SENTIMENTOS DE CULPA?

Admiro muito Rubem Alves, pois por não ter compromisso com instituições, seu livre pensar permite a ele aforismos e conclusões heterodoxas. Ele consegue ser complexo em seu simplismo. Hoje li um artigo dele cujo tema é o medo[1].

Eu já escrevi sobre o medo, você pode ler CLICANDO AQUI. Mas o artigo do Alves se desenvolve em torno do medo que a igreja desenvolve nas pessoas para poder manipulá-las: segundo Alves, cria-se o inferno para poder vender o céu. Um raciocínio que se generalizado, converte-se em sofisma, já que nada é absoluto. Em seu lindo artigo, o autor ainda confunde “igreja-instituição” com “igreja-grupo-de-pessoas”.

Não posso me aborrecer com a igreja, posso me aborrecer com as pessoas que estão dentro dela. CNPJ não tem sentimentos bons ou maus, pessoas sim.

Os problemas são as pessoas. Não sou discípulo de Sartre, mas concordo que “o Inferno é o outro”. O ser humano é decepcionante e decepcionável onde quer que ele esteja, dentro ou fora de qual instituição quer que seja, professa ou laica.
Mas, sim! Sem generalizar, concordo que muitos religiosos cristãos não agem como Jesus agia posto usarem o medo como instrumento de manipulação dos indivíduos ou das massas: Apresenta-se o inferno para lucrar com a venda do céu.
No contexto do medo aparece a culpa. Se sou contraventor de uma “lei” espiritual, torno-me culpado. Se não tenho culpa, não serei punido ou repreendido, portanto não preciso ter medo. Se sinto culpa, mesmo perdoado dela, posso ir pro inferno existencial. Sentimento de culpa gera medo. Uma coisa é “culpa”, outra é “sentimento de culpa”. Posso ser diariamente perdoado de minhas culpas, mas preservar o sentimento delas, como se não perdoado tivesse sido: uma prisão existencial.
Sentimento de culpa é uma prisão e também um instrumento de manipulação.
Os Evangelhos nos contam que Jesus pagou a dívida de toda a humanidade. Ele se tornou culpado no lugar da humanidade e nenhuma condenação há para os que estão em Cristo. Ele é o perdão encarnado, personificado, perto, prático e (ao contrário do que muitos religiosos pregam): fácil!
Jesus pregou o amor, a libertação das culpas e, por fim, as expiou. Deus não é um carrasco, como alguns insistem em imaginar.
Religiosos pregam a necessidade deles e de suas normas e dogmas como eternos expias das culpas. Assim religiões tornam-se prisões das quais os libertados delas paradoxalmente tornam-se culpados. A “igreja” não é Deus, como alguns supõem. Decepcionam-se com a igreja (instituição humana) e descontam sua raiva em Deus…  Isto é miopia espiritual. Dissonância cognitiva metafísica.
O interesse de Deus é perdoar todos, assim como ele fez com o marginal que estava crucificado ao lado de Jesus, que recebeu a salvação não por ser bom, mas (na reta final, salvo pelo gongo) por crer apenas. Esta facilidade irrita as pessoas vingativas e alguns religiosos. Mas Deus tira toda a culpa das nossas costas, basta crer, assim como o ladrão creu e perdeu sua culpa ante os céus. Tribunal fácil… Graças a Deus… Ou eu jamais seria salvo, pois eu sou muito parecido com você: Não possuo justiça própria. Se você é realmente culpado por algo, se desculpe, perdoe-se, abandone o erro e exorcize o sentimento de culpa.
Dizem que o catolicismo romano é mestre em usar a culpa como instrumento para manipular pessoas, mas vejo que muitos ramos ditos evangélicos também o fazem com destreza.
Entregue diariamente sua vida para quem pode te perdoar de toda e qualquer culpa. Afaste-se do pecado e lute contra as obras da carne. Sobretudo, aceite o perdão diário e jogue fora todo sentimento de culpa, que somente produz dor, angústia existencial e medo.
Liberdade?

Liberdade é viver sem medo e sem culpa, porque se Jesus te libertar, você verdadeiramente será livre.

Liberdade é não deixar-se dominar pelas obras da carne. “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” Gálatas 5:19-21


[1] Alves, Rubem. O sapo que queria ser príncipe. Ed. Planeta, São Paulo, 2009. p. 85


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Veja como a culpa é relativa ao tempo, espaço, cultura e até idade. Culpa é uma questão de ponto de vista!
Se eu ou você fôssemos o protagonista das cenas abaixo, teríamos muito o que explicar. Mas, considerando quem são estes protagonistas, não serão nem culpados nem punidos.
Hahahaha!

 

7 comentários em “SENTIMENTOS DE CULPA?

  1. "… e sobre esta pedra edificarei minha igreja", dita por Jesus, descaracteriza a igreja como instituiçãso humana.

    Agora, é lógico que tem "fundador" aos montes por aí, com data e endereço de fundação…

    Jackson Wesley Valério
    Skype: nextadvogados
    (41) 9993-9003 e (65) 8404-6785
    R. Des. Motta, 3588 – Mercês.
    Curitiba/PR. Fone (41) 3335-5577
    Fax: (41) 3335-2665

  2. Mano, é isso aí, no tempo de Cristo os fariseus queriam impor suas tradiçoes, seus dogmas, que por muitas vezes nem condiziam com a própria palavra, mas Jesus os advertia, é o que vc disse amado, impor, fazer com que acreditam no que não é real.

    O evangelho é tão simples. As palavras da Bíblia falam por si só. Crer de todo coração, de todo entendimento. Agora pois nehuma condenação há para aqueles que estão em Cristo JESUS.

    Evaristo Marques Gonçalves

  3. começou com uma brincadeira.telefonou para um conhecido e disse: sei de tudo, tudo o que? voce sabe, me faz um favor não espalha…..Verissimo!

    Mano quando vi este artigo não pude deixar de comentar, ontem dia 12/06/11 o meu pastor, Pr Luciano Gazola da igreja Luterana de fatima do sul, comunidade a qual eu faço parte, pregou sobre este sentimento de culpa, cara que Deus te abençoe muito bom seu artigo.

    abraços!!

    graça e paz!!!!!!

    Rafael Oliveira

  4. Bom dia!! Dividimos a admiraçao por Ruben Alves! Tenho livros dele.. Muii bom! Assim como estes textos diarios para reflexao.. Estao mudando minha maneira de pensar.
    Obrigada!! So tenho isso a dizer! Obrigada por me envia lis a cada manha!
    Tenho enviado anoutras pessoas que tambem tem se encantado e repensado muito a maneira como encaravam certas questoes.
    Tenham um dia Abençoado!!

    Mariângela do Carmo Fraga

  5. Lu,
    ( apresenta-se o inferno para vender o céu). Parte do seu texto que achei excelente.

    Claro! Essa lógica me remete a tudo, na vida, na empresa, nas relações… Enfim, em tudo. Tendemos a achar que algo é bom o comparando com o cenário anterior, se esse tiver sido pior.

    O inferno é ruim eu te vendo o céu. É assim no mundo corporativo também, onde as empresas de consultorias chegam rotulam o inferno e prometem o céu.

    Já ouvi de um amigo (era casado e minha vida era um inferno). Assim, qualquer cenário que o tire do que pensava ser inferno parecerá ser o céu.

    Imagine, se um ser sozinho no ato de pular de uma situação para outra sai do inferno ao céu, remeto ao pensamento massivo, onde igrejas pregam para milhares que pensam viver no inferno e atribuem as mudanças naturais ou não em suas vidas a palavra do homem ( isso qdo não temos certeza ser a vontade de Deus o que alguns pregam).

    Abraço. Obrigada pela reflexão.
    Viviane Hérica

  6. No meu entendimento, sem pretender ser o dono da verdade, nestes quase setenta anos de vida, costume pensar: De que adianta pedir perdão à Deus, se não nos perdoarmos primeiramente. Também me parece evidente que só podemos amar ao próximo, na medida que nos amamos primeiro. Ora, este tipo de amor na verdade, significa que precisamos que nos aceitemos primeiro e mesmo que isto seja “egocentrismo” grosso modo, mesmo generalizando, de fato sempre estaremos pensando em nossos interesses e problemas em primeiro lugar, depois, na família e assim sucessivamente. Ora, nenhum de nós é perfeito para que no longo da vida, intencionalmente ou não, deixe de praticar alguma atitude ou comportamento negativo contra nossos semelhantes e pior ainda contra nós mesmos.Como diz o ditado: Errar é humano e persistir no erro, não é apenas burrice e sim irresponsabilidade. Por outro lado, querendo ou não, o ser humano é influenciado pelo meio em que vive, más mesmo assim, ele tem sua escolha pessoal. Os erros cometidos contra nós mesmos, na verdade, tem por objetivo nos fazer crescer ao reconhecê-los. E aqueles que cometemos contra os outros, precisamos criar a oportunidade de pedir perdão, agora, se formos perdoados pelo outro, já é outra estória. Na questão religiosa as coisas deveriam funcionar de modo diferente, mostrar às pessoas, exatamente o que mencionei acima e mais, recebemos na vida, as recompensas ou consequências de nossos próprios atos. Não quero tomar mais espaço, então, se realmente quisermos submeter nossas vidas ao Criador, proponho a seguinte reflexão: “Concedei- nos Senhor a serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar, modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma das outras”

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