A REVISTA ISTOÉ E DEUS: O SEGREDO DOS MAIS FORTES!

ISTO É E DEUS

 

 

A revista IstoÉ desta semana (edição 2294) traz como titulo de capa “os segredos dos mais fortes”. A matéria embasada nas ultimas pesquisas de cientistas renomados de universidade internacionais, procura demonstrar que a ciência tem revelado por que alguns indivíduos enfrentam melhor que outros as adversidades da vida, tais como fracasso, rejeição, frustrações, insegurança e derrotas. Ato continuo, IstoÉ procura desvendar as características das pessoas mais capazes e como desenvolvê-las. E onde entra Deus nesta estória?

Desde muito cedo em minha caminhada como leitor das Escrituras, pude perceber que tanto nos ensinamentos das antigas leis judaicas (Antigo Testamento), quanto nas orientações mais recentes, de Jesus Cristo (ou Novo testamento) há um claro ponto de contato: uma preocupação central dos autores com o bem-estar das pessoas, ensinando o ser humano a afastar-se do mal, ou seja, de comportamentos que promovam o mal; todo tipo de mal:

  • Tanto o mal mais básico que podemos cometer contra as pessoas, tais como cobiçar, furtar e matar (orientações inauguradas nos dez mandamentos judaicos que ainda hoje permanecem presentes nas leis dos países civilizados),
  • Quanto males mais sofisticados ou psicológicos, que cometemos contra nós mesmos, como a baixa autoestima, a insegurança, a dúvida e/ou o medo do futuro (orientações mais presentes nos discursos de Jesus: “…não andeis ansiosos por nada, pois Deus tem cuidado de vocês…”).

Mais que pregar normas de conduta vazias, que servem exclusivamente como cabrestos morais, qualquer leitor mais atento consegue perceber que a maioria da Torá Judaica e as orientações dadas por Jesus buscam livrar o homem do próprio homem, já que a maioria dos nossos sofrimentos é causada por nós mesmos, como consequência de decisões inapropriadas e escolhas insensatas.

Quando estudei teologia e descobri nas aulas de hebraico que a palavra תּוֹרָה (torah) traduzida para o grego como “lex” (consequentemente para o português e o inglês como “lei” e “law”) é uma palavra que não pertence ao vocabulário jurídico, mas ao vocabulário educacional; ou seja, hoje sabemos que a palavra Torá esta mais voltada para  “instrução”, “doutrina”, “apontamento”, “ensinamento” do que para a palavra “lei”, no sentido jurídico. Isto muda tudo! Transforma o caráter de Deus de o “grande juiz” para o “grande educador”, corrigindo um equívoco de interpretação.

Educação transforma… Educação salva… Mais que julgar, Jesus esclarece que Ele veio para ensinar. Jesus disse: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47).  Esta quebra de paradigma deixa ainda mais clara a intenção pedagógica dos ensinos bíblicos, em frontal contraste com a intenção condenatória, como muitos religiosos interpretam.

O que as Escrituras, no fundo, tentam fazer, é apresentar ao indivíduo a possibilidade de olhar o mundo de forma mais otimista e positiva, assim, utiliza-se das mais diversas alegorias para trazer esperança e paz aos corações humanos: morte deixa de ser morte, mas passagem para outra vida! Assim, uma das grandes angústias existenciais recebe possibilidade de cura, por meio da esperança. Tudo baseado não em provas científicas, mas na fé (fé é uma certeza plena em coisas que não se pode ver).

A matéria da revista IstoÉ procura mostrar que as pessoas consideradas fortes, que conseguem superar as adversidades da vida (separações, óbitos, demissões inesperadas, catástrofes naturais, violência urbana) possuem características em comum e mostra também que estas características podem ser desenvolvidas pelas pessoas. Ou seja, mesmo que você naturalmente não tenha sido “abençoado” – já nascendo com aqueles gatilhos comportamentais – você pode buscá-los e aprendê-los.

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Linhas gerais, algumas “características dos vencedores” destacadas pelos cientistas  são:

  • Ter boa autoestima,

  • Enxergar o problema por outros ângulos,

  • Ter metas claras,

  • Contar com rede de apoio,

 

Muitos dos meus artigos, discursos e sermões buscam desenvolver nos ouvintes ou leitores o que os cientistas que inspiram a matéria da IstoÉ chamam de “Otimismo Realista”. Não que eu seja um estudioso da mente humana ou do comportamento social, ou que já tenha lido alguns dos cientistas citados (tais como: Dennis Charney, Steven Southwick, Mark Seery ou George Barbosa), mas porque o Otimismo Realista é o que Jesus nos ensinou… Simples assim!

Sem qualquer arrogância ou modéstia, conclui-se que a ciência contemporânea está, basicamente, confirmando que as Escrituras entendem de alma humana há milênios e que Jesus estava certo em sua forma ensinar o ser humano a lidar com suas próprias frustrações.

Diz a revista IstoÉ: “… Os cientistas entrevistaram pessoas que superaram situações de extrema tensão, como mulheres expostas a violência e abusos sexuais, membros de tropas de elite do exército americano, combatentes que foram prisioneiros de guerra, vítimas de terremotos e populações pobres de subúrbios… Todos tinham um traço comum, o otimismo realista, uma associação bem balanceada da visão positiva do mundo com boas doses de realismo…”.

Otimismo Realista é a mescla entre nem achar que o mundo é cor-de-rosa, e nem acreditar que não há solução para seus problemas… É justamente a junção destas duas características que a Bíblia tenta nos ensinar por meio de milhares de versículos, centenas de parábolas e dezenas de salmos, que para fins pedagógicos resumo aqui numa única frase, dita por Jesus: “…no mundo tereis aflições, mas tenham um bom ânimo, pois eu venci este mundo”. Ter um bom ânimo, mesmo diante das aflições do mundo é o que a revista IstoÉ chama de “o segredo dos mais fortes”.

As coincidências deste estudo científico com os ensinos bíblicos não se esgotam aqui. Irei mais adiante na exposição, mas tentarei não ser enfadonho.

 

1) “Ter boa autoestima”:

Todo o tempo a Bíblia nos chama de “eleitos”, “filhos do altíssimo”, “escolhidos”, “herdeiros com Cristo”, “mais que vencedores”… Além de inúmeras promessas de paz e de bênçãos. Ou seja, são doses maciças de autoestima que podem fazer com que a mais simples das domésticas ou o mais rejeitado dos porteiros se sintam animados e esperançosos, cheios de força para viver, dando de dez a zero em muitos pseudo-filósofos que vivem à base de Prozac. Quem acreditar em metade dos adjetivos superlativos que nos são dados pelas Escrituras, terão a autoestima nas nuvens sem dificuldade e um largo sorriso na alma. Crer que Deus está com você, ao seu lado, e que pode ajudá-lo, é essencial na superação dos desafios cotidianos de qualquer natureza.

2) “Enxergar o problema por outros ângulos”:

Muitas e muitas vezes as Escrituras nos desafiam a enxergar um problema por outro ângulo. Isto acontece todo o tempo, por exemplo: “Ele não está morto, mas dorme”, “Toda aflição tem um fim proveitoso”, “Deus nos aperfeiçoa por meio das provações”… Quando José foi vendido pelos seus irmãos para ser um escravo egípcio, foi justamente este episódio trágico que o levou décadas depois ao cargo de Governador do Egito. A Bíblia ensina que a esperança deve ser a última a morrer. Inúmeras parábolas nos mostram que uma situação ruim ou é passageira, ou pode ser uma porta para algo melhor. Quem crer nisto, não apenas será mais feliz, como passará por angústias com mais ânimo.

3) “Ter metas claras”:

Jesus sabia quem ele era e o que estava fazendo aqui. Ele predisse sua morte várias vezes. Sabedor que não duraria muito, como meta, tratou logo de juntar doze seguidores e transmitir a eles seus “segredos”, para que sua doutrina não morresse com ele. Jesus ensinou a ter meta: “Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.” (Lucas 11:9). Ou seja, “vá atrás dos seus sonhos”!

4) “Contar com rede de apoio”:

Conheço muitas pessoas que superaram por meio das “reuniões de oração” muitas crises conjugais, dores existenciais, doenças físicas e angústias de alma. Dentre estas pessoas, posso destacar eu mesmo! Muitas vezes, como órfão que sou, tive apenas nos colegas “da igreja”, nas “irmãs de oração”, nas reuniões de jovens e nas festas de aniversário que fizeram para mim, a família que me faltava, a voz de apoio que precisava e o empurrão que me tirou da inércia existencial: “Vai Luciano, vai com fé, Deus vai te ajudar; não desista!”. Foram palavras da minha “rede de apoio”,  chamada igreja, que permitiu que minhas dores fossem curadas e dúvidas rechaçadas. Diz o autor do livro de Hebreus: “Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando”. Hoje, sendo pastor, procuro fazer parte da “rede de apoio” de muitas pessoas e já tive o privilégio de ver muita vida sendo transformada.

O tipo de religião que Jesus pregou concentrou-se basicamente em dois pilares: o altruísmo (“amar o próximo como a sí mesmo”) e a coragem para enfrentar os medos (a frase “não temas” é citada 2.473 vezes no Novo Testamento). Para encerrar este artigo, deixo as palavras de IstoÉ: “Os [cientistas] concluíram ainda que o altruísmo, a religião e a coragem para enfrentar os medos também compõem a matéria-prima dos mais fortes.”

 

Luciano Maia

Matéria na íntegra aqui: http://www.istoe.com.br/reportagens/332651_AS+LICOES+DOS+MAIS+FORTES

 

 

3 comentários em “A REVISTA ISTOÉ E DEUS: O SEGREDO DOS MAIS FORTES!

  1. Amei a matéria.
    Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e, assim, o SENHOR, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. — Amós 5:14

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