MEU QUERIDO DIÁRIO…

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MEU QUERIDO DIÁRIO…

Muda pra lá, muda pra cá e nessas minhas andanças nos últimos três anos encontrei nas muitas caixas antigas dois cadernos desconhecidos. Ao abrir aqueles papiros amarelados para saber o que poderia ser, descobri o que para mim são tesouros: ambos são meus diários, escritos no verão e outono de 1986! Confissões secretas de um adolescente em crise. Li tudo! Poderia ter caído no choro, mas dei muitas gargalhadas… Se eu soubesse que passados 30 anos eu me divertiria tanto com minhas sérias crises existenciais de adolescente órfão, teria escrito mais… muito mais.

[Estou seriamente pensando em publicar todo o conteúdo destes dois diários neste blog aqui – sem cortes – hahaha! Não que haja algo de “espiritual” no conteúdo deles (ao contrário. Mas, afinal, meus leitores têm o direito de saber fofocas quentes sobre minha vida regressa… e melhor, ditas por mim mesmo! Gente, caso queiram falar mal de mim, me chamem, pois eu sei coisas terríveis a meu respeito!]

Numa das páginas do diário eu relato detalhes de um show do Barão Vermelho que fui, no auge dos anos 80, há exatos 30 anos, em Goiânia, com  amigos. Fomos os últimos a ir embora do local. Relembrei-me daquela noite que estava amarelada em algum arquivo-morto da minha memória. Foi Sensacional!

De propósito, ontem, 30 anos depois, fui novamente a um show do Barão Vermelho, só que em Brasília, agora, com minha esposa. Fomos os primeiros a ir embora do local (“para não pegar engarrafamento na saída…”). A banda não se chama mais Barão Vermelho, mas simplesmente: Frejat! (o que sobrou de tudo aquilo).

Apesar da careca disfarçada numa grande cabeleira e da barriga disfarçada num colete apertadinho, a energia do Frejat em cima do palco era a mesma de três décadas. Ele conseguiu cansar o público e transpirou “como se não houvesse amanhã!” Sua energia me contagiou!

É… O chronos não para!

Ontem também, horas antes do show, estávamos num almoço de aniversário de um amigo, da minha exata idade. Em meio àquelas divertidas e inacabadas conversas numa mesa volante, uma dentre os convivas disse: “Não vejo a hora de me aposentar para ser feliz!”. Meu queixo caiu. Tentei demonstrar naturalidade com aquela declaração bombástica, mas não sei se consegui disfarçar. E a argumentação continuou em tom de justificativa: “Não aguento mais trabalhar, acordar cedo, cumprir horário… Quero me aposentar logo para acordar tarde, viajar, fazer só as coisas que gosto e viver. Enfim, para ser feliz!”

Conversando com Simone depois, ambos confessamos o quão igualmente chocados estávamos: Como assim aposentar para ser feliz?

A vida não está lá na frente, no amanhã, quando poderei ir a quantos shows do Frejat eu puder ir. Mas a vida está agora, no presente, no show que fui hoje, ou que não fui porque estava cuidando do meu filho lindo, ou estava estudando para uma prova feia!

A vida não está lá atrás, no ontem, nos anos 80, nalgum beijo roubado muito bom no show do Barão Vermelho desgastado na memória, onde eu tinha mais energia, menos gordura, mais sonhos, menos dores, mais esperanças, menos angústias, mais oportunidades, menos exames médicos… Mas a vida está no agora, no presente, no beijo não mais roubado, mas ganhado, no show que eu fui 24 horas atrás e que pude ver muita gente alegre. Gente mais velha que antes, mas gente animada! Feliz? Não sei. Alegre? Naquele instante, sim!

chronos não pára!

Não, não vamos esperar o amanhã para ser feliz. Pois felicidade não mora no amanhã. Felicidade mora dentro de nós. Felicidade mora na perspectiva que enxergamos a vida. Já disseram isto e eu já repeti em algum outro texto: “Felicidade não é um destino a ser alcançado, mas uma forma como viajamos”.

A jovem palestrante Junia Bretas, consolidou um conhecimento antigo nesta frase: “Depressão é excesso de passado em nossas mentes. Ansiedade é o excesso de futuro. O momento presente é a chave para a cura de todos os males mentais”.

O hoje é uma dádiva de Deus. Por isso o chamamos de ‘presente’! (adoro este trocadilho).

Como ser feliz hoje? Não sei. Mas este é o desafio ao qual me proponho diariamente:

 

Meu amigo Paulinho me ensina que ser feliz no dia-a-dia é tocar bateria numa banda de rock (por hobby). Isto completa ele, o faz dormir profundamente e feliz.

 

Para minha esposa ser feliz é receber bons amigos em casa para beber vinho e jogar boas conversa fora, da mente pra dentro do coração.

 

Mas minha esposa me ensina ainda mais. Ensina-me que ser feliz é trabalhar muito e fazer diferença na vida de muitos trabalhadores por meio da implantação de políticas de Recursos Humanos mais ‘humanas’ e estratégicas, convertendo o ato do trabalho numa ação de prazer.

 

Minha amiga Madalena me ensina que ser feliz é correr. Correr muito, todos os dias. Todas as maratonas. Tantas maratonas quantas o tempo e as pernas permitirem…

 

Minha amiga Renata me ensina que felicidade é assistir filmes…

 

Meu amigo Joberson me ensina que ser feliz é ajudar os menos favorecidos e defender os que estão em situação de vulnerabilidade, ser um missionário urbano. Ele largou sua carreira profissional para exclusivamente dedicar-se ao outro… e isto o faz feliz!

 

[Um amigo me conta que pra ele ser feliz é transar com duas mulheres ao mesmo tempo. Vejam só! – Não faço aqui apologia a este comportamento.]

Não é necessário estar aposentado para se fazer todas estas coisas. Não é necessário aguardar o amanhã para viver o hoje.

“Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e se alegrar no trabalho que realiza. Contudo, compreendi que mesmo estes prazeres só podem ser concedidos pelas mãos de Deus, pois quem pode comer, beber, trabalhar ou ter alegrias sem que tudo isso venha de Deus?

Portanto, vai e come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com o coração contente, pois Deus já se agradou do que fazes. Estejas sempre vestido com trajes de festa, e nunca deixes de ungir a tua cabeça com o óleo da alegria.”                                            

                                  Rei Salomão , em Eclesiastes.

O que faz você feliz hoje? Faça-o! Você não sabe se estará vivo ou saudável amanhã para ser feliz num suposto futuro que ainda não te pertence e que você não sabe se realmente virá.

O que te faz feliz hoje?

Luciano Maia

 

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