PODE HAVER UNICIDADE ENTRE TEORIA E PRÁTICA?

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática será comparado a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. […]. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as põe em prática será comparado a um homem insensato, que edificou sua casa sobre a areia.

Mateus 7: 24, 26.

 

Por Sandro Veiga da Silva

Alguém um dia já disse: “Teoria é quando se sabe tudo, mas nada funciona e prática é quando tudo funciona e ninguém sabe por que”.

 

Esta expressão resume bem o embate antiquíssimo entre estas duas demandas da vida, isto é, a teoria e a prática. Passei quatro anos no seminário ouvindo pessoas afirmando que, no que diz respeito ao ministério, estas duas coisas eram insociáveis e, por isto, gastei um tempo razoável pensando em uma maneira de argumentar contra esta pregação que procura dissociar a teologia (teoria) da pragmática ministerial (prática).

Pois bem.

 

Jesus está aqui encerrando o que conhecemos como Sermão do Monte, no qual, como o Cristo de Deus, Ele assume sua posição acima da Lei. Faz isto substituindo, por várias vezes, a expressão “Ouviste o que foi dito aos antigos” pela afirmação “Eu, porém, vos digo…”. Assim Ele mostra como toda a prática do povo estava comprometida, pois, apesar de conhecerem, nunca aprenderam de fato a teoria que deveria fundamentar esta prática. Portanto, depois de vários ensinamentos que interpretaram a Lei fazendo-a ser entendida de uma maneira que nenhum homem nascido em pecado pôde entender até aqui, Ele mostra o perigo de tentar dissociar na vida cristã o que Ele ensinou (teoria) e o que Ele encarnou (prática).

 

Para exemplificar isto Jesus se utiliza de um expediente tão lógico que quem ouve não consegue encontrar novidade alguma nele, pois construir uma casa sobre a areia, que pode ser facilmente transportada de lugar tanto pelo vento quanto pela água, parece algo que ninguém é capaz de fazer. Mas, segundo Jesus, no que diz respeito à vida Cristã, isto é algo corriqueiro, pois muitos ouvem o Evangelho, mas, deliberadamente não dão valor aos seus ensinos e partem para a rotina da religião. O povo vivia uma religião sem entendimento, pois a exerciam em nome de uma Lei que conheciam, mas não compreendiam.

 

Jesus tem a solução deste problema.

 

Ele afirma que todo aquele, que faz o exercício de jungir estas duas demandas da vida cristã, é como o homem que constrói uma casa em lugar certo, ou seja, sobre um lugar sólido. De maneira que a pratica só é proveitosa quando a sua solidez está baseada em uma teoria bem aprendida.

 

Portanto, na mesma medida em que tudo quanto aprendermos com Cristo no Evangelho só terá sentido se colocarmos em prática, esta prática não terá sentido se abandonarmos tudo quanto aprendermos.

 

Assim, no diz respeito ao Evangelho, conhecimento colocado em prática não deixa de ser conhecimento, e prática baseada em conhecimento não deixa de ser prática. Portanto, na boa nova da graça, saber e fazer são verbos que se conjugam juntos.

 

É APENAS no EVANGELHO que se pode aprender para viver na mesma medida em que se vive para o aprendizado.

 

Soli Deo Glória!

 

Sandro Veiga da Silva, Pastor Presbiteriano Renovado, Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte – PR. Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Passos – MG.

 

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website