MÃE, ONDE ESTÁ O MEU PAI?

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Há duas décadas eu pude sentir “na pele” e na alma tudo o que a paternidade pode significar para alguém. De repente, ainda na maternidade, chega aos meus braços uma coisinha completamente indefesa e, claro, para mim, não havia qualquer dúvida: aquela era a criança mais linda que eu já havia visto no mundo…

Meu primeiro sentimento foi de dó! Fiquei morrendo de dó de todos os demais pais e mães do mundo, afinal, os recém-nascidos eram as coisas mais horrorosas que podiam existir. Eu não gostava de sequer vê-los, todos enrugados, cabelos ralos, avermelhados, mais próximos de s de rato do que de gente. Nunca havia me simpatizado com qualquer recém-nascido e achava um absurdo quando via alguém dizendo: “Como é lindo este bebê!”. Poxa! Quanta falsidade! Sempre pensava.

Mas o meu bebê não… O meu era não apenas lindo, mas era um bebê lindíssimo, maravilhoso, perfeito, sem qualquer feiura própria dos recém-nascidos. Minha querida Luciana já nasceu linda e pronta! A única do mundo… “Como, Deus, pude eu ter sido O privilegiado?”

O pior era que eu não tinha qualquer receio em dizer este descalábrio para todo mundo que nos visitava na maternidade ou depois, em casa. Dizia isto com a cara mais lavada do mundo… Hahahahaha! Claro, todas as visitas, por constrangimento, me olhavam meio sem-graça e, balançavam com a cabeça concordando. Fazer o quê? Os pais são mesmos cegos. Cegos de amor!

Demorei a perceber que aquele era um fenômeno comum ante a tão desejada e aguardada paternidade. Deus havia feito assim! De repente, do nada, surge um amor incondicional por alguém que antes não existia. De repente a gente perde todas as nossas certezas. De repente, um sentimento sem sentido dá todo o sentido para nossa existência. De repente você chora. Fica bobo. Virá leão. Vira bicho mesmo… De repente… Bastou um olharzinho dela fitando meus olhos e eu desabei… Um buraco abriu embaixo dos meus pés e fiquei com medo, sem rumo, feliz, incontido, inseguro e a maior de todas as certezas profundamente invadiu minha alma: “Por ela posso até morrer!”

Meu amigo Joberson também experimentou a paternidade, há poucas semanas. Logo ele escreveu uma frase no Facebook que travou minha retina:

“Ser pai para mim é me sentir como Deus… Não porque posso mandar, mas porque posso morrer, se preciso for, pela minha filha!”      Joberson Lopes.

Quando me tornei pai, pude melhor entender a relação de Deus comigo (e com você). Pude entender (um pouquinho mais, apenas um pouquinho mais) do que é amor incondicional. Saber que Deus me ama mais que eu amo meus filhos é algo deliciosamente constrangedor. Me dá a paz que eu preciso e que se converte em uma absoluta tranquilidade ante a vida, seus desafios, surpresas, ausências e inseguranças.

Certamente que minha filha Luciana sofreu tudo o que a vida faz com a gente para nos fazer grandes e fortes, mas, a tranquilidade advinda da invariável presença de pai e mãe deu a ela segurança e confiança, como toda criança precisa para desenvolver uma alma saudável. A presença dos progenitores é tão essencial na formação emocional do ser humano que a ausência de um deles, ou de ambos, causa todas aquelas doenças de alma cada dia mais comuns. Doenças mais comuns porque as ausências paternais/maternais estão cada década mais valorizadas, como consequência de uma sociedade que prega que o egoísmo é bacana.

Trocando em miúdos:

  • Mulheres que por sentirem-se solitárias, “arranjam” um filho para ser uma companhia e uma razão existencial – e que se dane se ele será traumatizado por não ter pai…
  • Homens que engravidam mulheres, mas não assumem sua responsabilidade ante seus atos – até dão a pensão alimentícia, mas não pagam a dívida de carinho que contraíram com aquela nova vida… E que se dane se ela será traumatizada por não ter pai presente…
  • Casais que se separam porque não se toleram, ou porque engordaram, ou porque a relação está sem graça, ou porque o sexo já está uma bosta mesmo, ou por qualquer outra razão egoísta ou egocêntrica. Filhos? Que se danem se serão amargurados por não terem mais uma família… Depois eles serão curados quando “derem o troco”, pelo exemplo, se separando dos futuros cônjuges e também deixando os futuros filhos órfãos de família estruturada, repetindo o ciclo aprendido pelo exemplo dos pais. “Que se dane o sentimento da minha descendência! Afinal, eu me amo e minha felicidade e meus interesses estão acima de tudo!”

Percebo que muitos problemas emocionais e de autoestima de muitas moças com quem tenho conversado, bem como as angústias sexuais e existenciais de muitos rapazes, estão intimamente ligados à ausência paternal. Já li um estudo que afirmava que (ao contrário do que o senso comum latino ensina) as ausências paternais são mais severas na formação do caráter e das emoções do que as ausências maternais. Contudo, sem querer levantar um debate sobre a importância individualizada dos gêneros, foquemo-nos na importância da presença dos pais.

Voltemos à frase do Joberson.

Algumas religiões (ditas cristãs) pregam um Criador mal e castigador; Assim, contradizem o ensino de Jesus, que diz que Deus é bom e perdoador! Como estas religiões afirmam ser representantes de Deus na terra, muitas pessoas acabam acreditando na falácia e ficando com raiva de Deus, sem conhecê-lo de verdade. Pura ignorância. Alguns até, por medo, ou raiva de um suposto criador castigador, preferem ignorar a sua paternidade, fugindo de casa na adolescência da alma, dizendo: “Deus não existe!”.

Como é bom descansar no colo do meu pai celeste! Saber que o que eu senti e sinto por meus filhos não chega perto do verdadeiramente incondicional amor celestial incompreensível, que de graça perdoa e aceita, tanto você, quanto eu. Pela Graça!

Relaxa! E curta o cuidado do pai!

 

Luciano Maia

 

 

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4 comentários em “MÃE, ONDE ESTÁ O MEU PAI?

  1. Com todo respeito, se uma pessoa não acredita em Deus, não é porque ela fugiu, ou porque ela tem medo. É simplesmente porque elas não têm porquê acreditar. Não acreditar em Deus não é um problema, nem fraqueza. Às vezes é até a própria iluminação 😉
    Quanto à questão da paternidade, eu te pergunto o que é mais duro: uma criança criada com pais que vivem discutindo e têm uma relação instável, mantida apenas pelo dever de criar aquela criança, que aos poucos vai se tornando um fardo, ou a ausência da paternidade? Uma criança em um orfanato, ou adotada por uma mãe solitária (e a ausência da paternidade). Eu sinceramente não sei dizer o que é mais duro, são casos e casos, mas não é justo jogar o peso em cima de mães e pais solteiras(os), quando a criação de alguns deles muitas vezes tem o dobro de amor do que muito casal no mundo.

    • Olá Ninguém… (Poxa, preferiria tratá-lo pelo nome!!!)

      Sim, nós dois concordamos no quesito ateísmo, tanto eu quanto você cremos que muitas pessoas simplesmente são atéias porque elas não têm porquê acreditar.
      Meu artigo não diz que todos os ateus estão “fugindo”, mas diz “muitas pessoas fogem” – não todas as pessoas!

      Novamente, no ponto que diz respeito à paternidade/maternidade, quando você pergunta o que é mais duro: “uma criança criada com pais que vivem discutindo e têm uma relação instável, ou a ausência da paternidade?” – Eu não tenho uma resposta pronta, por isso , acho que a resposta que você mesmo deu para sua própria pergunta é a melhor resposta. Quando você se respondeu: “Eu sinceramente não sei dizer o que é mais duro, são casos e casos…” – Quero concordar com você… São casos e casos… Não há nada absoluto… Como eu poderia dizer o que é melhor?

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