As melhores coisas da vida não são coisas!

Uma tarde de sábado atípica, pois fui preparar junto com amigos o retorno do Café com Deus aos domingos pela manhã.  Os debates e trabalhos consumiram toda a tarde e acelerei nervosamente para casa para não perder o show da vida após um sábado produtivo e feliz que fechou uma semana cansativa.

Moro num bairro com nome estranho (chama-se QI-26 – coisas de Brasília). Este bairro  é no alto de uma encosta às margens do Lago Paranoá. Da minha casa vejo o pôr-do-sol da minha vida! As melhores coisas da vida não são coisas. Hoje estava especialmente absurdamente estrondosamente laranja (laranja é a minha cor, ok? Claro, por influência do Sr. Sol). Chego, com o sol a três minutos de dar seu majestoso tchau e vejo minha linda me esperando lindamente, abro um vinho frisante beeeeeem gelado e tchan…. Toca a campainha…. “Putz… Vou perde o show da vida….”wild_youth-wallpaper-1

Neste bairro as campainhas não costumam tocar. Aliás, em Brasília campainhas não tocam sem aviso-prévio.  Mas, fui atender quem me incomodava em meu ritual existencial.

Duas senhoras, uma de 40 e outra de 80… _

-“Olá, não queremos vender nada, somos católicas e queremos pregar o evangelho por instrução do Papa Francisco…”.

Adeus sol, pensei. Mas, como não atendê-las? Convidei-as para entrar. Recusado o convite, a mais nova contou sua história de vida: moradora do bairro, abusada sexualmente aos 7 anos de idade e aos 30 novamente quando dois assaltantes invadiram sua casa e mantiveram toda família como refém. Contou do ódio que sentia da humanidade e do desejo de vingança que alimentava, mas que, após começar a frequentar a Paróquia Nossa Senhora etc e tal, foi curada do seu ódio crônico e não mais deseja o mal a quem mal lhe fez… Aprendeu a perdoar.

Quer coisa mais linda que esta? Isto se chama conversão: não desejar a justiça humana, não desejar retribuir o mal, não perpetuar sofrimentos, mas desejar o bem para quem mal lhe fez – basicamente o que Cristo ensinou (numa tradução livre).

Claro que não contei a elas que eu era pastor para não constrangê-las, mas aproveitei  aquela bela oportunidade para eu ser ministrado pelo Espírito Santo. Ouvi atentamente o testemunho, após o quê, ela abriu uma passagem bíblica linda. Bebi. Fui abençoado por elas.

Quando acabaram propus uma oração, a qual fiz em favor delas, as abençoando. Por respeito à diversidade, até sinal da cruz eu fiz… Choraram e foram embora dizendo  que ganharam o dia.

Saíram em busca de pessoas para abençoar e foram abençoadas. E eu, um pastor, fui abençoado por duas senhoras católicas que nada entendem de hermenêutica, exegese, alta-teologia, eclesiologia… Mas possuem o principal: amor. Deus é amor! Portanto, elas possuem Deus. E me deram um pedaço dele.

Deu ainda pra ver o finzinho do pôr-do-sol com minha amada, brindando a vida que Deus nos dá. Brindando a presença destes anjos que ele nos envia sem aviso-prévio. As melhores coisas da vida não são coisas.

 

 

 

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