guardada em um lenço; pois eu tinha medo de ti, porque és homem severo, tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, pela tua boca eu te julgarei. Sabias que sou homem severo, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que, pois, não puseste o meu dinheiro no banco? E então na minha vinda o teria exigido com juros. Disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. Responderam-lhe: Senhor, este já tem dez. Declaro-vos que a todo o que tem, dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, até aquilo que tem, lhe será tirado. Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu os governasse, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.» (Lucas 19:12-27)

 

 

 

 

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