PAZ EM MEIO AO SOFRIMENTO.

É comum sentirmos pressionados com tantas obrigações nos dias de hoje. Acordar cedo para deixar os filhos no colégio, participar daquela reunião estratégica com o cliente para fechar um “negoção”; depois passar no colégio para buscar a criançada. E ainda ter tempo de uma corridinha no parque ou encarar horas na fila para ver com a filha o show do Justin Bieber…  E o namoro com patroa não pode ficar de fora! Ufa! Agora é descansar um pouc… O quê? O despertador já me chama?

É tanta obrigação que a doença do século não poderia ter deixado de passar pela ansiedade, fobia e pânico. Todos esses males estão ligados a resposta defensiva do corpo à mecânica da vida moderna.

Vivemos uma época onde temos muitas facilidades tecnológicas ajudando-nos nas tarefas das mais simples às mais complexas. Um dia desses um colega veio mostrar um aplicativo de corrida diferente dos que conhecia. Por meio dele um professor acompanha os treinos e passa os exercícios personalizados, como se estive fisicamente presente.

Mas, estas mesmas facilidades tecnológicas ajudam na cobrança diária também: É o grupo de Whatsapp da empresa chamando no final de semana. Não precisa sair de casa, pode-se acessar o escritório através do notebook “no conforto de nossa casa”. Legal! (voz sarcástica…)

É tanta obrigação que até nos tira a paz interior, que justamente, é a boa notícia que Jesus veio nos trazer: uma vida de paz, tranquilidade e amor.

A primeira coisa que quero dizer a respeito da paz é que não a tenho como imagem estar deitado gostosamente na rede numa tarde de primavera à beira de um lago cristalino com o gorjear dos pássaros. Para mim, com certeza esta é a imagem de descanso, do ócio… Algo nessa linha.

Para mim, a imagem que melhor representa a paz interior é aquela de um pássaro dormindo num galho debaixo de uma tempestade. Daquelas tempestades em que o mundo se acaba em água, com relâmpagos e ventania. E o bichinho lá… deliciosamente dormindo com os trovões, entoando cantigas de ninar e o vento fazendo cafuné!

Outra versão é o pássaro voando, calmamente, no meio da tempestade. Enquanto caminhamos, no meio das tempestades da vida, que estejamos com a pressão legal, a frequência cardíaca bacana e o olhar tranquilo. Mesmo que esses sinais vitais descompensem uma hora ou outra, tudo bem, é normal. Somos apenas crianças crescendo.

“Isso é bonito, mas é uma utopia”, você dispara!

Deus nos chamou para a paz com Ele mediante a justificação em Cristo Jesus, diz Paulo, aos romanos. E isso não pode ter efeito somente para o futuro, mas este benefício deve ser desfrutado agora.

Quando ponho minha esperança na bondade de Deus e minha fé (“certeza do que não vejo”) está fundamentada em experimentar que a proposta de Deus para minha vida é o melhor, fica mais fácil passar por fases ruins.

Isso é outro assunto, mas já disse em outras oportunidades, que num mundo onde o mal prevalece, o nosso crescimento passa necessariamente por alguns perrengues na vida.

Outro princípio, o qual eu vejo na história de mártires da fé, é que essa força vem de um sentimento de pertencimento a Deus, que ainda não alcanço a compreensão na sua integralidade.

Lembro do apedrejamento de Estevão: enquanto a pedra comia solta, ele via Jesus, sentado no trono, sendo ele capaz de orar pedindo que Deus não imputasse aquele pecado aos seus algozes. Estevão via os céus abertos! A dor terrível de uma morte por apedrejamento não se comparava à eternidade.

Ficarei com esses dois pontos sobre o crescimento em direção à paz interior – uma fé baseada num Deus que sabe muito melhor que eu onde minha estrada vai dar e esse sentimento de pertencer ao Pai, tendo o reino no meu coração. São receitas que não permitem que corre-corre e os infortúnios roubem a paz.

Ah! Sim! E passar por sofrimento com tristeza é tão natural quanto sentir frio numa noite de inverno. Digo isso aqui porque às vezes temos uma visão – mesmo sem saber – budista do sofrimento, onde temos que sublimar a dor, negando-a, ou fingindo que ela não existe, em vez chamá-la pelo nome.

Vamos ver nosso sofredor-mor Jó. Ele raspou a cabeça, prostrou-se no chão. Esses são sinais de uma pessoa que está se humilhando. Ele tem essa visão de um Deus que é dono da vida e da morte: “O Senhor deu, o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor!”, disse Jó.

Sen-sa-ci-o-nal!

Não foi marketing! Não foi hipocrisia! Foi essa fé num Deus muito acima do bem e do mal, que sabe muito mais sobre Jó que o próprio Jó. Mas, depois veio em Jó feridas por todo corpo e a pior das tentações: “os amigos de Jó”. Aí Jó desabafou, amaldiçoou o dia que nasceu, desafiou os amigos – que insistiam que tudo aquilo era resultado de algum pecado – a apontarem algum erro dele. Foi realista em dizer que Deus fez porque quis fazê-lo, deu umas exageradas, que são naturais para qualquer um está sofrendo e não tem perspectiva legal da vida. Deus chamou Jó na calibragem no que diz respeito aos exageros, mas foram os amigos acusadores que receberam a reprimenda mais severa de Deus.

Sofrimento é sofrimento e dói! Nenhum mal nisso. Passada a fase ruim, a lição será aprendida, a vida será fortalecida.

O princípio que norteia a vida deve ser a paz interior, que vem de duas coisas: da certeza de um Deus que sempre sabe o que é melhor para mim e do sentimento de “que eu sou do meu amado e o meu amado é meu”.

Wilton 1Segundo

05/04/2017

 

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Um comentário em “PAZ EM MEIO AO SOFRIMENTO.

  1. Tenho dentro da origem do meu nome Jeferson o desafio de ser – Aquele que traz Paz, mas o maior desafio mesmo é te-la no dia a dia com tantas variáveis – aprender a ser do Pai e dele retirar a Paz que preciso. Belo texto cheio de paz …

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