VIDA: UMA ESTRADA PARA A MORTE.


Muitas pessoas querem sequer falar ou ler qualquer coisa sobre morte, por medo dela ou do mau agouro que o assunto possa trazer. Contudo, clichês à parte, a única coisa que posso dizer para você com toda certeza é que você, sim, você vai morrer!

Ok, há outras certezas também… Como disse Benjamin Franklin: “Nesse mundo, nada é certo, além da morte e dos impostos.”

Onde reside o medo da morte. Será medo de dor, do desconhecido ou de sentir saudades? Será medo do diabo espetando com afiado tridente ou medo que simplesmente tudo se acabe, num piscar de olhos: seu tudo existencial (sonhos, projetos, esperanças…) aniquilando-se… Toda vida convertida num profundo, negro e assombroso nada.

Quando o ente querido morre, as lágrimas vertidas não são pelo ausente, que não mais vive, mas por sua ausência, que dolorida será aos que vivos permanecem. Não choramos pelo que vai, choramos por nós, os que ficamos com a falta do que não mais se tem. Autocomiseração.

Você tem medo da morte?

Parece uma pergunta infantil. Um clichê. Mas é a pergunta essencial, pois nos faz refletir sobre a vida, posto ao revelarmos nossa relação com a morte, descortinamos, compulsoriamente, como nos relacionamos com a vida. Sua relação com a vida define seu comportamento e reações. Arthur Schopenhauer filosofa que “quem não tem medo da vida, também não tem medo da morte”. Será? Além de uma bela frase de efeito, é uma opinião a se pensar.

Não houvesse medo da morte e não haveria religiões. Religião é um antídoto contra a morte. Religiões são tentativas humanas de comunicar com o além ou de se proteger do desconhecido.

Se houvesse uma plena certeza da existência de absolutamente nada após esta existência, religiões entrariam em profundo colapso. Entretanto, as religiões sustentam-se na expectativa do pós-lápide.

No contexto deste pós-vida, duas são as matérias-primas das religiões: esperança ou medo. A religiosidade humana pode ser marcada ou estimulada por estes dois fortes sentimentos existentes na alma humana: esperança ou medo! Ou esperança de uma vida melhor e mais agradável que esta ou o medo de uma vida ainda pior e menos confortável que a atual.

EU QUERO MORRER!

Se formos cristãos verdadeiros (ou seja, se acreditarmos nos conceitos de Jesus, transcritos nos Evangelhos), devemos querer morrer, já que Jesus nos afirma sobre um espetacular descanso  eterno.

Ah! Férias… Fim-de-semana deitado numa rede na chácara. Caminhar na praia sem hora para chegar, sair, comer ou dormir. Passear na praça mais linda de Paris, na primavera, com sorvete Häagen-Dazs de baunilha… Grátis! Assistir ao melhor dos filmes com a melhor das companhias. Sonhar acordado… Ou melhor, sonhar, morto.

A religião islâmica promete até sexo grupal com deliciosas ninfetas, para assim tornar a morte mais atraente para os muçulmanos-bomba.

Enquanto a gente não morre, para vivermos como magnatas, a gente vai se cansando nesta vida, que apesar de cansativa, pode até ser bem gostosa, pois tem seus pequenos prazeres… Felizes são os que conseguem perseguí-los e encontrá-los por aqui mesmo, mesmo que em doses homeopáticas. Mas a vida, mesmo bem vivida, cansa.

Jesus promete um descanso eterno sensacional, com alegrias e regalias, num lugar que a gente não sabe onde é, mas onde na roleta serão barrados o choro e a dor.

Sim, eu quero mais é morrer! E você? Quer permanecer neste mundo de dores e alegrias fugazes.

O apóstolo Paulo, sem medo e cheio de esperança, chega a afirmar que “morrer é lucro”! E ele afirma que estar “no céu” é muitas vezes melhor que estar aprisionado neste efêmero e frágil corpo. “Quem me livrará deste corpo?”, murmurava ele. Na visão paulina, morrer é bênção!

O sábio Rei Salomão corajosamente afirmou que “o dia da morte é melhor que o dia do nascimento”: quanta esperança! Homens que não tinham medo da morte, mas corriam atrás da esperança da vida boa que os aguardavam após esta.

Enquanto não partimos para o indefectível destino comum, ajuste seu estilo de espiritualidade: você procura religião por medo da morte ou por alegria no viver? Tenha esperanças…

Lembre-se: você possui apenas aquilo que não perderá com a morte; tudo o mais é ilusão.

 

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Nada é melhor do que alguém com uma ideia inspirada, que não perde tempo, E FAZ, ao invés de trollar como reza o manual de vida do coro dos descontentes.

Pois é isso que fez Sebastian Cosor com sua versão em vídeo de uma das obras primas mais reproduzidas em todos os cantos da cultura pop, “O Grito“. Divertido e angustiante.

 

 

 

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