O QUE É A ESPERANÇA?

Jesus não falava sobre esperança, ele falava sobre fé. Parecem que são a mesma coisa, mas não são. Por vezes confundimos em conversas com Deus ou com amigos terrenos estes dois substantivos.

Jesus não tinha esperança, pois ele era a própria fé. Ele não “esperava”, mas tinha certezas. Certeza do que aconteceria e certeza do que não aconteceria. Sua essência divina o permitia conhecer de antemão o futuro que lhe interessava. Contudo, a palavra esperança permeia toda literatura paulina. Não que Paulo de Tarso não tivesse fé, mas ele tinha o que chamo de fé responsável, ou seja, tem coisas nas quais ponho minha fé, noutras apenas mantenho minha esperança. Porém tanto uma quanto outra são reputadas por promotoras de vida quando ele diz:

“Agora, pois, permanecem a FÉ, a ESPERANÇA e o AMOR, estes três; porém o maior destes é o amor” (I Coríntios 13.13).

Para ficarmos todos na mesma página, vamos definir e distinguir fé de esperança:

  1. Esperança é confiança de que algo bom acontecerá. É uma “espera” baseada na possibilidade de que um desejo se torne realidade. É expectativa.
  2. Fé é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que se passa a considerar como uma verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério de verificação, apenas pela  absoluta confiança que se deposita na ideia.

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver” (Hebreus 11:1).

Se (ao contrário da fé) a esperança não é qualquer garantia, e mesmo que a esperança seja muito grande, mesmo assim o desejo poderá não ser alcançado ou realizado, porque a esperança é tida como tão importante? Não seria a esperança apenas um tipo de ingenuidade?

Recebi um destes breves vídeos de Whatsapp de autoria de Anne Reis Batista por meio do qual descobri algo muito legal e resolvi me aprofundar no tema por ela proposto. Trata-se de uma experiência de laboratório: no início da década de 60, o cientista Curt Richter, biólogo e geneticista da Johns Hopkins University pegou alguns ratos e os colocou em um balde cheio de água, cronometrando o tempo que levou para os ratos se afogarem. Na média em 15 minutos os ratos desistiam, paravam de nadar e se afogavam. Em seguida, ele repetiu a experiência com um novo grupo de ratos, mas desta vez, os ratos foram resgatados em 15 minutos, antes de desistirem de nadar. O cientista deixou-os secar, alimentou-os e permitiu-lhes recuperar as forças. E então ele jogou os ratos de volta no balde de água. O resultado surpreendente foi que esses mesmos ratos foram capazes de nadar por até 60 horas antes de desistirem e se afogarem todos.

Podemos visualizar que a esperança deixou os animais mais motivados ampliando a persistência, criou-se uma razão ou uma meta para que continuassem lutando pela vida. Quando se desenvolve uma visão de futuro, isto irá fortalecer e motivar, dando razões e energia para continuar seguindo adiante, com esperança.

Mesmo que a esperança possa parecer um tipo de ingenuidade, ela pode ser a força motriz capaz de auxiliar pessoas a não disitir ante a grandes obstáculos, mas atravessar as dificuldades relacionais, financeiras ou de saúde, apenas por enxergar um futuro, não necessariamente crendo, mas tendo esperança que poderá sair daquele deserto ou daquele lamaçal.

Uma das características que a religião busca desenvolver nas pessoas é a esperança. Pessoas cheias de esperança viverão melhor, mais tempo e mais felizes. Os desesperançados sofrerão mais e poderão até desejar a morte ante grandes obstáculos. Muitas vitórias que conseguimos, as conseguimos apenas pela força da esperança, ou seja, o fato de não desistir de lutar é que se torna o responsável principal pela vitória. Persistência vale mais que competência (não confunda esta afirmação como uma apologia à incompetência).

À partir da leitura das cartas paulinas, podemos afirmar que muitas das lutas que atravessamos nos tornam mais fortes, melhores e são treinos para lutas maiores. As dificuldades vão nos dando robustez espiritual e resistência existencial, nos moldando como bons lutadores e futuros vencedores. Nossa musculatura espiritual se devolve por meio de exercícios de fé e por meio da esperança.

Sua vida ficou mais difícil? Parabéns! Pois você subiu de fase!

Luciano Maia

 

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