Pedras ou tijolos?

Quando se constrói uma casa, hoje em dia, qual o material básico para levantar as paredes? Certamente são os tijolos. Tijolos são feitos em larga escala, obedecendo a uma padronização de tamanho e formato que facilita a construção e a torna mais rápida e eficiente. Mas porque não construímos casas de pedras?

Imagine se você fosse incumbido de construir uma casa utilizando somente pedras. Inicialmente deveria procurá-las, pois não são fabricadas. Teria o trabalho de encontrá-las, extraí-las da natureza de alguma forma e transportá-las. Depois seria necessário gastar algum tempo estudando onde encaixar cada uma, pois elas são únicas, de tamanhos e formatos diferentes. Quando melhor encaixadas menos massa entre elas e mais bonita e harmoniosa fica a construção. Imagina o trabalho de carregar pedras grandes, usar as pequenas para tapar frestas, se preocupar com a simetria de cada parede. É uma obra artesanal e muito demorada! Realmete é muito mais rápido e prático construir com tijolos, não?

Na sua primeira carta, direcionada aos estrangeiros que foram dispersos de Jerusalém, Pedro fala um pouco sobre a edificação da igreja comparando-a com a construção de uma casa. Ele diz que nós, os discípulos de Jesus, somos o material utilizado para a construção da Igreja e nos compara com pedras. Pedras vivas! Já havia tijolos na época de Pedro, inclusive a torre de babel, construída bem antes de Pedro, foi feita de tijolos cozidos ao invés de pedras. Possivelmente para acelerar a magnífica construção.

Não é por acaso que Pedro indica pedras-vivas como matéria-prima para construir a Igreja. Os grandes empreiteiros da fé, na pressa de construir rapidamente “suas igrejas” aprenderam que, assim como na construção civil, a construção de igreja é bem mais rápida com tijolos. Uma cultura onde todos pensam iguais, são treinados a terem o mesmo formato, o mesmo pensamento, a mesma fé, o mesmo respeito as hierarquias é tão eficiente (e tão parecido) quanto um exército. Para tanto, lançam métodos revolucionários de crescimento, transformam pedras em tijolos e rapidamente terminam a obra. Se algum tijolo quebrar, não tem problema; existem milhares de outros do mesmo tamanho saindo da fornada é só trocar. E a troca é constante.

Mas nosso Pai é um Deus de diversidade! Ele fez cada um com uma característica e como pedras vivas a casa de Deus desfruta de uma diversidade santa, amável, respeitosa e, principalmente, em total submissão ao Pai. Cada pedra tem seu formato, seu talento e edifica todo o Corpo à medida que cresce no conhecimento de Deus e renuncia seu ego, deixando o pecado, se unindo a Cristo e a Igreja e cooperando com seus talentos únicos.

Trabalhar com pedras é mais demorado, machuca as mãos, cansa, a construção pode parecer visivelmente menos atraente, mas à medida que o próprio Deus, pela atuação de seu Espírito e pela edificação do próprio Corpo as une, então se estabelece a Igreja de Jesus e as pedras ficam intimamente ligadas umas as outras. Mantém sua individualidade em união com as demais.

Na construção com tijolos, após passar massa e pintar, cada tijolo some, não é mais visível, passa a fazer parte de uma organizada parede. Não tem mais como expressar o seu sacerdócio único e passa a expressar apenas a ideia de seu idealizador. Na construção com pedras cada uma tem o seu local, sua importância e apesar de fazer parte de uma grande e sólida parede continua ali, manifestando seu sacerdócio de forma única.

Ao se rasgar o véu, todos fomos feitos sacerdotes únicos do Deus vivo e pedras na construção da Igreja de Jesus, sua noiva. Não se deixe enganar pelas aparências, pelas facilidades e pela velocidade; Igreja só de pedras!

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” IPd.2:4

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